Varanasi e sagrado Ganges

12/08/2013

Comboio para Varanasi. Primeira vez em AC3 (basicamente o mesmo que AC2, mas em vez de beliches de 2 camas, deparámo-nos com beliches de 3 camas, um pouco menos espaçosos. Suspeitámos que a Dani fosse claustrofobicamente negar uma dormida naquelas cabines! =) ).



Nota: já não há descrições de corridas alucinantes para apanhar comboios, dado que aprendemos a lição e nomeadamente depois de o Diogo ter recebido ameaças de morte por ter feito a Sara saltar para uma linha de comboio repleta de ratos, começámos a chegar com mais tempo às estações.
Pouco depois de nos instalarmos, dois indianos amigos entram também na nossa cabine. Não pudemos deixar de notar e sorrir quando um deles sobe a cama do topo com esforço à medida que solta um “oh Krishna” em vez de “Oh God”. Faz sentido claro, mas foi divertido ouvir.
A viagem fez-se bem mas não tão bem. As AC2 recomendam-se para quem não está a tentar poupar dinheiro necessariamente e para o Gonçalo, para evitar bater com a cabeça em cima. =)

Passámos uma certa fome no comboio (descansem mães, estamos a cuidar de nós, foi uma situação pontual!), pois por trenguice não tínhamos comprado mantimentos suficientes, mas passou-se o tempo.
Chegados à estação, a primeira coisa que tratámos de fazer foi arranjar o bilhete de comboio para Kolkata na noite seguinte.

Ainda tivemos um episódio que nos causou alguma impressão quando apanhámos 3 franceses na fila para comprarem bilhetes para Agra e estavam a tentar explicar que queriam cabine para dormir…

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…o senhor estava a dizer-lhes que só tinha vaga em Sleeper Class, e eles meio desconfiados iam perguntando se se podia dormir nessa classe ao que o homem dizia que sim (e com razão). Eles ainda não muito convencidos perguntaram-lhe se iam muitos turistas aqui, mas achámos que o senhor da estação não percebeu esta última questão, pois não lhes respondeu…e a verdade é que são poucos os aventureiros que optam por esta carruagem… é das piores para viajar…damos como exemplo uma casa de banho com a qual nos deparámos numa das viagens…

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Depois de uma fila de alguns estrangeiros à nossa frente e de levarmos uma quase acusação de passarmos dois nipónicos e dois americanos à frente (“tuga” deve ter rótulo de incumpridor!!!), lá nos sentámos com o senhor da estação a estudar as nossas opções. Só havia um bilhete, outro estava em fila de espera mas ele tranquilizou-nos pois no limite podíamos partilhar a cama.

Saímos do comboio e o panorama era talvez o pior até então. Por esta altura já estávamos habituados ao caos, mas esta estação lembrou de certa forma o Posto 3 na praia da Falésia, na medida em que não se vislumbra sítio para estender a toalha…neste caso, são indianos colados uns aos outros com os seus panos no chão deitados por todo o lado, outros de pé no meio, obrigando-nos a uma boa ginástica para passar…

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Mal saímos da estação, apanhámos de imediato um regateador a tentar vender-nos o seu tuk tuk. Uma negociação renhida que ficou nas 150 rupias. Caro, mas era a guest house mais distante da estação em que íamos ficar. Depois de uma viagem por estradas bem esburacadas pelo centro e arredores de Varanasi, lá nos hospedámos na Rahul Guesthouse, onde percebemos que estava também um português hospedado, com o qual não nos chegámos a cruzar, contudo.
Primeira coisa a fazer: pousar coisas e comer.
O restaurante desta guesthouse também ficava num terraço com vista para o Ganges, enorme, muito largo, rápido e com água acastanhada, o que se devia essencialmente às monções. O local era agradável mas sem grandes escolhas de menu, ou por outra, tinha indiano, chinês, japonês e israelita mas o cozinheiro dizia que só sabia cozinhar indiano… ok…

photo (5)

Lá nos alimentámos condignamente e descansámos no quarto, tendo perdido a vontade de sair. Não, o quarto não era fantástico, era mesmo mais um pardieiro simplesmente o cansaço fazia-se sentir e o calor e humidade não ajudavam.
Jantámos na guesthouse para de manhã sairmos fresquinhos à descoberta.
A seguir ao pequeno-almoço americano (já começa a tornar-se um favourite nestas andanças), despedimo-nos do simpático dono para apanhar transporte e passear no centro e tentar espreitar algum ghat (locais de banho no Ganges para os hindus locais; um local sagrado onde mergulham na água purificadora e limpam os seus pecados).
A parte do “sairmos fresquinhos” rapidamente foi à vida. A ingenuidade tem destas coisas, mesmo depois de quase 3 semanas na Índia. Enfim, demasiado calor e impossível passear de mochilas. Percorremos a zona central junto ao templo dourado, onde os hindus estavam a fazer as suas ofertas e deu para perceber que a cidade deve ser uma das mais antigas, sem dúvida, e mais paradas no tempo na Índia. Claro que isso reflecte-se nos costumes e tradições, mas também na cidade em si, muito degradada, muito suja em todo o lado. Chegámos ao ghat mais famoso e que estava bem concorrido com hindus a banharem-se, mas as escadas estavam completamente submersas pelas cheias das monções, que elevaram o nível de água do rio a níveis altíssimos obrigando os hindus ali presentes a banharem-se no topo e não nos degraus. O rio passava ao fundo a uma velocidade incrível, impossibilitando qualquer navegação de barco também.

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Optámos então por passar algum tempo num agradável café chamado Open Hand Shop, mais afastado do centro, provavelmente um café gerido por estrangeiros, onde fizemos horas até ao comboio depois de nos refastelarmos com sandes de atum e frango e o belo do queque para dar energia acrescida.
Saímos do café cerca de 2h30 antes do comboio partir, isto porque queríamos garantir que tínhamos conseguido confirmação do bilhete em fila de espera. Mal chegámos cá fora apanhámos 2 ou 3 tuk tuk mas a negociação foi difícil… todos pediam 200 rupias para a estação pois diziam haver muito trânsito. Tentámos negociar, ou seja, dissemos não e começámos a andar, mas o começo de uma pesada monção nas nossas cabeças e mochilas levou-nos a engolir o orgulho e a entrarmos dentro do primeiro rickshaw que nos apareceu com o condutor a rir-se. Grrrrrrrrrrrrrrrrr!!!
Lá nos levou à estação enquanto enfiávamos as protecções impermeáveis nas mochilas (sim porque os rickshaws como já perceberam são tapados com as frágeis cortinas que não evitam o banho do turista) e quando chegámos a zona de trânsito cerrado, o nosso condutor ainda nos tentou convencer a sairmos antes, dizendo que eram dois minutos a pé e que de rickshaw íamos demorar 20 minutos. Provavelmente tinha o Deli FC – Varanasi SC para assistir na televisão (talvez isso explique as suas 5 tentativas de nos fazer sair mais cedo) mas ignorámo-lo e fizemo-lo trabalhar para as rupias! =)
Demorámos 10 minutos, não os 20, lá conseguimos o bilhete em falta e comprámos alguns mantimentos para depois nos instalarmos nas waiting rooms… Na estação de Varanasi não destoavam da cidade ou seja, bem sujas. Mas o mais incrível foi assistir a toda a fauna presente, desde pombas a montarem ninho no tecto, bandos de osgas a passearem-se, as baratas solitárias no chão e os vários casais de ratos a passearem as suas crias pelas salas de espera e corredores da estação, tipo programa de família ao domingo. E sim, estes ratos não se ficavam pelas linhas de comboio, nada disso, salinhas de espera do bom e do melhor, à procura dos restos de comida deixados pelos passageiros. Provavelmente Varanasi tem famílias de ratos em castas superiores!!!

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Kolkata here we go!

Não percam o próximo episódio, porque nós também não! =)

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For now...it's HEAVY-LEVEL!

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