Hong Kong do melhor Skyline… à mais “luxuosa” das mansões

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A paragem em Hong Kong veio mais depressa do que o estimado. O contratempo em Seoul obrigou-nos a voar para este pequeno território chinês independente da China :) para conseguirmos o visto para a China.

Depois de um voo tranquilo, chegámos a Hong Kong perto da meia-noite e a primeira aventura foi sair da estação de autocarros em Kowloon. Conselho de amigo, não sigam para o parque, a saída é dois pisos acima, por mais enganadoras que sejam as indicações. Engraçado foi perguntar a mais do que um funcionário onde era a saída e obtermos respostas diferentes a cada vez. Depois de 10 minutos enervantes, cansados, com humidade e mochila às costas, chegámos finalmente ao exterior e dirigimo-nos para a segunda aventura: o hostel.

Com noite pré-reservada no Canadian Hostel, o mais barato que encontrámos a cerca de 25 euros a noite (!), dirigimo-nos para o prédio do nosso alojamento, a Chung King Mansion, num dos centros desta imponente cidade, Tsim Sha Tsui. O nome do prédio foi o que manteve a moral das tropas em cima, enquanto nos arrastávamos com as mochilas que pesavam face ao cansaço.

Ao chegarmos ao nosso prédio e sendo certo que a hora não ajudava, o ambiente era de um “luxuoso” melting pot que nos deixou a pensar se sobreviveríamos para escrever este post. Mas a melhor parte ainda estava para vir. Já no interior do prédio, o seu rés-do-chão era preenchido por dezenas de lojas de troca de câmbio (90% de indianos), lojas de contrafacção cheias de produtos chineses (90% geridas por locais), restaurantes locais e indianos. Os clientes do prédio dividiam-se irmamente entre estes dois países, acrescidos de naturais de múltiplos países do continente africano.  Pelo meio víamos meia dúzia de backpackers perdidos neste mundo à procura do seu hostel.

Depois de questionarmos lá nos dirigimos para um dos vários elevadores no canto sudeste do prédio, onde percebemos que cada piso desta “mansão” tinha pelo menos 2 ou 3 hostels…todos com nomes confortáveis para ocidentais: Canadian, American, British, Blue Sky, French, etc, etc, etc…

Dois elevadores (para cerca de 30 pisos e onde cabiam 4 bem apertados) para o nosso recanto neste prédio com câmaras no interior, ecrãs no rés-do-chão, onde a multidão que aguardava a sua vez para entrar podia ir assistindo ao espetáculo dos passageiros no interior enquanto estes se coçavam, tiravam catotas do nariz, olhavam para outros passageiros com cobiça, enfim, dá para imaginar, correcto?

Chegada a nossa vez lá subimos ao 16 andar onde já não tínhamos ningúem para nos receber (perto da 1h). Batemos à porta e tocámos, nada. Por sorte, já quando estávamos prestes a desistir saiu duma porta ao lado o dono do hostel que nos ajudou, telefonando para o seu funcionário no interior, que teimava em não largar os braços de Morfeu para nos fazer o check-in.

Fomos conduzidos ao quarto, este no 10º andar (todos os hostels estavam trocados, recepção num piso, quartos noutro) e embora a zona comum do prédio apresentasse condições deploráveis, a zona dos quartos estava limpa e arranjada. Aberta a porta do nosso quarto, entrámos e pousámos as mochilas, ou seja ocupámos todo o chão livre no quarto de 6m2 (a cama ocupava cerca de 5m2). Mas a verdade é que não faltava nada lá dentro, mini casa de banho suficiente, TV pendurada no canto, juntamente com AC e ventoinha e 2 armadilhas para baratas debaixo da cama (esta parte o Diogo só disse à Sara no final da estadia em HK). Que mais se pode pedir?

Na manhã seguinte (bem cedo pois estavam obras a ampliar ou construir mais um hostel no nosso piso), completámos a inspecção da nossa mansão, com uma breve olhada a uma das janelas no nosso prédio (AVISO: CONTÉM CENAS POTENCIALMENTE CHOCANTES PARA ALGUNS DOS NOSSOS LEITORES):

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E depois de esperarmos 5 minutos pelo elevador, decidimos descer pelas escadas:

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As escadas deste tipo de prédios em Hong Kong são usadas como repositórios de sangue (restos de confrontos de gangs locais provavelmente) e lixo claro, assim como um sítio para o descanso eterno de vários bichinhos especiais com um contributo especial no planeta, entre os quais se contam as baratas e ratos. Pintado o cenário negro do alojamento, a verdade é que quando é para dormir, dorme-se e são estas situações que nos dão a energia em dose certa para não ficarmos apáticos fechados dentro de um quarto de hotel! :)

Até o nosso Seven-Eleven era um “luxo”, com berreiro constante de imigrantes a discutirem de forma acesa no seu interior.

Para se sentir e respirar esta cidade nada melhor do que passear em Tsim Sha Tsui, onde o caos nunca pára, seja a que hora for. Hong Kong tem sempre gente na rua, de dia ou noite:

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Alguém que avise o Álvaro que o pastel de nata já está em Hong Kong. Há umas dezenas de anos.

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Sempre algum restaurante aberto, ou loja aberta, ou vendedor de rua seja a que horas for. E pode-se comer seja o que for também, desde peixe e marisco em consideráveis instalações de aquacultura plastificada, a qualquer parte de pato (patas, línguas, cabeças, etc), mas também os magníficos dumplings e hot pots que não faltam nesta cidade!

HK2batch36 HK2batch35 HK2batch38 HK2batch34 HK2batch33 E tem os seus inconfundíveis mercados de dia e de noite, que atraem locais e turistas por igual, à procura das melhores pechinchas! HK2batch37 O melhor fica muitas vezes para o fim e o show de luzes no Skyline de Hong Kong é talvez dos mais impressionantes no mundo. HK2batch19 HK2batch2

Mais um pedido de foto para a Sara (acho que já é capote para o Diogo)

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Pouco depois chegou o barco que tínhamos contratado para nos passear em Victoria Harbour.

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Pedimos gentilmente aos senhores que se despachassem a sair da embarcação:

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E partimos para um passeio magnífico

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Depois acordámos deste sonho e lembrámo-nos do nosso quarto de 6m2. Visitámos o Peninsula e imaginámos como seria uma noite a preço mínimo de 448 euros neste luxuoso hotel.

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Fica aqui a imagem de um dos melhores e mais baratos repastos (infelizmente não nos lembrámos de fotografar mais noutros dias): Hot pot do Café de Coral (uma cadeia de comida barata e deliciosa em Hong Kong). Os dois devemos ter pago 7 euros por este banquete :)

O Hot Pot é uma espécie de fondue chinês em que não se frita, cozem-se os alimentos. Vem uma panela com uma espécie de canja de galinha chinesa, onde com a ajuda de um pequeno bico de gás se ferve a dita canja e se vão atirando e cozinhando os alimentos lá dentro: couve, abóbora, tiras finas de carne de vaca, vários cogumelos, dumplings, soja, noodles e inúmeros outros ingredientes (o freguês pode optar adicionar os que quiser a gosto):

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Não esquecer de visitar o Gong Cha em Tsim Sha Tsui (enquanto a CoCo não abre em HK) e provar um Pearl Milk Tea se estiverem cá! Este buffet da Mongolia também não é mau (não temos mais fotos):

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Faltou tempo para visitar Macau (e não pudemos infelizmente ir jantar ao António), mas devido aos problemas com o visto chinês fomos forçados a tomar um comboio para Shanghai mais cedo do que o previsto.

E aqui vamos nós para Shanghai, China, terra de um skyline também bonito (mas ainda atrás do de HK), cerimónias do chá enganadoras, pork buns e hostels bem melhores do que em HK! Não percam o próximo!

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