Osaka, Kiira, couchsurfing and chicken steaks I

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Osaka. O primeiro contacto com o Japão, com algumas histórias estranhas, outras divertidas e às vezes as duas.

Voo longo e com muito pouco descanso (e com as pastilhas para dormir da Sara a fazerem zero efeito) chegámos a Osaka consideravelmente rebentados. Recolha de bagagens e quick breakfast  no aeroporto com pastry e café, só europeus no preço…


Comboio para o centro de Osaka para o nosso hostel Toyo. Tudo muito organizado e limpo. MUITO limpo.
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Primeiro evento estranho:
A nossa Sarinha arranjou confusão com o comboio japonês e nem uma nem duas, cabeçada no vidro, que é para ele aprender. Tradução: adormeceu e bateu com a cabeça no vidro, num dos solavancos e fez um lanho doloroso.
Dada a necessidade de gelo para o recém-adquirido “galo” da Sara, parámos numa das centenas de máquinas de vending para tirarmos uma cházinho gelado. Depois de 100 ienes lá pá dentro, pumba ou melhor auuuu…LATA A ESCALDAR. Se há noutros países, confessamos a nossa ignorância.
Foram as boas vindas ao Diogo e Sara ao mundo das vending com bebidas quentes. Ficámos com o aviso, o lixo ficou com a lata.
Aqui está a infame máquina:
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Hostel muito agradável, staff muito simpático. Prioridade 1: recuperar sono. 2 horinhas foram suficientes.
Prioridade 2: exploração de Osaka, começando por forrar os estômagos com gyoza (dumplings fritos) com um prato de noodles, uma refeição o mais económica possível nos preços impossíveis do Japão.
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Com linguagem gestual lá nos entendemos com o staff, pois inglês nem vê-lo!
Passeámos no bairro junto ao hostel, com enormes mercados tradicionais totalmente cobertos. Esperávamos que fosse uma cidade meio caótica, mas encontrámos calma e um ambiente muito pacífico…até…
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Segundo evento estranho.
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Esperemos que tudo corra bem…estar preparado nunca fez mal a ninguém…
O nosso passeio em breve teve uma surpresa quando ao dobrarmos uma esquina nos deparamos com uma senhora dos seus 70 anos, com a casa completamente aberta para a rua, quase como se não tivesse parede. E atrás da senhora, uma jovem em trajes reduzidos (sem atentados ao pudor), algo provocantes, sentada num tapete vermelho.
Terceiro evento estranho.
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Na nossa ingenuidade ainda pensámos que fosse um salão de beleza, até que olhando em volta vimos várias entradas na rua semelhantes (sinais brancos na foto). Cada uma com a sua jovem e cada uma com uma senhora dos seus 70 anos à frente da dita cuja jovem, que não seria a mãe, mas seria uma espécie de matriarca no estabelecimento.

Nem aos edifícios pudemos tirar fotografias, dado o excesso de zelo das matriarcas. Foram mais umas boas-vindas do Japão ao Diogo e à Sara, desta feita para nos mostrarem o que foi o maior Red Light District no Japão, até 1958, altura em que aprovaram as leis de anti-prostituição. Tobita Sinchi, é o nome do bairro que hoje em dia é conhecido e apresentado como um bairro de “restaurantes japoneses”, sendo esse ainda o enquadramento legal em que se situa, sendo o presidente de câmara de Osaka, o conselheiro legal da associação de “restaurantes” de Tobita.
Depois de sairmos desta zona, entrámos no centro de Osaka, com as multidões à nossa volta a começarem a formar-se, finalmente, especialmente sendo já hora de ponta. No entanto, houve algo de muito peculiar que desde logo notámos e que viria a confirmar-se em todos os locais por onde passámos no Japão. Apesar de estarmos rodeados de uma multidão, nas ruas o silêncio era assustador. Parecia que nem os carros faziam barulhos. As pessoas ou não falavam ou falavam muito baixinho entre si, para não perturbar quem os rodeava, de tal forma que nós parecíamos ser os seres mais sonoros na cidade. Diríamos mesmo verdadeiros espanhóis. =)
Mais tarde tentámos a nossa sorte com um cineminha, mas com uma selecção de filmes manhosa e com pouca disponibilidade de inglês, dispensámos e ficámo-nos por uns simples snacks coreanos.
Quarto evento estranho.
Durante o passeio não pudemos deixar de notar a quantidade alarmante de lojas com venda de media em formato papel para maiores de 18 anos. E DVDs também…parece que há mercado para este segmento no Japão. Acima da média pareceu-nos.
Isso e a quantidade incrível de salões de jogos e de máquinas de empurrar moedas…parecia um hobby nacional para muitos!
No dia seguinte um programa diferente. Visita ao Oceanário. Muito de comum com o nosso, com uma ou outra vista mais fora do vulgar.
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De tarde visitámos ainda o castelo de Osaka, palco de muitas batalhas no passado pelo direito a governar o Japão:
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Depois da visita recolhemos as nossas malas no hostel e seguimos para a nossa primeira experiência de couchsurfing.
Apanhámos o transporte e seguimos para a estação indicada pelo nosso host. No destino, bilhete na máquina e esbarrámos na barreira. Que tinhamos feito errado? Ninguém na estação para ajudar. Sorte das sortes, depois de 2 dias em que à excepção do hostel ninguém tinha falado inglês, eis que surge um último passageiro a sair da estação que por sinal falava muito bem inglês. Depois de comunicar pelo intercomunicador de ajuda, lá percebemos que como bons tugas não tinhamos pago a fare por inteiro. Foi por ignorância, juramos a pés juntos.
Paga a diferença seguimos a pé para casa do nosso anfitrião.
Já bem perto tivemos que pedir indicações e um jovem bem simpático levou-nos mesmo à porta. Com tudo isto já estávamos atrasados mais de 1 hora e meia com o anfitrião com quem era suposto jantarmos. Chegámos, “Hello?”, porta aberta, ele cozinhava ao fundo, “Come in, come in” sem nunca se virar para trás, parecia nem estar interessado nos dois estranhos que iam lá dormir em sua casa. Sorte a dele que não nos apanhou em dia Hannibal Lecter. Entrámos, sapatos à porta como mandam as regras aqui e o nosso anfitrião Kiira, lá estava a acabar o seu jantar, muito simpático, muito easy-going! Ficámos a saber que tinha aprendido todo o inglês que falava graças ao couchsurfing que tinha começado há menos de 6 meses. Impressionante! Indicou-nos um magnífico e barato restaurante onde degustámos um ramen delicioso (prato muito tradicional no japão, caldo de sopa de porco com noodles e outros ingredientes).
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Regressados, o Kiira ainda nos ofereceu cerveja e alguns petiscos, embora já estivéssemos bem cheios.
Combinámos com ele cozinhar no dia seguinte um jantar português para o compensar! :)
Dormimos razoavelmente bem, no sofá do nosso anfitrião que na manhã seguinte nos proporcionou o…
Quinto evento estranho.
Pequeno-almoço japonês. Noodles imersos em gelo, com lascas “tipo casca de cebola” de peixe, gengibre e mini-alho francês, numa sopa de água fria, ligeiramente temperada com molho de soja. Estranho sim, mas bem bom!
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O Kiira foi um anfitrião muito acolhedor sem dúvida, nesse dia no entanto ficou em casa…disse-nos que tinha tirado o dia de férias…achámos que possivelmente desconfiou que os dois tugas pudessem ser larápios…
Seguimos para mais um dia de sightseeing em Osaka, tendo visitado o Umeda Sky Building, um dos edifícios mais altos e aproveitámos para almoçar numa deliciosa vila tradicional japonesa artificial, construída na cave deste edifício, que nos transportou uns bons anos atrás no Japão. Esta vila era toda ela composta de restaurantes para os trabalhadores, mas por sorte conseguimos lugar, onde almoçámos rodeados de executivos uma deliciosa bento box!
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O repasto tuga! Mais um evento estranho, mas este para o Kiira apenas! Naaa, brincadeira!
Dada a grande indisponibilidade de ingredientes necessários para os clássicos que nós tão bem cozinhamos, não pudemos fazer cozido à portuguesa, nem arroz de cabidela, nem bacalhau à Gomes de Sá, nem lampreia à  Bordalesa…nem um simples pastel de nata…enfim, um desperdício do nosso talento culinário.
Ficámo-nos por bifinhos de frango com molho de cogumelos e arroz de tomate. Bem caseirinho o frango, bem malandrinho o arroz.
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Sorte a nossa que o nosso anfitrião apreciava cozinhar pão na sua máquina e tinha o seu jeito!
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O nosso sofá-cama!
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Certo é que o nosso anfitrião lambeu os dedos e chorou por mais.
Não chegámos bem a fazer despedidas pois o nosso anfitrião saiu porta fora, deixando tudo aberto como era seu costume (muita segurança no Japão ou excesso de confiança?) e nós lá partimos na manhã seguinte para um muito aguardado destino, onde iríamos conhecer mais indíviduos bem curiosos!
Por isso não percam o próximo relato porque nós também não!



5 COMMENTS

  1. Lindo bichinho, uma foca. Agora já percebo os meus amigos que vêm cá a casa e dizem ao Simba quando ele lhes salta para o colo : “Foca You !”.

    • LOL! Not true, not true! Quite the contrary we imagine! Apetece é apertar carinhosamente aquela cabeça! :)

  2. Vocês estão a ficar mais gordinhos … Esperem até chegar a Portugal … perdem as calorias todas enquanto o diabo esfrega um olho. Eh Eh EH. A malta aqui já não frequenta ginásios nem faz jogging para manter a linha. Vê as notícias, sua por todo o lado e depois bebe água gelada que é única coisa que há nos frigoríficos (se ainda tiverem “luz” e água). O último corte foi nos pensionistas com 600 euros de pensão de reforma. Segundo consta, os que têm uma pensão de reforma de 599 ou menos, invadiram as marisqueiras com jantaradas de lavagante para celebrar (do Inimigo Público).

    Um abração.

  3. Às vezes ainda não acredito que vocês andam nessa aventura alucinante! :)

    P.S Não sabia desses teus dotes culinários, exceto no arroz eheheh ah claro, e tostas mistas :)

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