Sara

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Em Maio de 2012, a minha irmã deu-me uma gata bosques da noruega. Um dos traços desta raça é ter muito pelo à volta do focinho. Eu e o Diogo decidimos chamar-lhe Juba.

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Carinhosamente chamámos-lhe Jooooobs!!! Gorgeous, right? =)

Feita a justa menção a esta delícia que tanta falta me faz, siga para um auto-retrato.


Em jeito de analepse, os primeiros 16 anos da minha feliz existência foram passados em Melgaço, uma vila raiana portuguesa, no distrito de Viana do Castelo e sub-região do Minho-Lima, segundo o Wikipédia. Nas palavras de uma pessoa que foi bem feliz por aquelas bandas, é um sitio muito especial, rodeado por montanhas, água e galegos. =) É uma vilinha, no doubt about it, mas por mais mundo que conheça, aquele pedaço de terra estará sempre nos meus tops.

Enquanto criança, acho que é justo dizer que era um verdadeiro terror!! Não me diagnosticaram hiperactividade, mas andei lá perto. Tinha uma queda particular por fugas, algo particularmente alarmante numa criança de 4 ou 5 anos. What can I say, the world was calling me!! =)
Boa parte destes dezasseis anos foram passados na companhia não só dos meus pais, irmã, prima e avós como também dos meus bisavós, com os quais aprendi a ser mais do que poderia vir a ser… Foi um privilégio poder viver na companhia deles e foi, certamente, um dos melhores períodos desta minha ainda curta existência. Na verdade acho que só mesmo eles tinham paciência para mim. =)

Para grande alegria dos progenitores, um dos meus desportos favoritos foi ir para a escola, algo que muito provavelmente se deveu à minha brilhante irmã que, por sua vez, tinha como desporto favorito ensinar-me letras, números e os grandes chavões do idioma da Rainha, ainda eu andava no infantário. Dani querida, fica aqui oficializado que foste tu uma das responsáveis pelo meu sucesso escolar!! =) Toda a minha energia, curiosidade e “fala-baratice” estavam então bem canalizados para o ensino. Foi ainda naquela escolinha primária, hoje um centro recriativo para idosos, que conheci uma das minhas melhores amigas.

Com nove aninhos comecei o meu percurso na Escola EB 2,3/S de Melgaço, onde tive o privilégio de conhecer pessoas encantadoras e absolutamente geniais, com as quais partilhei momentos que espero vir a contar a futuros netos, na expectativa de ser a “avó fixe”… =) Foi também com menos de uma década de idade que descobri uma das minhas maiores paixões…a dança! Doze anos de movimento, criatividade, libertação, nervosismo e, muito provavelmente, a minha maior descoberta até esta viagem.


Pois bem, com 17 anos acabadinhos de fazer, segui rumo para a cidade que hoje acarinho como se fosse minha, o Porto.
Ainda me lembro daquele primeiro dia de matrículas na FEP…assustador! Uma multidão vestida de vermelho e branco, de joelhos no chão da faculdade. Medo!
Nunca me identifiquei com a praxe, daí as escassas duas ou três vezes que estive de joelhos presente nas “reuniões”.

Boa parte daqueles que têm de migrar para a universidade, entendem que é um período de grande mudança, cuja adaptação nem sempre é fácil. No meu caso, o processo de ajustamento foi excepcionalmente bem acompanhado pela minha incrível e psicóloga roomate. Ainda hoje questiono a capacidade que na altura tínhamos em comer tantas pipas (sementes de girassol)…lembras-te? Que vidinha boa!! =)
Foram quatro anos duros e marcantes, nos quais aprendi o que é “estudar a sério” e uma ou duas coisas de economia. Mas mais importante do que aprender qual o custo de oportunidade desta viagem ou qual o esforço de poupança necessário para a viabilizar, foi ter conhecido, naquele mausoléu de azulejo preto, as três meninas absolutamente indispensáveis à manutenção da minha sanidade mental e equilíbrio emocional…=)

Ora bem, em Julho de 2009, já de canudinho na mão (na verdade fui buscá-lo uns valentes meses mais tarde), e bem orgulhosa do percurso feito até então, inspirei e expirei profundamente antes do passo seguinte – começar a trabalhar na PwC, dois meses depois.

Foi uma experiência que durou quase dois anos, mas que olhando para trás parece que durou uma década, tal foi a imersão profissional e pessoal. Lá dentro tive o privilégio de fazer parte de uma “pequena família” e o prazer de conhecer pessoas absolutamente excepcionais e com um humor apuradíssimo, algo que ajudava e muito a ultrapassar o cansaço que algumas vezes se fazia sentir! Apesar de viver “sozinha” desde os dezassete anos, senti que foi naquela empresa que começou a minha vida adulta. Foi um percurso muito interessante para mim, que me ensinou um pouco de auditoria, mas mais importante ainda, me permitiu perceber que não era auditora que eu queria ser. =)

A aventura seguinte seguiu-se poucos dias depois, quando passei a fazer parte da dream team da pequena Gália do Grupo Oxylane! =)
Por mais que tente escapar-lhe, vejo-me sempre nos braços do cliché quando tento descrever os dois anos e dois meses que lá passei. O que aprendi, o que viajei, o que me diverti e, acima de tudo, quem conheci valem a medalha de ouro das experiências em terras lusas.

A par do novo emprego, e no topo do meu multi-tasking, decidi alimentar um pouco o meu bichinho do marketing com uma pós graduação em marketing management, na EGP e fazer voluntariado nas Aldeias SOS em Gulpilhares, Gaia. Sempre tive vontade de fazer parte de um projecto que envolvesse ajudar crianças e poder fazê-lo nesta instituição foi absolutamente genial. Certamente que será uma das minhas primeiras visitas, quando regressar.

Hoje sinto-me bem, muito bem aliás. Tenho vinte e cinco anos e o privilégio de viajar pelo mundo com a pessoa mais fantástica que conheci.

“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. (…)

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora. ”

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)

Se quiserem saber mais sobre o porquê desta viagem, cliquem aqui.

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