Budgeting

E se tirassemos um ano para viajar pelo mundo? Quando permitimos ao cérebro que elabore sobre uma resposta para esta pergunta, a problemática do dinheiro é talvez a primeira a pôr em causa uma resposta positiva, mas a verdade é que com alguma criatividade e bastante poupança tudo é possível! Bem, tudo menos hóteis decentes, refeições completas e deslocações confortáveis, mas acreditem que essa é a beleza da coisa. =)

Das primeiras coisas que fizemos para estudar a viabilidade da viagem foi criar um google.doc (uma espécie de guidance) com:

– lista de países que gostávamos de visitar em 12 meses (assumindo que o ideal seria explorar o mais possível a Ásia, Oceanía e América do Sul) – vistos (quais os países e qual o custo de obter o visto) – weather (tentámos o mais possível andar atrás do “bom tempo”) – voos ( estimativa do preço dos voos entre os países com base no sky flights, essencialmente) – rota em detalhe (estimativa de custos de transporte entre cidades com base nos sites de comboios e autocarros – ver info em “links úteis“) – outros (sites com blogs de viagens, empregos para backpackers, top 10 to do em alguns países, …)

Para chegarmos à lista “final”(a qual nunca é verdadeiramente “final”, porque acabámos sempre por alterar esse plano) dos países a visitar, acabámos por excluir os que representariam um custo mais elevado de deslocação (entrada e/ou saída) e que ofereciam alguma resistência bélica. Basicamente excluímos alguns países do Norte de África, alguns do Médio Oriente e a Rússia. Tough choice, but we can not do it all…or can we? =)

A rota que definimos na altura foi: Portugal – Índia (via Paris) – Nepal – Indonésia – Singapura – Malásia – Japão – Coreia do Sul – China – Vietname – Cambodja – Laos – Tailândia – Austrália – Nova Zelândia – EUA – México – Costa Rica – Nicarágua – Panamá – Perú – Bolívia – Chile – Argentina – Uruguai – Brasil – Portugal (via Frankfurt).

Contruir o ORÇAMENTO:

1) Estimativa do custo transportes:

– Aéreo

A partir deste ponto onde investimos mais tempo foi, sem dúvida, na pesquisa do custo dos voos entre países via, essencialmente, sky scanner. Este motor de busca foi-nos bastante útil porque permite seleccionar país de origem e de destino (considera todos os aeroportos), o mês de partida e de chegada (considera todos os dias do mês) e dá-nos a combinação dia, aeroportos, companhia aérea mais barata. É certo que começámos a pesquisar estes custos em Dezembro de 2012 para períodos bem posteriores (6 a 18 meses após), o que implicava, à partida, alguma falácia dos resultados, mas a verdade é que tínhamos de começar por algum lado.

Número de países a visitar: 25 Número de ligações aéreas previstas: entre 14 a 16 ( maior parte do sudeste asiático e da américa latina previmos fazer por terra) Custo total dos voos (estimado): 3.300€ por pessoa

– Terrestre (autocarro e comboio)

Esta parte foi morosa, muitooooo! Primeiro definimos as cidades que gostaríamos de visitar e por que ordem e de seguida procurámos pelos sites oficiais de comboios e autocarros (no wiki ou em blogs de viagens) para simularmos a deslocação de modo a aferirmos qual o custo e, claro está, optar pelo menor. Para quem quiser fazer uma viagem deste género ou pelo menos uma viagem low budget por algum dos países que visitámos, recomendámos que passem uma vista de olhos pela secção dos “links úteis“. Pode ajudar. Compilámos toda esta informação numa sheet do google.doc chamada “rota detalhada”, na qual especificámos o país, a cidade, a data de entrada na cidade, quantos dias estimávamos ficar nessa cidade, o meio de transporte eleito para nos deslocarmos para a próxima cidade, o custo do mesmo (especificávamos se seria um night or day train/bus, porque sempre que fosse night, era uma noite que poupávamos em hostel) e o site onde encontrámos a informação. Por fim, acrescentámos também uma coluna com a necessidade de visto ou não por país.

Número de cidades a visitar: 125 – 130 Número de ligações terrestres previstas: 110 – 115 Custo total destas ligações: 2.000€ por pessoa

TOTAL custo de TRANSPORTE (aéreo + terrestre):

2) Estimativa do custo de acomodação: Para estimarmos este custo, que sabíamos ser a maior fatia do nosso orçamento, recorremos essencialmente aos blogs de viagens que andávamos a seguir e a alguma random research via hostelworld, airbnb e booking e definimos um custo médio diário “aceitável”, ou seja, que nos permita dormir e tomar banho em locais seguros e minimamente centrais, ainda que pardieiros.

– distinguimos países com custo alto (32,5€), custo médio (25€) e custo baixo (17,5€) – estimámos o número de dias de alojamento por cada um desses países – calculámos o custo médio ponderado do alojamento

Custo médio ponderado de alojamento por dia de 23 € TOTAL custo de alojamento num ano de 8.400 €

3) Estimativa do custo com vistos: Recolhemos esta informação do site projectvisa (ver links úteis). Maior parte dos vistos obtêm-se à entrada do país de forma gratuita, com excepção dos seguintes:

– visto para a Índia, deve obter-se com alguma antecedência (15 dias por segurança), na embaixada da Índia em Lisboa e custa cerca de 52€ por pessoa – visto para a China, se possível obter com alguma antecedência (15 dias por segurança), na embaixada da China em Lisboa e custa cerca de 90€ por pessoa – visto para o Vietname, se possível obter com alguma antecedência (15 dias por segurança), na embaixada do Vietname em Lisboa e custa cerca de 70€ por pessoa

De notar que nós apenas obtivemos o visto da Índia deste modo, pois não sabíamos as datas certas de entrada e saída da China e Vietname, por isso não quisemos arriscar. Neste caso a solução foi obter o visto no país que estivessemos a visitar antes de entrarmos em cada um destes países.

No caso da China tivemos alguma dificuldade em conseguir o visto. Tentámos obtê-lo na Coreia do Sul, mas as agências de viagem (actualmente responsáveis por tratarem dos vistos) exigem um comprovativo de residência (Allien Registration Card – ARC) na Coreia para seguirem com o processo. Para os turistas que não têm este comprovativo (por não trabalharem e/ou estudarem lá), a única solução seria enviar o passaporte para a embaixada da China no país de origem (no caso, Portugal) e esperar que o validassem e o reenviassem para a Coreia (4 dias úteis para a validação mais sabe-se lá quanto tempo de transporte mais ficar sem documentos durante todo esse período). Not a good idea. Posto isto, a única solução que encontrámos foi comprar voo para Hong Kong e obter lá o visto, onde nos bastou dirigir a uma agência de viagens com os passaportes e dinheiro (as fotos tirámos lá, porque estava incluido no preço a pagar) e conseguimos visto de “grupo” (pressupõe que todas as deslocações dentro da China sejam feitas em conjunto…!! =) ). Os vistos custaram cerca de 100€/pessoa (expresso – 2 dias). No caso do visto para o Vietname, bastou-nos dirigir à embaixada em Beijing e pagar 70€/pessoa (expresso – 2 dias) mais duas fotos. Estes são preços por vistos de uma entrada, válidos por 30 dias.

TOTAL custo vistos de 444€

4) Estimativa do custo com alimentação Definimos este custo com base na seguinte expectativa:

No sudeste asiático e China (street food ou restaurante local) – cerca de 1,5€/pessoa/refeição No Japão, Austrália, Nova Zelândia e EUA (convinience store e supermercados apenas) – cerca de 5€/pessoa/refeição Na América central e do Sul (cozinha de hostel e street food) – cerca de 2,5€/pessoa/refeição

Três meses depois do início desta viagem (momento em que redigimos este post), estas estimativas (para o sudeste asiático, China e Japão) estão surpreendentemente muito próximas da realidade. Para mais informações, consultem o post dos custos efectivos. =) De notar que são muitas as vezes que comemos mais do que precisávamos, por isso descansem mães! Com sorte ainda regressámos com uns quilinhos a mais!! Para quem tenciona aventurar-se num passeio destes, fica a nota de que pão (embalagem de pão de forma), chocolates e água ocupam a maior fatia da nossa dieta alimentar.

5) Estimativa do custo com OUTROS (museus, templos, palácios, Muralha, Coral, snorkelling, envios de livros para casa, prendas, etc, etc) No clue!! Deixámos estes gastos ao abrigo do nosso bom senso. Se porventura ficarmos sem “combustível” em Tijuana…bem, let’s just not think about it!

Para quem se quer aventurar neste tipo de viagens longas, que requerem um cuidado planeamento financeiro e um grande esforço de poupança, o custo por dia de viajar no sudeste asiático pode ser facilmente conseguido por menos de 15€. Escusado será dizer que não vão ficar em hóteis de 5*, mas já se sabe que a mochila do backpacker fica confortável é no chão do hostel e não na poltrona do hotel, certo? =) A somar aos imponentes fortes, centenários templos e paradisíacas cascatas, têm verdadeiros food paradise a menos de 2€ a refeição, calor de tostar a pele e o inesquecível sorriso das pessoas que encontrarão pelo caminho. A não perder.

No outro extremo, claro está que viajar em países como Japão, Austrália e Nova Zelândia fica bem mais caro, e gastar menos do que 30€ por dia por pessoa  exige alguma criatividade, mas esta também faz parte da experiência, não é verdade? :-)

Bem, a conclusão final, se é que se pode tirar alguma, é que um orçamento é sempre algo de pessoal e depende muito de como se quer viajar, o que se quer fazer, ver e visitar e, não menos importante, a velocidade a que se viaja. Em regra, fazer este tipo de viagem exige uma séria e comprometida poupança durante o que podem ser longos meses ou mesmo anos. Certo é que a experiência de o fazer, essa não tem preço.

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