07/08/2013, por volta das 19h
07/08/2013, por volta das 19h
06-08-2013
O dia começou com uma breve visita à Mary e ao Robin para tirarmos algumas fotografias do seu terraço. Tinhamos prometido na noite anterior colocar mais fotos do seu espaço no Tripadvisor, mas a bateria da máquina esgotou-se mesmo quando estávamos a acabar de fotografar os quartos da guesthouse.
Melhor assim! Acabaram por nos oferecer o pequeno-almoço, muito embora chamuças vegetarianas (recheio de batata, ervilhas e várias especiarias) não fosse bem o pequeno-almoço continental pelo qual ansiávamos há pelo menos 15 dias…eles olharam-nos com um olhar de estranheza, de quem está a tentar evitar transparecer que sente alguma estranheza, mas ao mesmo tempo tem aquela sensação de que talvez estes dois tugas não tenham sido completamente honestos quando disseram que tinham adorado as chamuças.
Descansa Mary (não és tu, Maria, é mesmo a Mary indiana), as chamuças estavam ótimas, mas ficámo-nos pelo delicioso chai que parecendo que não, não sabemos se pelo leite ou também pelas especiarias, consegue dar-nos uma ótima energia sempre que o tomamos.
Depois de nos despedirmos dos nossos anfitriões, lá nos dirigimos para o hotel onde esperámos pelo condutor que tínhamos contratado no hotel, para nos levar de Udaipur a Jodhpur, com passagem pelo forte que dizem ter a segunda maior muralha do mundo (adivinhem qual é a primeira!) com 38 km de comprimento – o Khumbalgarh Fort – e ainda pelo famoso templo Jain em Ranakhpur.
O nosso condutor, era um rapaz com 25 anos, já casado e com duas filhas. Ouch…Saiu-lhe cara a brincadeira…quando lhe perguntámos se não ia querer tentar ter mais um filho para ver se lhe saía um rapaz, rapidamente nos indicou que não estava nos seus planos…o que se compreende dada a despesa que traz trazer uma mulher a este mundo (ok esta parte foi o Diogo que escreveu com a Sara a bater-lhe), especialmente na Índia! =)
O nosso aparentemente simpático condutor era na verdade um road killer, só com a ajuda de Krishna, Ganesh, Hanuman entre outras divindades indianas é que não acabámos atolados numa fossa, derrapados numa das várias ravinas no caminho, enfiados nos cornos das muitas vacas que teimavam em não se desviar ou simplesmente enfaixados de frente com muitos dos carros, jipes e autocarros com os quais nos cruzámos no caminho.
Foi a nossa primeira viagem por estradas que se podem considerar rurais. Estradas de apenas 1 faixa para 2 sentidos, em péssimo estado de conservação. Vá lá que a paisagem ia distraindo de tempos a tempos.
A condução foi um pouco alucinante desde o início pelo que tivemos que tentar balbuciar algo para tentar acalmar o nosso condutor…e a nós também. Já não nos conseguimos recordar exatamente das nossas palavras (estar a enfrentar a morte certa, prega-nos estas partidas à memória), mas terá sido qualquer coisa no espírito do nosso “devagar se vai a longe”. Óbvio que o homem percebeu a dica e levou algo a peito…tendo indicado “Don’t worry my friend…my driving very safe”. Na verdade de pouco serviram os nossos vários avisos, dadas as inúmeras situações de quase-colisão frontal com carros em sentido oposto. Chegou a um ponto em que a Sara queria mesmo matar o homem – pouco faltou – e portanto só lhe conseguia dar aquele ar (que muitos apelidam como sendo de Terceira Guerra Mundial) para lhe dizer “Can you drive more carefully, Sajid? I feel like I am going to die in this car…” (isto é o que soa à Sara, mas para o Diogo e outros soaria mais a “My friend can you drive slower or I will smack your head with a screwdriver, resulting in a painfully slow death?”. É que esta malta tem uma mania de de ultrapassar nos sítios mais impossíveis em estradas tipo de montanha (curva-contracurva). Já para não falar do facto desta gente, que oficialmente conduz pelo lado esquerdo, passar a vida na faixa da direita quando nem espaço para uma vaca existe (algo que poderá ser uma forma de ainda manifestarem a sua revolta contra a colonização).
Mas o ponto alto da nossa viagem foi sem dúvida o termos pela primeira vez jogado ao jogo da Galinha…não, não nos enganámos. Não é o jogo do Galo com as cruzes e bolas, isso é para meninos, nada disso. Segue uma pequena introdução para quem não está familiarizado com o jogo:
O jogo da galinha, também conhecido pelo jogo falcão-pombinha, faz parte da Teoria dos Jogos. O princípio deste jogo diz-nos que quando nenhum dos jogadores quer desistir, o pior resultado do jogo ocorre.
O nome “galinha” tem a sua origem num jogo em que dois condutores conduzem um contra o outro em rota de colisão: um deles tem que se desviar ou, worst case scenario, podem morrer os dois na colisão. Se algum deles se desviar fica conotado como sendo a “galinha”, ou seja um cobarde.
Por acaso, sorte, acção de Krishna, chamem-lhe o que quiserem apanhámos a pombinha, que no entanto levava sempre o jogo à última. Fazia lembrar os condutores de “buggy” no Brasil que logo à cabeça perguntam “Com emóção ô seim emóção?!”. Excepto que neste caso não nos foi dada esta escolha.
Chegámos por volta das 11h ao local do forte. Dado que era um feriado religioso, havia imensos, mas imensos indianos a visitarem o forte. Geralmente ver-se-iam mais estrangeiros do que locais mas neste dia não foi o caso. Tivemos uma árdua subida de cerca de meia hora até ao forte pois o trânsito estava bloqueado a partir de certo ponto, dado o grande afluxo.
O forte é um local de relevo pois marca a antiga separação entre Marwar (zona do reino de Jodhpur) e Mewar (reino de Udaipur), tendo sido várias vezes usado como refúgio para a realeza de Udaipur. Situa-se no topo de uma colina com uma visibilidade incrível para tudo o que se situava em redor, facto não pouco importante para a sua quase invencibilidade em cerca de 500 anos (foi tomado uma única vez devido à escassez de água durante um ataque combinado de vários reis). O forte é também importante para os locais pois foi o local de nascimento de Pratap Singh, filho de Udai Singh, o fundador de Udaipur. O filho desempenhou um papel crucial na defesa do reino de Udaipur de ataques de outros reinos.
Enquanto nos maravilhávamos com a vista e com o forte reparámos que os visitantes locais estavam igualmente maravilhados…mas com a Sara. Para muitos terá mesmo sido o highlight da visita ao forte. Para nós tornou-se algo desconfortável ao fim de pouco tempo e levou a que procurássemos locais de refúgio dentro do forte! Aprendemos que uma mulher branca de calção curto, por mais calor que faça, nunca é uma boa opção.

Depois da visita ao forte, seguimos de novo para a viatura e para o nosso condutor…para visitarmos o famoso templo Jain de Ranakphur. Este templo foi todo construído em mármore e tem a particularidade de ter 1444 colunas esculpidas todas diferentes umas das outras. O templo tem 4 frentes, simbolizando a conquista do cosmos, o atingimento do estado de Tirthankara. Um Tirthankara é um ser humano que atingiu um estado de iluminação que lhe permite ajudar outros no seu caminho espiritual e libertarem-se do ciclo de nascimento e morte (samsara). Para entrar tivemos que nos descalçar e usar calça comprida apesar do calor!!!
Mesmo já com calças, os visitantes masculinos do templo voltaram a manifestar muito interesse nos turistas, mais do que no templo e na sua história propriamente dita, pelo que a nossa visita foi curta =) Seguimos para almoço pouco depois.
Almoço foi delicioso, apesar de termos parado naquilo que pode ser considerado um sítio caro para os padrões indianos. Dum Aloo Curry (tomate, queijo, batata, frutos secos) acompanhado com chapati – delicioso! Um prato com bebida e pão por 450 rupias para os dois, cerca de 5, 50 euros; não fosse o prato estar delicioso e teríamos tido saudades dos almoços económicos do Maia Vip com os coquinhos a acompanhar o café!).
Depois de almoço seguimos directos para Jodhpur, para uma viagem que ainda demoraria cerca de 5 horas. O caminho foi tendo os seus altos e baixos mas apanhámos uma boa parte de estradas um pouco melhores (quase auto-estrada) pelo que o nível de ansiedade baixou e ainda conseguimos passar pelas brasas.
Claro que durante este percurso o nosso condutor tentou persuadir-nos a “just look, not buy” algumas preciosidades como têxteis, joalharia, etc, ou seja, a lenga-lenga do costume. Recusámos gentilmente, dizendo que tínhamos pouco espaço nas mochilas, ou seja, não mentimos =)
Dado que falhou esta tentativa, tentou arranjar-nos um quarto em Jodhpur. Lá aceitámos ver o quarto (no fundo evitámos a gorjeta, pois assim ele recebia comissão do tipo do hotel) que acabou por ser agradável e bem melhor do que aquele que tinhamos marcado na primeira noite que diga-se acabou por ser um pardieiro. Mas isso já são aventuras que poderão ler no próximo post.
Por isso não percam o próximo episódio porque nós também não!
The game of chicken, also known as the hawk-dove game or snow-drift game, is an influential model of conflict for two players in game theory. The principle of the game is that while each player prefers not to yield to the other, the worst possible outcome occurs when both players do not yield.
The name “chicken” has its origins in a game in which two drivers drive towards each other on a collision course: one must swerve, or both may die in the crash, but if one driver swerves and the other does not, the one who swerved will be called a “chicken,” meaning a coward; this terminology is most prevalent in political scienceand economics. The name “Hawk-Dove” refers to a situation in which there is a competition for a shared resource and the contestants can choose either conciliation or conflict; this terminology is most commonly used in biology and evolutionary game theory. From a game-theoretic point of view, “chicken” and “hawk-dove” are identical; the different names stem from parallel development of the basic principles in different research areas.[1] The game has also been used to describe themutual assured destruction of nuclear warfare, especially the sort of brinkmanship involved in the Cuban Missile Crisis.
04/08/2013
Sleeper AC bus. Ouch!


A julgar pela quantidade de vezes que nos perguntam se somos de Espanha, ou têm má memória…ou não deixámos uma boa impressão…
AVISO IMPORTANTE: segue enchurrada de informações/curiosidades. Para os que sofrem de aborrecimento precoce procurem as palavras: “Era a pagantes!!!” para saltar à frente. =)
No City Palace concentram-se o museu real e a residência oficial dos antigos reis de Udaipur. O palácio foi mandado construir pelo marajá Udai Singh, o qual deu o nome à cidade Udaipur.




No final da deliciosa refeição, tivemos uma agradável conversa com o maravilhoso casal e ficámos a saber que o Robin tinha sido, em tempos, Lead Man (produtor responsável pelas decorações e sets) em alguns filmes de Hollywood e Bollywood tendo, entre outros, produzido o The Darjeeling Limited e o Ice Storm, este último com muitos ilustres, dos quais mostramos dois:

E fica aqui a recordação da magnífica noite com o simpático e acolhedor casal:
Next stop: Jodhpur! Com paragem no Forte de Khumbalgarh e no templo Jain em Ranakphur. Viagem de aproximadamente 7 horas de táxi. Com grande negociação da nossa parte, acabou por ficar mais barato. Mas não foi desprovida da sua dose de aventura. Por isso não percam o próximo episódio, porque nós também não!
Este post não relata nenhuma experiência indiana de travessia de linhas de comboio guardadas por comunidades de ratos, nem tão pouco pernoitas no deserto, na companhia de escaravelhos-bosta-rolantes e aranhas peludas e de tamanho considerável. Este post deixará de fora as baratas que brotam de rolos de papel higiénico por encetar e, supostamente selados, e ainda as razões que justificam o nascimento do yôga na Índia. Estes dois últimos assuntos serão o sumo de laranja natural, logo pela manhã ou o pastel de nata, a acompanhar o café no final da refeição (your pick) dos próximos posts! =)
Este post, por sua vez, é o nosso lugar na mesa de aniversário da Alves que hoje vira trintona!! =)
Raina, Raina on the wall who’s the fairest of them all?
You are my precious, you are! =)
Passados 30 anos cá estás tu Comadre Marcela, magnífica como uma verdadeira Alves e pronta a experienciar os melhores anos da tua maravilhosa existência! =)
A Inês é a baby mais doce do mundo mundial e é a tua baby! Não é delicioso, Isabel? =)
A acrescentar, temos a dizer que apesar de termos decidido vagabundar durante um ano, exigimos updates frequentes sobre todos os baby steps da Alves mais caçula, ok? Prometes que envias fotos, vídeos e relatos semanais? Prometes? Vá pelo menos quinzenais!! =)
Para além disso, andamos a salivar por aquelas deliciosas panquecas. Fazes e shipas para este lado do mundo? =)
Bem, já que não estou por aí para te dar aquela palmada de parabéns, achei bonito reunir mais alguns dos momentos captados e preservados na memória deste telemóvel. Pena não ter mais! =(

Dá notícias, Beviana!! =)
Beijo dos dois para todos, em especial para as minhas meninas.
Sara e Diogo
01/08/2013
Que noite bem dormida na cabine AC2!! It felt like a 5-star hotel!!! =)
Chegámos a Jaisalmer perto das 12h45m (atraso de cerca de 1h30m de comboio, mas pelo que ouvimos dizer é algo recorrente). A 40km da fronteira com o Paquistão sente-se o calor e a vigília cerrada. Saímos do comboio para apanhar um rickshaw para o hotel e qual não é o nosso espanto quando em vez de uma confusão de indianos a impingirem-nos os seus serviços, nos deparamos com uma fila ordenada de simpáticos condutores com folhas nas mãos a identificar as pessoas que vinham buscar. Olhámos bem e … lá estava um simpático rapaz com uma folha A4 a dizer “Tokyo Palace Hotel – Diogo Sousa”! =) We’ve got style! =) E desta vez vamos de jipe!! =)

Feito o check-in, o dono do hotel colocou-nos moderada pressão indiana para lhe comprarmos o Camel Safari do hotel. Para terem uma ideia disse-nos que podíamos pensar até às 15h, o que nos dava cerca de 7 minutos para dar uma resposta. Um gentleman, portanto. Aproveitámos os escassos minutos para pousar as mochilas no quarto, que diga-se de passagem, nos encantou. Com 4 minutos para o deadline, lá fizemos as delícias de mais um indiano, aceitando o camel safari sem regatear (BIG MISTAKE). Recém-espremidos de 3300 rupias (cerca de 40 euros) e famintos, dirigimo-nos ao restaurante do hotel, no Rajastão, tipicamente situado no terraço. Que TOSTA!!! Mais de 40 graus! Amigos, chegámos ao deserto!!! Pelo menos, tivemos o primeiro vislumbre do sol na Índia! =)
Sugestão da casa: e que tal continuarem o resto do artigo ao som do Desert Rose by Sting? =)
Desde logo deparámo-nos com a magnífica vista do forte de Jaisalmer, único no Rajastão por ainda ser habitado por milhares de pessoas, entre as quais comerciantes (como não podia deixar de ser) e locais.
Como queríamos desenjoar um pouco da comida indiana, decidimos pedir um Chow Mein de galinha. Este super complexo prato levou aos dois cozinheiros de um restaurante sem mais nenhum cliente cerca de 50 breves minutos a confeccionar e ser servido. Resultado: acabámos por comer chapatis essencialmente. Que saudades dos nossos “Fu Sheng”, “Estrela Asiática” e afins do nosso Porto.
Isto é giro, Jaisalmer destoa da realidade que temos visto até aqui. Uma cidade bem mais pequena (mas com um número proporcional das sagradas vacas) e sem o buzinar constante e frenético das grandes cidades. A paisagem é toda ela em tons de dourados, da cor da areia, as construções todas em arenito.

Subimos ao forte já perto da hora do jantar (10 extenuantes minutos a pé), com direito a paragem pelo meio para jogar cricket com um grupo de miúdos na rua. Uns dedos de conversa com os locais que, para não destoar, continuam a assumir que somos espanhóis, e acabámos por jantar num restaurante tibetano (terraço de novo) com uma magnífica vista do topo do forte sobre a cidade. Desta vez refeição deliciosa, com dumplings de galinha e vegetais e curry chicken com os tradicionais roti. O pequeno terraço estava ocupado apenas por turistas, 2 franceses, 2 italianos e 2 portugueses. Quando percebemos que os italianos eram de Pádua e o rapaz tinha uns Many calçados (como muitos outros turistas pelos quais passámos de tarde), criaram-se as condições para amigável conversa, na qual o Berlusconi foi “beliscado” não poucas vezes pelo italiano. Italiano esse que defendia que os tempos da Máfia eram melhores que os de hoje…por palavras dele, os italianos não têm más políticas…pura e simplesmente não têm políticas de todo!
Acabámos por trocar dicas de viagem com as experiências de cada um, com o francês a garantir-nos que a Nova Zelândia é um dos sítios do mundo a não perder. We plan not to!
02/08/2013
8 horas para entrarmos no deserto.
Subimos de novo ao forte para comprar roupa mais apropriada para o deserto, pois foi-nos aconselhado levar calças estilo Ali Babá. Quando fizemos a mala, optámos por trazer mais Xanax e menos calças para camelo. =)
Entrámos na loja de um moço, aka António Banderas (auto-intitulado), que nos pareceu um comerciante com modos mais ocidentais.
O simpático Chagal Mali (o tal Antonio Banderas) pertence à casta Mali. É uma casta “média” (no ranking do sistema de castas) bastante respeitada por se dedicar à agricultura (frutas, flores e legumes, essencialmente).
Seguiu-se a feira mostra de paletes de calças, de diferentes tecidos, diferentes cores, mas definitivamente todas overrated! Na verdade passámos uma excelente horinha com o AB, muito “académica” e tivemos mais uma oportunidade de treinar as nossas técnicas de negociação. Ainda não estão no ponto mas estão a melhorar significativamente.
Uma boa negociação na Índia tem que deixar o vendedor mais ou menos chateado (se ele ficasse mesmo muito chateado não venderia e esse é o segredo da boa negociação). Para já, como temos vindo a falar e conhecê-los um pouco melhor fica mais difícil depois ir baixando o preço. No entanto é fundamental lembrarmo-nos constantemente de que na verdade o que estamos a fazer é reduzir-lhes a margem de valores obscenos para valores absurdos.
Anyways, o nosso Banderas lá nos ofereceu o tradicional Masala Chai e fomos perguntando tudo o que nos vinha`à cabeça.
Notas do dia:
– Forte Jaisalmer mandado construir pelo Marajá Jaisal Singh, daí a cidade chamar-se Jaisalmer;
– Dentro do forte e à volta de Jaisalmer os Jain construíram uma série de templos; os Jain eram a casta mais alta e foram acolhidos pelo Marajá dentro do forte, em troca de financiamento para construir o forte; Foi do símbolo desta corrente religiosa que os Nazis adoptaram a cruz suástica;
– Aquando do tempo do Marajá, as castas mais baixas que não podiam fazer negócio às claras, construíram passagens subterrâneas que chegavam aos 10km para que, do outro lado do túnel, pudessem fazer negócio nas barbas do Marajá!
O Banderas pelo meio ainda nos explicou a origem dos diferentes tecidos e as diferenças entre cachemira, pashmina e shahtoosh, sendo esta última uma prática algo atroz, com a qual nem todos indianos concordam…e nós idem! A sua produção tem de ser autorizada pelo Governo, porque se faz com o sangue e entranhas de uma ovelha que acaba de nascer. O produto tem um cheiro muito forte e o preço mínimo anda à volta dos 650€. É um produto de nicho, procurado por pessoas muito excêntricas.
No final saímos com 2 belíssimos pares de calças que atempadamente verão neste post. Ainda pedimos uma recomendação para almoço ao Banderas que nos levou ao restaurante recém-aberto do seu amigo Kahn, onde nos deliciámos com um chowmein vegetariano para dois, ao preço da chuva…1,20€! Muito simpático e ainda tirámos umas fotos com ele e do seu espaço, tendo prometido que iríamos ajudá-lo a colocar o seu restaurante “The Little Prince” no Tripadvisor!

De regresso ao hotel para descansar. 2 horas para a partida.
Só para terem uma noção, pagámos 3300 rupias e o programa era o seguinte: saíamos às 16h e demoravamos cerca de 2 horas a chegar ao deserto. Acampavamos por lá e regressavamos às 11h30.
Cerca de 1h de jipe para chegarmos a um templo Jain e passarmos por uma pequena aldeia de locais e outra hora para irmos de camelo até ao local de pernoita.
A volta começou com uma paragem num suposto templo Jain, que na verdade era um pequeno muro quadrado a guardar um pequeno altar no centro. Logo na primeira paragem portanto já estavam a tentar cobrar-nos 100 rupias para entrar, mas gentilmente recusámos. Nós e o japonês que viajava connosco sozinho, proveniente de Hokkaido, de poucas palavras pois não sabia muito inglês e que uma boa parte do tempo ficava a contemplar o deserto a fumar cigarros de mentol. Ainda parámos numa pequena aldeia, muito pequena mesmo com 10 pessoas que basicamente era uma única família, mãe, pai, 4 filhos e 4 filhas. A única parte interessante é mais perceber como é que estas pessoas vivem nestas condições especialmente quando olhamos para o poço de água da aldeia onde a água tem tudo menos bom aspecto.
01/08/2013
What a well slept night in our AC2 berths!! It felt like a 5-star hotel!!! =)
We arrived at Jaisalmer close to 12.45 pm (late about 1h30m, but from what we heard it’s normal when coming to this city). Only 40 km away from the border with Pakistan, you can feel the desert heat and some tension in the air with all the troops and military bases nearby. We got off the train to get a rickshaw to get to our hotel, but to our surprise, upon setting foot outside the station, instead of a horde of indians, chaotically trying to fetch a tourist, we face a well organized line of nice looking drivers all holding posters with the name of the hotel they represented and with a sheet of paper with the names of the people they were picking up. We looked closely and…there was this nice boy with an A4 sheet of paper saying “Tokyo Palace Hotel – Diogo Sousa”! =) We’ve got style! =) And we got a jeep this time!! =)

With check-in complete, the hotel owner applied moderate indian style pressure for us to sign up for the hotel’s Camel Safari. So our readers understand he told us we had until 3pm to think about it, which gave us exactly 7 minutes to provide an answer. A true gentleman. We took the scarce minutes to put our backpacks in the room, which by the way, delighted us. With 4 minutes to the deadline, we pleased yet another indian, by accepting the safari without haggling (BIG MISTAKE). Just squeezed out of 3300 rupees (around 40 euros) and starving we headed for the hotel’s restaurant (in the whole of Rajhastan they are typically located on the roof). Blazing hot! Over 40 degrees! Dear friends and readers, we have reached the desert! At least we were getting our first glimpse of the sun in India! =)
Site suggestion: how about reading the remainder of this post to the sound of Sting’s Desert Rose? =)
We were immediately presented with the sight of Jaisalmer’s magnificent fort, unique in Rajhastan since it is the only one still inhabited and this one with thousands of people inside, many of them salespeople of course.
Since we wanted to take a break from indian food, we decided to order a chicken Chow Mein. This complex dish took the two chefs at an empty restaurant a good and short 50 minutes to cook and serve…As a result, we mostly ate chapatis. How we miss our Porto’s “Fu Sheng”, “Asian Star” and alikes.
This is a cute place, Jaisalmer is unlike anything we have seen so far. It’s more like a small town (but with the same cow-to-human ratio) and without the constant honking and chaos of the bigger cities. The landscape is entirely made of golden tones, sand colour and sandstone buildings.

We climbed to the fort close to dinner time (10 strenuous minutes walking), with a small cricket match in between to which we were invited to by some street kids. Some small talk with the locals, who still keep presuming we are spanish and we ended up having dinner at this tibetan restaurant (rooftop also) with a magnificent view from the fort to the city. This time we had a delicious meal, chicken and veg dumplings and chicken curry with the regular rotis. The small rooftop had 3 tables with tourists only, 2 french, 2 italians and 2 portuguese. As soon as we realized the italians were from Padova and the guy had a pair of “Many” shoes on (as lots of other tourists we saw when climbing to the fort) the conditions were set for a pleasant conversation, in which the word Berlusconi was heard a few times (and not in his favour). The italian guy was saying the mafia times were better than present time, in his own words “Italians don’t have bad policies…we simply have no policies at all!”.
We ended up exchanging trip tips with each person talking about his/her experience, and with one of the french guaranteeing us that New Zealand was one of the places not to miss in this world! We plan not to!
02/08/2013
8 hours before we enter the desert.
We climbed the fort to buy some appropriate desert clothing, since we were advised to take some Ali Baba style pants. When we packed we chose to stock up more on the Xanax and less on camel-riding wear! =)
We entered the store of this young man, aka António Banderas (self-entitled) who stroke us as a more western-style salesman.
The rather nice Chagal Mali (the so-called Antonio Banderas) is part of the Mali caste. This is an “average” caste in the caste ranking system, known for its devotion to agriculture (fruits, flowers and vegetables mostly).
We were shown hundreds of pants in different textiles, different colours, all overrated! We ended up spending a pleasant hour with AB, rather academic, and we had another chance to train our negotiation skills. They are not quite there yet, but definitely improving.
A good negotiation in India has to make the salesman more or less mad at you (if he/she was really pissed, there would be no sale, so you know you’d had a good negotiation). For the moment, since we are talking and learning so much from them, we feel bad lowering and lowering the price afterwards. However, it is crucial we keep reminding ourselves that what we are actually doing is reducing their profit margin from obscene amounts to very high amounts.
Regardless, our Banders offered us the traditional Masala Chai and we kept asking him loads of questions that were popping up.
Notes of the day::
– Jaisalmer Fort was built by Maharaja Jaisal Singh, hence the name Jaisalmer;
– Inside the fort and around Jaisalmer the Jain have built a series of temples; Jains were one of the higher castes and were received by the Maharaja inside the fort, in exchange for money to help build it; interesting to know that the symbol representing this caste is the same symbol used by the Nazis – the swastika;
– During the Maharaja’s time, lower castes could not trade, so they build underground tunnels to transport goods and trade without being seen!
Banderas also explained the origin of the different tissues cashmere, pashmina and shahtoosh, this last one a result of a rather horrendous ritual, with which not all indians agree with…we feel the same! It’s production has to be approved by the Government, since it requires the blood and insides of a baby from type of goat that lives in the mountains. The product bears a strong smell and prices start from 650 euros. It’s a niche product, searched by well, different people usually.
At the end we bought two pairs of pants which you will soon see in this post. We asked for a lunch recommendation from Banderas and we took us to the recently openend restaurant of a friend of his, Kahn, where we had our first delicious vegetarian chow mein for two for the price of 1,20€! Kahn was very nice and we took some pictures with him and the restaurant, while promising to help him promote “The Little Prince” on Tripadvisor!

Back to the hotel to get some rest, 2 hours before our departure to the desert.
Just to give you an idea, we paid 3300 rupees and the program was as follows: departure at 16h and we would take about 2 hours to reach the desert. We would camp there for the night and come back around 11.30 am.
About 1 hour jeep ride to get to a Jain temple and stop by a local desert people village and another hour to get to our resting place riding a camel..
The tour started with a first stop at an allegedly Jain temple, which was in fact a small square wall guarding an even smaller altar at the center…at our first stop they were trying to get us to pay 100 rupees each to get in, which we delicately declined. Same for the japanese travelling with us, from Hokkaido, who didn’t speak a lot of English and most of the time smoked his mentol cigarettes contemplating the desert. We stopped in a small village, really small, with 10 people only, a single family of mother, father, 4 sons and 4 daughters. The interesting part was trying to understand how these people lived here specially when looking inside the water well that didn’t look very good…
30/07/2013
O nosso objectivo inicial era ir de Deli para Jaisalmer (uma zona de deserto que faz fronteira com Paquistão), mas não conseguimos um bilhete de comboio directo, daí termos feito “escala” em Jaipur.
Comprámos os bilhetes na New Delhi Station, no International Tourism Bureau que se localizava no primeiro andar da estação. É importante manter-se focado quando se passa na estação, porque é muito fácil e frequente ser-se abordado pelos inúmeros indianos que lá vivem e que querem ganhar a sua comissão em cada bilhete vendido, impingir uma viagem de tuc-tuc pela cidade, vender fotos com as suas crianças ou outros “serviços criativos”.
Eles são, na maior parte das vezes, muito simpáticos e divertidos e entendemos que para sobreviverem no caos e pobreza de Deli e de outras cidades indianas, têm de insistir e insistir…e é certo que o turista “não focado” será sempre o “alvo” predileto!! :)
No comboio para Jaipur realçamos a qualidade das cabines AC2, com beliches para 4 pessoas por cabine, que não sendo estilo europeu, não são um grande contraste para o turista ocidental, por isso paga-se um pouco mais, mas recomendamos vivamente a viagem de comboio nestas cabines em viagens prolongadas pois permite descansar um pouco e o tempo parece que voa. As AC3 também não nos parecem mal, são um pouco mais apertadas que as AC2 (beliches para 6 pessoas no mesmo espaço de uma Ac2) mas por outro lado um pouco mais baratas. No nosso caso até aqui temos optado sempre por AC2. Podem consultar o livro do Gonçalo Cadilhe “O Mundo é Fácil” onde ele detalha as melhores opções para turistas a viajarem na Índia.
Durante a nossa viagem tivemos o prazer de compartilhar a cabine com 3 indianos (na verdade era um homem e 2 mulheres, ficámos na dúvida se estaríamos na presença de poligamia ou não) todos super simpáticos e ficaram muito interessados na nossa viagem e muito, muito surpreendidos com o tamanho da nossa bagagem face à duração da mesma. Isto porque cada uma delas para saírem um fim de semana levam 3 malas cheias saaris, chapatis e açafrão. =)
Aquando da chegada a Jaipur (hora de jantar), as senhoras sacaram de uma deliciosa homemade meal que tiveram a gentileza de nos dar a provar. Yum!! Muito bom mesmo!
Chegamos a Jaipur às 20h30 do dia 30. Mal pusemos o pé fora da carruagem, já tínhamos um simpático jovem a oferecer os seus serviços de transporte. A princípio não lhe demos bola, o que levou o rapaz a tentar sacar-nos qualquer tipo de resposta fazendo perguntas atrás de perguntas. Conseguimos manter-nos indiferentes até ao momento em que ele arriscou tudo e atingiu o limite da nossa paciência ao perguntar se éramos espanhóis!!!! Como?
Respondemos com as palavras do sábio Castro ” por supuesto que si!!” e perguntámos “quanto es el tombo de aqui a Surya Villa Hotel?” =)
Pediu-nos 100 rupias ( menos de 2€) mas depois de percebermos que não sabia o caminho para o hotel (foi posto à prova pela Inquisição Diogo Sousa e falhou redondamente), então dirigimo-nos ao posto oficial dos tuc-tucs ( à saída da estação) e conhecemos aquele que seria o nosso main guide em Jaipur – Mr. Raul Rahis! Pagamos-lhe 85 rupias.
Chegados ao Surya Villa, depois de uma animada conversa com o Raul durante a viagem, não tivemos forças para voltar a sair.
Ficámos até às 4h da manhã a (re)analisar o trajecto a fazer na Índia. Isto porque já está na hora de nos comprometermos com os próximos 3 voos ( Calcutá – Jakarta; Bali – Singapura e Kuala Lumpur – Tokyo) e para isso precisamos de saber quais as cidades a visitar até lá e quantos dias vamos passar em cada uma delas.
Até agora dos sítios onde passámos, nos quais se incluem a capital da Índia, ainda não encontrámos um sítio sem ruas Pardieiro, aliás, difícil é encontrar ruas que não tenham pelo menos algumas vacas e porcos a explorar os amontoados de lixo:
Mas como já tão bem retratada em livros, documentários e testemunhos de visitantes e locais, a Índia é um país que marca pela beleza dos seus contrastes e nós também estamos a comprovar isso:

A cidade de Jaipur vive essencialmente de turismo e de manufactura de tecidos, joalharia, carpetaria. O nosso guia levou-nos, de forma comissionada mas não levámos a mal, às fábricas/lojas na Mughal Town, onde se fazem e vendem estes artigos manufacturados.
Tivemos oportunidade de visitar e ver como se fabricam os tapetes únicos de pêlo de camelo, de seda e de lã de ovelha. Os senhores da fábrica fizeram-nos uma visita guiada a todo o processo na expectativa de nos venderem um dos, diga-se, líndíssimos rectângulos peludos (com preços a partir de 500 euros…portes não incluídos), mas sem sucesso…”tight daily budget my friend”, alegámos nós, enquanto bebericávamos um delicioso chai. =)
Ficam aqui amostras e aceitam-se encomendas para quem quiser. Pedimos que façam o mesmo que fizemos com o Raul, ou seja, conscientes de que temos comissão na venda, não levem a mal….”tight daily budget, my friends”. Just kidding! =)


Como só passámos um dia em Jaipur e ainda por cima debaixo de monção, não tivemos oportunidade de visitar os fortes mais distantes, mas ainda assim a experiência que ficou das 24 horas que tivemos para visitar foi positiva e com mais tempo, quem sabe, poderemos vir a regressar à Pink City.
Tivemos um jantar delicioso com o nosso guia, que nos deu muita conversa e nos começou a deixar algo impacientes quanto à hora de partida para apanharmos o comboio…”it’s really close my friend. Station only 3 minutes away”. Finalmente chegámos à estação onde tivemos um simpático misunderstanding quanto à remuneração do Raul pelos seus serviços, mas lá nos ficámos pelo que tinhamos acordado inicialmente. Duas fotos da praxe e bye bye Raul, see you next time.
A cerca de 20 minutos de terminar o dia, tivemos a última aventura. O “very close” passou a very far quando, na entrada da estação, o quadro das partidas mostrava todos os comboios…menos o nosso que era às 23h45, ou seja tinhamos aproximadamente 8 minutos para o apanhar e não sabíamos onde. Imaginem-se na estação de campanhã nesta situação. Chato, mas ok, faz-se, no limite dormem lá sem grandes medos.
Agora imaginem-se numa estação de comboio indiana, caótica, cheia de gente (ou seja, uma estação de comboio indiana), com controlo de bagagem incluído logo à entrada, sem ideia da plataforma para onde nos dirigirmos. No espaço de 2 minutos encontrámos um senhor que lá nos indicou a plataforma 4. Começámos a correr de mochilas às costas (escusado será dizer que estas condições implicaram suadeira em bica; sempre bom quando vamos para uma viagem de comboio de 10 horas), subimos as escadas para atravessar a ponte pedonal que ligava à tal plataforma, apenas para descobrir que a descida para a plataforma 4 estava bloqueada para obras. Ora portanto, recapitulando: já só com 5 minutos conseguíamos ver o comboio, só não sabíamos lá chegar. Tentámos descer para a plaforma 5-6 e ver se teria acesso, mas nada. 4 minutos. Subimos de novo a ponte pedonal e descemos pela entrada para a plataforma 3. Diogo salta para linha de comboio e Sara nada. 3 minutos. Diogo, delicadamente, berra: “SARA SALTA PARA A LINHA”! Sara a medo, começa a descer. Saltámos a divisória que separava a linha 3 da 4 e, contrariamente aos ratos que lá se encontravam, subimos da linha 4 para a zona de embarque da linha 4. Ufff…agora só temos quase 1 kilómetro de comboio para correr (sim, porque eles aqui são pequenos…) em 2 minutos. Doable! Lado a lado fomos perfurando a multidão, empurrando e derrubando passageiros e vendedores sem distinção. Já tínhamos percorrido uns 300 metros quando se ouve um estrondo seguido de gritos de alguns dos locais presentes. A mochila com máquina fotográfica, PC, passaportes, carteiras, telefones e afins (sim porque inteligentemente levávamos tudo na mesma) abre-se e máquina fotográfica e cabos de pc no chão. A 1 minuto do comboio arrancar estávamos separados com a Sara à porta de uma carruagem que não era a nossa mas ia ter que servir e o Diogo a correr em direcção à mesma carruagem depois de recolher os itens perdidos e a correr com a única mão livre nas costas da mochila que nem tinha tido tempo para fechar. Entrámos, conseguimos. Carruagem errada e sem passagem pelo interior para a nossa. Acabámos por travar conversa com alguns dos passageiros e staff do comboio e depois de uma hora de espera, na primeira paragem do comboio lá corremos para o sítio certo.
1h da manhã e finalmente deitados na cama do AC2. Boa noite e até amanhã se Deus quiser.