Jaisalmer – a Golden City

01/08/2013

Que noite bem dormida na cabine AC2!! It felt like a 5-star hotel!!! =)

Chegámos a Jaisalmer perto das 12h45m (atraso de cerca de 1h30m de comboio, mas pelo que ouvimos dizer é algo recorrente). A 40km da fronteira com o Paquistão sente-se o calor e a vigília cerrada. Saímos do comboio para apanhar um rickshaw para o hotel e qual não é o nosso espanto quando em vez de uma confusão de indianos a impingirem-nos os seus serviços, nos deparamos com uma fila ordenada de simpáticos condutores com folhas nas mãos a identificar as pessoas que vinham buscar. Olhámos bem e … lá estava um simpático rapaz com uma folha A4 a dizer “Tokyo Palace Hotel – Diogo Sousa”! =) We’ve got style! =) E desta vez vamos de jipe!! =)


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Foto no comboio a caminho de Jaisalmer. Já dá para perceber a mudança de paisagem. Achamos que parece um quadro. Aceitam-se ofertas. =)

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Feito o check-in, o dono do hotel colocou-nos moderada pressão indiana para lhe comprarmos o Camel Safari do hotel. Para terem uma ideia disse-nos que podíamos pensar até às 15h, o que nos dava cerca de 7 minutos para dar uma resposta. Um gentleman, portanto. Aproveitámos os escassos minutos para pousar as mochilas no quarto, que diga-se de passagem, nos encantou. Com 4 minutos para o deadline, lá fizemos as delícias de mais um indiano, aceitando o camel safari sem regatear (BIG MISTAKE). Recém-espremidos de 3300 rupias (cerca de 40 euros) e famintos, dirigimo-nos ao restaurante do hotel, no Rajastão, tipicamente situado no terraço. Que TOSTA!!! Mais de 40 graus! Amigos, chegámos ao deserto!!! Pelo menos, tivemos o primeiro vislumbre do sol na Índia! =)

Sugestão da casa: e que tal continuarem o resto do artigo ao som do Desert Rose by Sting? =)

Desde logo deparámo-nos com a magnífica vista do forte de Jaisalmer, único no Rajastão por ainda ser habitado por milhares de pessoas, entre as quais comerciantes (como não podia deixar de ser) e locais.
Como queríamos desenjoar um pouco da comida indiana, decidimos pedir um Chow Mein de galinha. Este super complexo prato levou aos dois cozinheiros de um restaurante sem mais nenhum cliente cerca de 50 breves minutos a confeccionar e ser servido. Resultado: acabámos por comer chapatis essencialmente. Que saudades dos nossos “Fu Sheng”, “Estrela Asiática” e afins do nosso Porto.

Isto é giro, Jaisalmer destoa da realidade que temos visto até aqui. Uma cidade bem mais pequena (mas com um número proporcional das sagradas vacas) e sem o buzinar constante e frenético das grandes cidades. A paisagem é toda ela em tons de dourados, da cor da areia, as construções todas em arenito.

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Forte de Jaisalmer é um dos maiores fortes do mundo. Foi construído no século XII pelo Marajá Rao Jaisal.

Subimos ao forte já perto da hora do jantar (10 extenuantes minutos a pé), com direito a paragem pelo meio para jogar cricket com um grupo de miúdos na rua. Uns dedos de conversa com os locais que, para não destoar, continuam a assumir que somos espanhóis, e acabámos por jantar num restaurante tibetano (terraço de novo) com uma magnífica vista do topo do forte sobre a cidade. Desta vez refeição deliciosa, com dumplings de galinha e vegetais e curry chicken com os tradicionais roti. O pequeno terraço estava ocupado apenas por turistas, 2 franceses, 2 italianos e 2 portugueses. Quando percebemos que os italianos eram de Pádua e o rapaz tinha uns Many calçados (como muitos outros turistas pelos quais passámos de tarde), criaram-se as condições para amigável conversa, na qual o Berlusconi foi “beliscado” não poucas vezes pelo italiano. Italiano esse que defendia que os tempos da Máfia eram melhores que os de hoje…por palavras dele, os italianos não têm más políticas…pura e simplesmente não têm políticas de todo!
Acabámos por trocar dicas de viagem com as experiências de cada um, com o francês a garantir-nos que a Nova Zelândia é um dos sítios do mundo a não perder. We plan not to!

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02/08/2013

8 horas para entrarmos no deserto.
Subimos de novo ao forte para comprar roupa mais apropriada para o deserto, pois foi-nos aconselhado levar calças estilo Ali Babá. Quando fizemos a mala, optámos por trazer mais Xanax e menos calças para camelo. =)
Entrámos na loja de um moço, aka António Banderas (auto-intitulado), que nos pareceu um comerciante com modos mais ocidentais.
O simpático Chagal Mali (o tal Antonio Banderas) pertence à casta Mali. É uma casta “média” (no ranking do sistema de castas) bastante respeitada por se dedicar à agricultura (frutas, flores e legumes, essencialmente).

Seguiu-se a feira mostra de paletes de calças, de diferentes tecidos, diferentes cores, mas definitivamente todas overrated! Na verdade passámos uma excelente horinha com o AB, muito “académica” e tivemos mais uma oportunidade de treinar as nossas técnicas de negociação. Ainda não estão no ponto mas estão a melhorar significativamente.
Uma boa negociação na Índia tem que deixar o vendedor mais ou menos chateado (se ele ficasse mesmo muito chateado não venderia e esse é o segredo da boa negociação). Para já, como temos vindo a falar e conhecê-los um pouco melhor fica mais difícil depois ir baixando o preço. No entanto é fundamental lembrarmo-nos constantemente de que na verdade o que estamos a fazer é reduzir-lhes a margem de valores obscenos para valores absurdos.
Anyways, o nosso Banderas lá nos ofereceu o tradicional Masala Chai e fomos perguntando tudo o que nos vinha`à cabeça.

Notas do dia:
– Forte Jaisalmer mandado construir pelo Marajá Jaisal Singh, daí a cidade chamar-se Jaisalmer;
– Dentro do forte e à volta de Jaisalmer os Jain construíram uma série de templos; os Jain eram a casta mais alta e foram acolhidos pelo Marajá dentro do forte, em troca de financiamento para construir o forte; Foi do símbolo desta corrente religiosa que os Nazis adoptaram a cruz suástica;
– Aquando do tempo do Marajá, as castas mais baixas que não podiam fazer negócio às claras, construíram passagens subterrâneas que chegavam aos 10km para que, do outro lado do túnel, pudessem fazer negócio nas barbas do Marajá!

O Banderas pelo meio ainda nos explicou a origem dos diferentes tecidos e as diferenças entre cachemira, pashmina e shahtoosh, sendo esta última uma prática algo atroz, com a qual nem todos indianos concordam…e nós idem! A sua produção tem de ser autorizada pelo Governo, porque se faz com o sangue e entranhas de uma ovelha que acaba de nascer. O produto tem um cheiro muito forte e o preço mínimo anda à volta dos 650€. É um produto de nicho, procurado por pessoas muito excêntricas.

No final saímos com 2 belíssimos pares de calças que atempadamente verão neste post. Ainda pedimos uma recomendação para almoço ao Banderas que nos levou ao restaurante recém-aberto do seu amigo Kahn, onde nos deliciámos com um chowmein vegetariano para dois, ao preço da chuva…1,20€! Muito simpático e ainda tirámos umas fotos com ele e do seu espaço, tendo prometido que iríamos ajudá-lo a colocar o seu restaurante “The Little Prince” no Tripadvisor!

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De regresso ao hotel para descansar. 2 horas para a partida.

Só para terem uma noção, pagámos 3300 rupias e o programa era o seguinte: saíamos às 16h e demoravamos cerca de 2 horas a chegar ao deserto. Acampavamos por lá e regressavamos às 11h30.
Cerca de 1h de jipe para chegarmos a um templo Jain e passarmos por uma pequena aldeia de locais e outra hora para irmos de camelo até ao local de pernoita.

A volta começou com uma paragem num suposto templo Jain, que na verdade era um pequeno muro quadrado a guardar um pequeno altar no centro. Logo na primeira paragem portanto já estavam a tentar cobrar-nos 100 rupias para entrar, mas gentilmente recusámos. Nós e o japonês que viajava connosco sozinho, proveniente de Hokkaido, de poucas palavras pois não sabia muito inglês e que uma boa parte do tempo ficava a contemplar o deserto a fumar cigarros de mentol. Ainda parámos numa pequena aldeia, muito pequena mesmo com 10 pessoas que basicamente era uma única família, mãe, pai, 4 filhos e 4 filhas. A única parte interessante é mais perceber como é que estas pessoas vivem nestas condições especialmente quando olhamos para o poço de água da aldeia onde a água tem tudo menos bom aspecto.

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Passada esta curta visita a aldeia lá nos encaminhámos para o deserto. Depois de percorrermos 20 a 30 km lá chegámos ao ponto de encontro com os nossos 3 camelos – número 1, número 2 aka Paulo e número 3. Lá conhecemos o nosso guia Piru que nos conduziu nos camelos para o local de pernoita no deserto.
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Durante a viagem de camelo, o Piru foi-nos contando um pouco da vida dele e das condições de vida das pessoas que vivem e trabalham no deserto! Rough life! Basicamente ele ganha um salário de 2000 rupias ( cerca de 25€) e faz cerca de 3 safaris por semana. Como quase todos implicam 1 ou 2 noites no deserto, quase não dorme em casa =( Pelo menos boa disposição não lhe faltava e, carinhosamente, apelidou-nos de “Sara desert” e “Boss” ( subentendem-se nesta última os traços culturais indianos, claro está)!!
A viagem foi muito tranquila, debaixo de cerca de 40 graus!! Lol Tempo algo fresco para o Piru que só começava a queixar-se a partir dos 65 graus!!!!!
À medida que nos aproximavamos do local da pernoita, o tempo começou a piorar. Parecia que ia chover no deserto, algo que segundo o nosso guia não acontecia há 3 anos!!!!! O Piru só nos agradecia e dizia que a Sara desert veio dar sorte, porque ia chover, mas nós só pensavamos como raio é que a tendinha ia aguentar uma chuvada das fortes!!
Chegados ao local da pernoita, começámos a montar a tenda (bem, não literalmente, porque essa na verdade nunca foi montada)! e, dado o tempo escuro, passados uns 5 minutos junta-se a nós um grupo de 3 ingleses Joe, Alice e Liz que começaram a partilhar algumas das experiências que já tinham tido em 2 semanas e meia na Índia. Desde os autocarros sem AC horríveis em viagens de 12 horas a outras peripécias, pelo meio ainda conseguimos sacar bons conselhos para o resto da viagem. Pouco depois, começámos a cozinhar: chai, caril de vegetais e chapati. A meio do processo começou a levantar-se uma tempestade de areia forte que obrigou os cozinheiros a mudarem de poiso várias vezes, para que o saco de açafrão não virasse saco de areia…O ambiente era de falsa descontracção, porque estava tudo a tentar adaptar-se à escaravelhada toda que andava em quantidades massivas à volta dos excrementos dos camelos deitados ao nosso lado e também tudo preocupado com a molha que se avizinhava.
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Bem, depois de um bom repasto começámos a preparar para dormir montando as camas no exterior, assumindo que não choveria.
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Foi mais ou menos aqui que começou a enchurrada de água que nos levou a refugiar numa pequena cabana de apoio.
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Ainda tentámos montar as duas tendas que o grupo trazia mas sem sucesso, entrava demasiada água com o vento e a tenda estava ensopada por dentro ao fim de 2-3min. Resultado: 13 ou 14 pessoa a dormir num espaço de 20m2 repleto de escaravelhos, aranhas e afins!!! Lá fora a chuva continuou a cair e sentimo-nos a dormir no supra sumo dos pardieiros, repleto de insectos, com indianos a ressonar e os que estavam acordados que não paravam um segundo de falar. Paraíso, portanto.
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Pelo meio tínhamos ainda um amigo indiano que ninguém percebeu donde vinha que de tronco nu ia passeando de um lado para o outro bebericando uma garrafa de whisky. Só visto!
Lá parou de chover por volta da 1h, e como ninguém estava a conseguir dormir naquele resort ( tirando 2 chinesinhas geração iTudo que já ressonavam) veio tudo cá para fora, dormir nos suportes de plástico=cama, cobertos com as mantas que usamos nos camelos, completamente molhadas, e finalmente apreciar a prometida noite estrelada do deserto! =)
Acordámos pouco antes das 6h, com os camelinhos ao nosso lado, os escaravelhos refestelados na… isso mesmo e uma mosquitada irritante à nossa volta. Pouco depois fizemos o pequeno-almoço ( pão de forma tostado em carvão, compota de pacote em saco de plástico com abertura à dentada do Piru – ficou uma espécie de saco pasteleiro – e chai), arrumámos as coisas, montámos camelo e siga para bingo.
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Ingleses desertaram um pouco antes, nós chegamos ao local onde o Jipe do hotel deveria estar e nada…esperamos 40 min e finalmente lá vem o artista com a música nas alturas.
“My friend everything ok? You don’t have a happy face.”, arrisca o moço para o Diogo. Ui. Bad choice my friend. Desancadela monumental.
Basicamente não dormimos na tenda como previsto, descobrimos que pagámos bem mais que os ingleses pelo mesmo safari e ainda esperámos 40 mim a levar com sol do meio-dia no cachaço, tudo ou quase tudo graças ao excelente serviço do Tokyo Palace Hotel…pronto, o moço apareceu em má hora e levou resposta.
De regresso ao hotel e de banho tomado, reporting ao dono. O homem ficou tãããooo à rasca com o que ouviu que devolveu-nos 1000 rupias, embebedou-nos com chai e suplicou-nos que escrevessemos boas críticas no tripadvisor e booking.
Post longo e cadeia de fotos pesada, mas esta foi, até este post, a aventura mais aventureira. Achámos que valia a pena detalhar, esperemos que vós também. Valha-nos a vossa paciência!
18h autocarro para Udaipur. 12 horas de viagem numa caminha com bom aspecto e com AC. Acho que vamos gostar, mas…”eu sei lá menina, num sei se são chineses ou o c*****”.
Por isso, não percam o próximo episódio porque nós também não. =)

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