30/07/2013
O nosso objectivo inicial era ir de Deli para Jaisalmer (uma zona de deserto que faz fronteira com Paquistão), mas não conseguimos um bilhete de comboio directo, daí termos feito “escala” em Jaipur.
Comprámos os bilhetes na New Delhi Station, no International Tourism Bureau que se localizava no primeiro andar da estação. É importante manter-se focado quando se passa na estação, porque é muito fácil e frequente ser-se abordado pelos inúmeros indianos que lá vivem e que querem ganhar a sua comissão em cada bilhete vendido, impingir uma viagem de tuc-tuc pela cidade, vender fotos com as suas crianças ou outros “serviços criativos”.
Eles são, na maior parte das vezes, muito simpáticos e divertidos e entendemos que para sobreviverem no caos e pobreza de Deli e de outras cidades indianas, têm de insistir e insistir…e é certo que o turista “não focado” será sempre o “alvo” predileto!! :)
No comboio para Jaipur realçamos a qualidade das cabines AC2, com beliches para 4 pessoas por cabine, que não sendo estilo europeu, não são um grande contraste para o turista ocidental, por isso paga-se um pouco mais, mas recomendamos vivamente a viagem de comboio nestas cabines em viagens prolongadas pois permite descansar um pouco e o tempo parece que voa. As AC3 também não nos parecem mal, são um pouco mais apertadas que as AC2 (beliches para 6 pessoas no mesmo espaço de uma Ac2) mas por outro lado um pouco mais baratas. No nosso caso até aqui temos optado sempre por AC2. Podem consultar o livro do Gonçalo Cadilhe “O Mundo é Fácil” onde ele detalha as melhores opções para turistas a viajarem na Índia.
Durante a nossa viagem tivemos o prazer de compartilhar a cabine com 3 indianos (na verdade era um homem e 2 mulheres, ficámos na dúvida se estaríamos na presença de poligamia ou não) todos super simpáticos e ficaram muito interessados na nossa viagem e muito, muito surpreendidos com o tamanho da nossa bagagem face à duração da mesma. Isto porque cada uma delas para saírem um fim de semana levam 3 malas cheias saaris, chapatis e açafrão. =)
Aquando da chegada a Jaipur (hora de jantar), as senhoras sacaram de uma deliciosa homemade meal que tiveram a gentileza de nos dar a provar. Yum!! Muito bom mesmo!
Chegamos a Jaipur às 20h30 do dia 30. Mal pusemos o pé fora da carruagem, já tínhamos um simpático jovem a oferecer os seus serviços de transporte. A princípio não lhe demos bola, o que levou o rapaz a tentar sacar-nos qualquer tipo de resposta fazendo perguntas atrás de perguntas. Conseguimos manter-nos indiferentes até ao momento em que ele arriscou tudo e atingiu o limite da nossa paciência ao perguntar se éramos espanhóis!!!! Como?
Respondemos com as palavras do sábio Castro ” por supuesto que si!!” e perguntámos “quanto es el tombo de aqui a Surya Villa Hotel?” =)
Pediu-nos 100 rupias ( menos de 2€) mas depois de percebermos que não sabia o caminho para o hotel (foi posto à prova pela Inquisição Diogo Sousa e falhou redondamente), então dirigimo-nos ao posto oficial dos tuc-tucs ( à saída da estação) e conhecemos aquele que seria o nosso main guide em Jaipur – Mr. Raul Rahis! Pagamos-lhe 85 rupias.
Chegados ao Surya Villa, depois de uma animada conversa com o Raul durante a viagem, não tivemos forças para voltar a sair.
Ficámos até às 4h da manhã a (re)analisar o trajecto a fazer na Índia. Isto porque já está na hora de nos comprometermos com os próximos 3 voos ( Calcutá – Jakarta; Bali – Singapura e Kuala Lumpur – Tokyo) e para isso precisamos de saber quais as cidades a visitar até lá e quantos dias vamos passar em cada uma delas.
Até agora dos sítios onde passámos, nos quais se incluem a capital da Índia, ainda não encontrámos um sítio sem ruas Pardieiro, aliás, difícil é encontrar ruas que não tenham pelo menos algumas vacas e porcos a explorar os amontoados de lixo:
Mas como já tão bem retratada em livros, documentários e testemunhos de visitantes e locais, a Índia é um país que marca pela beleza dos seus contrastes e nós também estamos a comprovar isso:

A cidade de Jaipur vive essencialmente de turismo e de manufactura de tecidos, joalharia, carpetaria. O nosso guia levou-nos, de forma comissionada mas não levámos a mal, às fábricas/lojas na Mughal Town, onde se fazem e vendem estes artigos manufacturados.
Tivemos oportunidade de visitar e ver como se fabricam os tapetes únicos de pêlo de camelo, de seda e de lã de ovelha. Os senhores da fábrica fizeram-nos uma visita guiada a todo o processo na expectativa de nos venderem um dos, diga-se, líndíssimos rectângulos peludos (com preços a partir de 500 euros…portes não incluídos), mas sem sucesso…”tight daily budget my friend”, alegámos nós, enquanto bebericávamos um delicioso chai. =)
Ficam aqui amostras e aceitam-se encomendas para quem quiser. Pedimos que façam o mesmo que fizemos com o Raul, ou seja, conscientes de que temos comissão na venda, não levem a mal….”tight daily budget, my friends”. Just kidding! =)


Como só passámos um dia em Jaipur e ainda por cima debaixo de monção, não tivemos oportunidade de visitar os fortes mais distantes, mas ainda assim a experiência que ficou das 24 horas que tivemos para visitar foi positiva e com mais tempo, quem sabe, poderemos vir a regressar à Pink City.
Tivemos um jantar delicioso com o nosso guia, que nos deu muita conversa e nos começou a deixar algo impacientes quanto à hora de partida para apanharmos o comboio…”it’s really close my friend. Station only 3 minutes away”. Finalmente chegámos à estação onde tivemos um simpático misunderstanding quanto à remuneração do Raul pelos seus serviços, mas lá nos ficámos pelo que tinhamos acordado inicialmente. Duas fotos da praxe e bye bye Raul, see you next time.
A cerca de 20 minutos de terminar o dia, tivemos a última aventura. O “very close” passou a very far quando, na entrada da estação, o quadro das partidas mostrava todos os comboios…menos o nosso que era às 23h45, ou seja tinhamos aproximadamente 8 minutos para o apanhar e não sabíamos onde. Imaginem-se na estação de campanhã nesta situação. Chato, mas ok, faz-se, no limite dormem lá sem grandes medos.
Agora imaginem-se numa estação de comboio indiana, caótica, cheia de gente (ou seja, uma estação de comboio indiana), com controlo de bagagem incluído logo à entrada, sem ideia da plataforma para onde nos dirigirmos. No espaço de 2 minutos encontrámos um senhor que lá nos indicou a plataforma 4. Começámos a correr de mochilas às costas (escusado será dizer que estas condições implicaram suadeira em bica; sempre bom quando vamos para uma viagem de comboio de 10 horas), subimos as escadas para atravessar a ponte pedonal que ligava à tal plataforma, apenas para descobrir que a descida para a plataforma 4 estava bloqueada para obras. Ora portanto, recapitulando: já só com 5 minutos conseguíamos ver o comboio, só não sabíamos lá chegar. Tentámos descer para a plaforma 5-6 e ver se teria acesso, mas nada. 4 minutos. Subimos de novo a ponte pedonal e descemos pela entrada para a plataforma 3. Diogo salta para linha de comboio e Sara nada. 3 minutos. Diogo, delicadamente, berra: “SARA SALTA PARA A LINHA”! Sara a medo, começa a descer. Saltámos a divisória que separava a linha 3 da 4 e, contrariamente aos ratos que lá se encontravam, subimos da linha 4 para a zona de embarque da linha 4. Ufff…agora só temos quase 1 kilómetro de comboio para correr (sim, porque eles aqui são pequenos…) em 2 minutos. Doable! Lado a lado fomos perfurando a multidão, empurrando e derrubando passageiros e vendedores sem distinção. Já tínhamos percorrido uns 300 metros quando se ouve um estrondo seguido de gritos de alguns dos locais presentes. A mochila com máquina fotográfica, PC, passaportes, carteiras, telefones e afins (sim porque inteligentemente levávamos tudo na mesma) abre-se e máquina fotográfica e cabos de pc no chão. A 1 minuto do comboio arrancar estávamos separados com a Sara à porta de uma carruagem que não era a nossa mas ia ter que servir e o Diogo a correr em direcção à mesma carruagem depois de recolher os itens perdidos e a correr com a única mão livre nas costas da mochila que nem tinha tido tempo para fechar. Entrámos, conseguimos. Carruagem errada e sem passagem pelo interior para a nossa. Acabámos por travar conversa com alguns dos passageiros e staff do comboio e depois de uma hora de espera, na primeira paragem do comboio lá corremos para o sítio certo.
1h da manhã e finalmente deitados na cama do AC2. Boa noite e até amanhã se Deus quiser.















































