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Jodhpur – a Blue City com Bollywood à mistura

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07/08/2013, por volta das 19h

Finalmente chegamos a Jodhpur!
What a bumpy ride!!


Jodhpur é a segunda maior cidade do Rajastão (logo a seguir a Jaipur), com cerca de 1.2 milhões de habitantes. É apelidada de “blue city”, uma vez que maior parte das casas que rodeiam o forte da cidade – forte Mehrangarh – têm as suas fachadas pintadas de azul. Pensa-se que esta “corrente” terá começado quando os Brahmins ( o Clero, a classe mais alta do sistema de castas indiano) começaram a pintar as suas casas de azul para assinalar o seu estatuto elevado e para o rei conseguir identificar as suas casas a partir do forte. Ora a ser verdade, a moda espalhou-se ao longo dos tempos, dando origem ao que vemos abaixo.
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Para além disso, o indigo (na planta usada para dar esta cor) é conhecido por ajudar a afastar os mosquitos.

Não é também incomum ouvir falar de Jodhpur como a “sun city”, dado situar-se perto do deserto do Thar e, por isso mesmo, acolher temperaturas bem puxadinhas! =)
A circundar o forte está a “cidade velha”, a qual está ligada por uma muralha com vários portões, e logo depois encontrámos a tipicamente caótica “cidade nova”.
Planeámos ficar 2 noites (ambas no interior da cidade velha) e depois partir para Amritsar, outra cidade bem próxima do Paquistão, mas bem mais a Norte que Jaisalmer.
O simpático e absolutamente indiano na estrada, Sajid, que já tinha tentado ganhar a sua comissão nos tecidos, nas jóias, nos tapetes e até nas especiarias, convenceu-nos a visitar o hotel do amigo para vermos o quarto onde poderíamos, eventualmente, passar a segunda noite.
“You see the room and if you like it, you stay there. If you don’t like it, no problem”, dizia ele.
O hotel do amigo, muito próximo do forte emblemático da cidade, tinha uns quartos bem engraçados e baratos. Como conseguimos espremer ainda mais o preço (entenda-se negociar) e como não queríamos que o Sajid voltasse para Udaipur sem comissão, marcámos lá a segunda noite.
O Sajid ganhou umas rupias extra e nós ficamos contentes por ajudar o moço que tem que começar a pensar no casamento das duas filhas com menos de dois anos!!  O_o
Seguimos para o hotel no qual marcámos a primeira noite. Primeira impressão: pardieiro!
A foto não transparece a realidade...
A foto não transparece a realidade…
Pêlos na cama, mosquitos no wc, má decisão em optar apenas por fan, dado o calor abrasador que se sente às 20h, tomadas indianas e uma italiana no R/C a queixar-se dos ratos que por lá se passeavam. Ahh India, incredible India! =)
Bem, janta no terraço com franceses simpáticos e israelitas desconfiados. Mosquitada presente, roti na mesa. Toca a comer!
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Saímos para comprar um adaptador.
Depois de uma negociação pouco amistosa entre o dono da loja e o Diogo,   dado que o preço original era de 350 rupias ( pouco mais de 4€) e o Diogo propunha alugar o dito adaptador por 50 rupias (pouco mais de 0.50€) e devolvê-lo no dia seguinte, lá pagámos 2€ por aquilo que viabilizaria a nossa conexão ao mundo ocidental.
No dia seguinte, de manhã, dirigimo-nos à estação de comboios para comprarmos o bilhete para Amritsar. Viajar em AC2 nestes comboios é muito confortável e é uma excelente opção no caso de viagens longas, pois permitem-nos poupar a noite num hotel. Este raciocínio deve ser comum entre muitos turistas e por isso mesmo os lugares esgotam muito facilmente. Temos por hábito consultar online os trajectos de comboio disponíveis, custos e disponibilidade no site cleartrip.com e ultimamente praticamente todos os comboios para todos os trajectos que pretendemos fazer estão completamente lotados. A informação que consta no site é “x lugares em lista de espera até 18, 20, 30, …de Agosto”!!!  Ora portanto…temos duas opções…passar na estação, no international bureau e ver o que podem fazer por nós ou pedir no hotel se conseguem encontrar algum bilhete ( isto porque existem quotas de emergência, que não são mais que os últimos lugares por preencher vendidos a um preço significativamente mais caro).
Tendo isto em conta, fomos à estação. Oops, no tickets available para Amritsar por agora, só no final de Agosto. Já que ali estávamos, perguntámos se existiam lugares vagos no dia seguinte para Agra ( destino que se seguia a Amritsar), uns segundos de espera e…Taj Mahal, here we come! Saímos amanhã às 23h45 para Agra ( viagem de 11h).
Sem saber ao certo como vamos encaixar Amritsar no nosso roteiro, porque temos previsto sair da Índia para   o Nepal no dia 16, lá seguimos para o hotel do amigo do Sajid para check-in e almoço no terraço com vista para o forte.
Está um calor abrasador e temos uma vacaria colada ao hotel. Resultado: resorts de moscas por tudo quanto é canto. No problemo, estendemos a roupinha, acabadinha de lavar no wc do quarto, mesmo por cima das vaquinhas e deliciámo-nos com a comida do hotel! Bem, o pudim de arroz (= sopa de grãos de arroz crus e…cenas) e o crepe de chocolate (= massa doce banhada em óleo com algum recheio de chocolate) ficaram um pouco aquém, mas valeu o esforço do cozinheiro que era extraordinariamente simpático!
Visita ao forte. Mal chegámos à entrada deparámo-nos com as típicas duas filas. Bilhetes para indianos e bilhetes para estrangeiros. O preço dos primeiros a 1/12 do dos segundos. Diogo franze o sobrolho face à discriminação, mas que remédio…lá seguimos para a fila dos pagantes.
Pagámos cerca de 7€ pelos dois bilhetes com direito a audio guide ( se fossemos cá da terra, pagaríamos 0.50€, not bad!!) e geralmente pedem um BI ou passaporte como garantia de que devolveríamos o aparelho, como não tinhamos nada connosco teve que ficar um telefone. Duvidamos que alguém quisesse levar um daqueles aparelhos para casa, especialmente tendo em conta que dos dois que recebemos logo um estava defeituoso e teve que ser trocado. Mas ok aceita-se.
Começámos a visita com uma paragem numa simpática boulangerie que havia dentro do forte para que a Sara matasse saudades do belo croissant amanteigado. Depois de 10 dias de comida indiana, esta massa folhada foi o momento alto do dia!
Finalmente começámos.
O forte Mehrangarh é um dos maiores fortes da Índia. Está situado a cerca de 122 metros acima da cidade, com pátios enormes no seu interior e edifícios com paredes todas esculpidas à mão com ornamentações incrivelmente detalhadas.  Dentro do forte pudemos ainda visitar o museu com vários exemplares de palanquins luxuosos e howdah (as carruagens usadas para transporte sobre os elefantes). Pelo meio ainda nos cruzámos com uma espécie de guarda do museu que ofereceu o seu cachimbo de ópio para a Sara fumar. Poucos minutos depois, o forte começou a mudar de cor e tudo à volta girava e girava, começámos a travar conversa com os enormes pássaros….brincadeira, o cachimbo foi amigavelmente recusado.

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“I believe I can flyyyy, my friend”
A meio da visita fomos literalmente encostados à parede por alguns guardas que abriam espaço para que Bollywood desse asas aos seus filmes!
Abriram-se alas para aquilo que seria mais um set de um grande clássico, for sure!!
Tudo extasiado à espera do grande momento, nós particularmente interessados em aparecer na película, e…”action”…banda sonora nas alturas, um grupo de indianos desata a correr pela rampa do forte envolvendo um casal que irradiava beleza, alegria e paixão… and “cut”.
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Como diria o Dev e bem, “heavy llevel”!
A nossa viagem dava um filme indiano. Literalmente! :)
Ouvimos um pouco de história sobre a fundação da cidade e sobre família dos seus fundadores; visitámos salas absolutamente luxuosas que evidenciavam a enorme riqueza da realeza, nas quais podíamos admirar o vestuário, os quadros, meios de transporte, … E acedemos a uma das melhores vistas sobre a cidade, que nos permitia vislumbrar o azul das fachadas de muitas das casas.
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No final da visita já perto das 17h (hora de encerramento), os senhores dos audio guides vieram avisar-nos que tinhamos 5 minutos para levantar os nossos pertences, porque depois eles iam para casa. Ou seja, percebemos que o nosso telefone ia ficar lá durante a noite, o que com comboio na manhã seguinte, seria de evitar. Em 3-4 minutos corremos as salas restantes e lá conseguimos entregar o aparelho a tempo.
Descemos o caminho íngreme do forte em direcção à cidade e à nossa guesthouse para um merecido descanso e último repasto em Jodhpur.
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Bolacha Maria à la Índia
Bolacha Maria à la Índia
De salientar o trabalho incrível de Sara Alves, neste momento já totalmente viciada em cozinha indiana. Dado que o nosso cozinheiro da guesthouse estava sozinho a tomar pedidos, cozinhar e servir….Sara to the rescue…senão ora vejam:
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No restaurante no terraço da guesthouse, uma última foto do forte para a despedida e amanhã…Agra!
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Udaipur a Jodhpur – uma viagem alucinante nas estradas rurais indianas

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06-08-2013

O dia começou com uma breve visita à Mary e ao Robin para tirarmos algumas fotografias do seu terraço. Tinhamos prometido na noite anterior colocar mais fotos do seu espaço no Tripadvisor, mas a bateria da máquina esgotou-se mesmo quando estávamos a acabar  de fotografar os quartos da guesthouse.



Melhor assim! Acabaram por nos oferecer o pequeno-almoço, muito embora chamuças vegetarianas (recheio de batata, ervilhas e várias especiarias) não fosse bem o pequeno-almoço continental pelo qual ansiávamos há pelo menos 15 dias…eles olharam-nos com um olhar de estranheza, de quem está a tentar evitar transparecer que sente alguma estranheza, mas ao mesmo tempo tem aquela sensação de que talvez estes dois tugas não tenham sido completamente honestos quando disseram que tinham adorado as chamuças.

Descansa Mary (não és tu, Maria, é mesmo a Mary indiana), as chamuças estavam ótimas, mas ficámo-nos pelo delicioso chai que parecendo que não, não sabemos se pelo leite ou também pelas especiarias, consegue dar-nos uma ótima energia sempre que o tomamos.

Depois de nos despedirmos dos nossos anfitriões, lá nos dirigimos para o hotel onde esperámos pelo condutor que tínhamos contratado no hotel, para nos levar de Udaipur a Jodhpur, com passagem pelo forte que dizem ter a segunda maior muralha do mundo (adivinhem qual é a primeira!) com 38 km de comprimento – o Khumbalgarh Fort – e ainda pelo famoso templo Jain em Ranakhpur.

O nosso condutor, era um rapaz com 25 anos, já casado e com duas filhas. Ouch…Saiu-lhe cara a brincadeira…quando lhe perguntámos se não ia querer tentar ter mais um filho para ver se lhe saía um rapaz, rapidamente nos indicou que não estava nos seus planos…o que se compreende dada a despesa que traz trazer uma mulher a este mundo (ok esta parte foi o Diogo que escreveu com a Sara a bater-lhe), especialmente na Índia! =)

O nosso aparentemente simpático condutor era na verdade um road killer, só com a ajuda de Krishna, Ganesh, Hanuman entre outras divindades indianas é que não acabámos atolados numa fossa, derrapados numa das várias ravinas no caminho, enfiados nos cornos das muitas vacas que teimavam em não se desviar ou simplesmente enfaixados de frente com muitos dos carros, jipes e autocarros com os quais nos cruzámos no caminho.

Foi a nossa primeira viagem por estradas que se podem considerar rurais. Estradas de apenas 1 faixa para 2 sentidos, em péssimo estado de conservação. Vá lá que a paisagem ia distraindo de tempos a tempos.

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A condução foi um pouco alucinante desde o início pelo que tivemos que tentar balbuciar algo para tentar acalmar o nosso condutor…e a nós também. Já não nos conseguimos recordar exatamente das nossas palavras (estar a enfrentar a morte certa, prega-nos estas partidas à memória), mas terá sido qualquer coisa no espírito do nosso “devagar se vai a longe”. Óbvio que o homem percebeu a dica e levou algo a peito…tendo indicado “Don’t worry my friend…my driving very safe”.  Na verdade de pouco serviram os nossos vários avisos, dadas as inúmeras situações de quase-colisão frontal com carros em sentido oposto. Chegou a um ponto em que a Sara queria mesmo matar o homem – pouco faltou –  e portanto só lhe conseguia dar aquele ar (que muitos apelidam como sendo de Terceira Guerra Mundial) para lhe dizer “Can you drive more carefully, Sajid? I feel like I am going to die in this car…” (isto é o que soa à Sara, mas para o Diogo e outros soaria mais a “My friend can you drive slower or I will smack your head with a screwdriver, resulting in a painfully slow death?”.  É que esta malta tem uma mania de de ultrapassar nos sítios mais impossíveis em estradas tipo de montanha (curva-contracurva). Já para não falar do facto desta gente, que oficialmente conduz pelo lado esquerdo, passar a vida na faixa da direita quando nem espaço para uma vaca existe (algo que poderá ser uma forma de ainda manifestarem a sua revolta contra a colonização).

Mas o ponto alto da nossa viagem foi sem dúvida o termos pela primeira vez jogado ao jogo da Galinha…não, não nos enganámos. Não é o jogo do Galo com as cruzes e bolas, isso é para meninos, nada disso. Segue uma pequena introdução para quem não está familiarizado com o jogo:

O jogo da galinha, também conhecido pelo jogo falcão-pombinha, faz parte da Teoria dos Jogos. O princípio deste jogo  diz-nos que quando nenhum dos jogadores quer desistir, o pior resultado do jogo ocorre.

O nome “galinha” tem a sua origem num jogo em que dois condutores conduzem um contra o outro em rota de colisão: um deles tem que se desviar ou, worst case scenario, podem morrer os dois na colisão. Se algum deles se  desviar fica conotado como sendo a “galinha”, ou seja um cobarde.

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Por acaso, sorte, acção de Krishna, chamem-lhe o que quiserem apanhámos a pombinha, que no entanto levava sempre o jogo à última. Fazia lembrar os condutores de “buggy” no Brasil que logo à cabeça perguntam “Com emóção ô seim emóção?!”. Excepto que neste caso não nos foi dada esta escolha.

Chegámos por volta das 11h ao local do forte. Dado que era um feriado religioso, havia imensos, mas imensos indianos a visitarem o forte. Geralmente ver-se-iam mais estrangeiros do que locais mas neste dia não foi o caso. Tivemos uma árdua subida de cerca de meia hora até ao forte pois o trânsito estava bloqueado a partir de certo ponto, dado o grande afluxo.

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O forte é um local de relevo pois marca a antiga separação entre Marwar (zona do reino de Jodhpur) e Mewar (reino de Udaipur), tendo sido várias vezes usado como refúgio para a realeza de Udaipur. Situa-se no topo de uma colina com uma visibilidade incrível para tudo o que se situava em redor, facto não pouco importante para a sua quase invencibilidade em cerca de 500 anos (foi tomado uma única vez devido à escassez de água durante um ataque combinado de vários reis). O forte é também importante para os locais pois foi o local de nascimento de Pratap Singh, filho de Udai Singh, o fundador de Udaipur. O filho desempenhou um papel crucial na defesa do reino de Udaipur de ataques de outros reinos.

Enquanto nos maravilhávamos com a vista e com o forte reparámos que os visitantes locais estavam igualmente maravilhados…mas com a Sara. Para muitos terá mesmo sido o highlight da visita ao forte. Para nós tornou-se algo desconfortável ao fim de pouco tempo e levou a que procurássemos locais de refúgio dentro do forte! Aprendemos que uma mulher branca de calção curto, por mais calor que faça, nunca é uma boa opção.

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Lucky Guesthouse...lucky for who we wonder...
Lucky Guesthouse…lucky for who we wonder…

Depois da visita ao forte, seguimos de novo para a viatura e para o nosso condutor…para visitarmos o famoso templo Jain de Ranakphur. Este templo foi todo construído em mármore e tem a particularidade de ter 1444 colunas esculpidas todas diferentes umas das outras. O templo tem 4 frentes, simbolizando a conquista do cosmos, o atingimento do estado de Tirthankara. Um Tirthankara é um ser humano que atingiu um estado de iluminação que lhe permite ajudar outros no seu caminho espiritual e libertarem-se do ciclo de nascimento e morte (samsara).  Para entrar tivemos que nos descalçar e usar calça comprida apesar do calor!!!

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Mesmo já com calças, os visitantes masculinos do templo voltaram a manifestar muito interesse nos turistas, mais do que no templo e na sua história propriamente dita, pelo que a nossa visita foi curta =) Seguimos para almoço pouco depois.

Almoço foi delicioso, apesar de termos parado naquilo que pode ser considerado um sítio caro para os padrões indianos. Dum Aloo Curry (tomate, queijo, batata, frutos secos) acompanhado com chapati – delicioso! Um prato com bebida e pão por 450 rupias para os dois, cerca de 5, 50 euros; não fosse o prato estar delicioso e teríamos tido saudades dos almoços económicos do Maia Vip com os coquinhos a acompanhar o café!).

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Depois de almoço seguimos directos para Jodhpur, para uma viagem que ainda demoraria cerca de 5 horas. O caminho foi tendo os seus altos e baixos mas apanhámos uma boa parte de estradas um pouco melhores (quase auto-estrada) pelo que o nível de ansiedade baixou e ainda conseguimos passar pelas brasas.

Claro que durante este percurso o nosso condutor tentou persuadir-nos a “just look, not  buy” algumas preciosidades como têxteis, joalharia, etc, ou seja, a lenga-lenga do costume. Recusámos gentilmente, dizendo que tínhamos pouco espaço nas mochilas, ou seja, não mentimos =)

Dado que falhou esta tentativa, tentou arranjar-nos um quarto em Jodhpur. Lá aceitámos ver o quarto (no fundo evitámos a gorjeta, pois assim ele recebia comissão do tipo do hotel) que acabou por ser agradável e bem melhor do que aquele que tinhamos marcado na primeira noite que diga-se acabou por ser um pardieiro. Mas isso já são aventuras que poderão ler no próximo post.

Por isso não percam o próximo episódio porque nós também não!

Udaipur a Jodhpur – a rollercoaster ride in India’s countryside

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The game of chicken, also known as the hawk-dove game or snow-drift game, is an influential model of conflict for two players in game theory. The principle of the game is that while each player prefers not to yield to the other, the worst possible outcome occurs when both players do not yield.

The name “chicken” has its origins in a game in which two drivers drive towards each other on a collision course: one must swerve, or both may die in the crash, but if one driver swerves and the other does not, the one who swerved will be called a “chicken,” meaning a coward; this terminology is most prevalent in political scienceand economics. The name “Hawk-Dove” refers to a situation in which there is a competition for a shared resource and the contestants can choose either conciliation or conflict; this terminology is most commonly used in biology and evolutionary game theory. From a game-theoretic point of view, “chicken” and “hawk-dove” are identical; the different names stem from parallel development of the basic principles in different research areas.[1] The game has also been used to describe themutual assured destruction of nuclear warfare, especially the sort of brinkmanship involved in the Cuban Missile Crisis.

 

Udaipur – Lake City cornadas e cozinha indiana

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04/08/2013

Sleeper AC bus. Ouch!

Foram 12 horas de condução absolutamente assustadoras por caminhos não acessíveis a autocarros…em Portugal. Nem a Space Mountain bate aqueles solavancos. Mas o melhor era mesmo a “buzina”. De 4 em 4 minutos lá estava o homem a soltar o apito como se a sua vida dependesse disso. Bem…na verdade dependia. A dele…e a nossa!
(Ora e aqui segue um pequeno excerto que não podemos deixar de partilhar. Da buzina apenas. As partes assustadoras não conseguimos gravar de todo) =)



Apenas 3 ou 4 horas de sono e lá chegamos a Udaipur, sem grandes hematomas. Chegámos mais cedo do que o previsto, por volta das 5h20. O check-in no hotel era só a partir das 10h, mas dada a falta de alternativa lá negociámos mais um rickshaw e tentámos a nossa sorte. Conseguimos, o moço que estava a dormir no chão da recepção do hotel, ligou ao “boss” (como ele o apelidava) e ele deixou que antecipássemos a nossa entrada. Quarto not bad (não publicámos o quarto de Jaisalmer, mas tamos com sorte nos quartos até agora…especialmente depois de ter visto como são alguns hotéis e guest houses aqui!)!
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11h. Colados ao pc, terminámos e publicámos o post de Jaipur. =) Agradecemos desde já os awesome comentários!!
13h. Fomos almoçar ao Savage Garden, restaurante recomendado pelo Lonely Planet. Primeira refeição mediterrânica na Índia. Frango grelhado com batatas aos cubos fritas, acompanhadas com um molho delicioso parecido com molho de aves. Nhamy!!
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Tarde de passeio por Udaipur.
Primeiras impressões: a cidade é mais arranjadinha e não vimos tanta pobreza.  Mas é importante relevar que o número de habitantes (cerca de 700.000) é muito inferior ao de Deli e Jaipur (14 e 5 milhões, respectivamente).
Visitámos o mercado com a típica street food, lojinhas de lenços e sarees, de jóias, de telemóveis e afins e de pinturas-miniatura ( algo muito típico de Udaipur) e vendedores de flores, vegetais, entre outros.
Senhora que rogou pragas ao Diogo a 30 deuses hindus...esperemos que os restantes 2970 a tenham ignorado...
Senhora que rogou pragas ao Diogo a 30 deuses hindus por lhe termos tirado a foto…esperemos que os restantes 2970 a tenham ignorado…
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É giro ver o quão deliciados eles ficam quando se vêem na foto. É um dos encantos da Índia. A genuinidade e alegria presente com coisas para nós tão banais.
É giro ver o quão deliciados eles ficam quando se vêem na foto. É um dos encantos da Índia. A genuinidade e alegria presente com coisas para nós tão banais.
Fotografia tirada aquando do momento descrito abaixo....muuuuu
Fotografia tirada aquando do momento descrito abaixo….muuuuu
Entre fotos e conversas com locais, lá vem uma vaca sagrada contra a Sara. Ainda doeu, mas teve mais piada do que outra coisa. =) (claro que a partir daí sempre que uma se aproximava, a Sara fugia a sete pés e o Diogo tentava encontrar caminhos alternativos. Pudera!).
A cidade, ao anoitecer, é extraordinária!
A vista para o Lake Palace e para o Palácio Jag Mandir, “pequenas ilhas” do lago Pichola arquitectam um romantismo sublime à cidade. Jantámos num terraço com vista para o lago e para os edifícios que o rodeiam e ficámos rendidos à cidade!
Exceptuando Jaisalmer, que é tão diferente que nem faz sentido comparar, esta é, definitivamente, a cidade mais bonita que visitámos na Índia.
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Dia seguinte devidamente agendado – sightseeing das 9h30 às 17h e cooking class das 18h às 21h – expectativas em alta.
Wanna buy? =)
05/08/2013
09h. Pequeno almoço continental. Café e torradas abundantemente barradas com ghee! Delicioso!
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Visita ao City Palace com guia.  Quando nos perguntou de onde éramos,  lançou um icebreaker na forma de um ditado sobre os portugueses: “Portuguese: the first to come and the last to go”. Na verdade o período de permanência dos portugueses durou de 1492 até 1961, ou seja, já depois da independência da Índia em 1947, motivado pelo facto de Goa não ser parte da Índia naquela altura.

A julgar pela quantidade de vezes que nos perguntam se somos de Espanha, ou têm má memória…ou não deixámos uma boa impressão…

AVISO IMPORTANTE: segue enchurrada de informações/curiosidades. Para os que sofrem de aborrecimento precoce procurem as palavras: “Era a pagantes!!!” para saltar à frente. =)

No City Palace concentram-se o museu real e a residência oficial dos antigos reis de Udaipur. O palácio foi mandado construir pelo marajá Udai Singh, o qual deu o nome à cidade Udaipur.

O palácio demorou 450 anos a ser construído, com 22 reis durante esse período, motivo pelo qual não tem nome. Está dividido em 2 alas, uma parte para o rei e outra para as suas mulheres. Isto acontecia pois o marajá era obrigado a dar um apartamento a cada mulher de prenda de casamento.
No Hinduísmo não existe a figura do divórcio. Quando se casa, casa-se para 7 vidas. Se há um problema entre marido e mulher, toda a família se reúne para discutir e resolver o problema. Ainda estivemos para partilhar o nosso provérbio: “Entre marido e mulher ninguém mete a colher”, mas dados os cerca de 73 divórcios em cada 100 casamentos em Portugal…se calhar o melhor é mesmo enfiar o pessoal todo lá em casa. Just saying… =)
Em Udaipur o rei não era chamado Marajá, mas sim Maharana, o rei dos reis. Isto porque os reis em Udaipur nunca se renderam a inimigos (cidade sempre invicta) e nunca cruzaram a sua linhagem com famílias não pertencentes à sua cidade.
Na visita ao palácio destacamos as obras de arte pelas quais Udaipur é famosa: pinturas em miniatura. As miniaturas não são pequenas, são detalhadas. Quase todas as obras retratam casamentos, caçadas ou outros eventos reais e um traço muito distintivo é o uso do ouro, o uso de materiais para fazer as cores provenientes de minérios locais (que fazem com que os quadros não percam as cores com o passar do tempo) e o uso de um pincel da grossura de um cabelo.
E sabem aqueles quadros religiosos com figuras que são retratadas com auréolas douradas? Segundo o nosso guia, a proveniência deste símbolo vem também da cultura indiana, pois nestes quadros o rei aparece sempre com uma auréola dourada.
O guia elucidou-nos quanto às 4 castas principais na Índia originalmente: clero (brahmins), guerreiros (shatri; às quais pertenciam os reis), burguesia (veshya), povo (shudra). Muito semelhante ao sistema europeu.
Percebemos também que o calendário Hindu, Samvat, está 57 anos à frente do nosso e começa em Março. Ou seja, feitas as contas estes meninos andam em 2070…não parece.
Para quem quiser esmiuçar um pouco mais a complexa cultura indiana, o hinduísmo tem 3 deuses principais: Vishnu (Deus Protector), Bhrama (Criador) e Shiva (Destruidor mas Criador ao mesmo tempo, este último considerado o mais complexo). Para terem uma ideia, o exemplo que nos deram para o explicar foi a passagem da infância para  adolescência – para darmos lugar ao adolescente, a criança teve que ser “destruída”. Todos os outros deuses existentes são reencarnações destes, excepto Shiva. Shiva nunca reencarnou e nas suas representações nunca usa joalharia ou roupas, pois Shiva escondia o “mundo cósmico”. No “mundo cósmico”, o ser humano nunca produz verdadeiramente nada, no sentido em que quando morre, nunca nada é dele, deixa tudo para trás.
Outro aspecto curioso é que, segundo o hinduísmo, o universo começou numa imensa bola de fogo, sem forma. Rings a bell?
Por fim acrescentamos que cada hindu é livre de escolher os deuses ou deusas que quer adorar. Noiiice!
Infelizmente, por um dia, perdemos o Festival da Cor, muito típico da Índia, no qual as pessoas atiram tinta e flores umas às outras. Parece que tudo o que seja motivo para sujar mais é bem-vindo!!! =) A verdade é que faz jus à imagem que temos da Índia, porque quando pensamos no país, pensamos em especiarias, saaris coloridos, as ricas ornamentações, entre outras…e em todas estas coisas o que ressalta é a cor.
Tudo isto é a face da sociedade indiana, uma sociedade que vibra de (e com) cores em cada recanto e retrato.
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As fotos acima são do exterior do City Palace. Tivemos que fazer uma descrição detalhada (agradecemos aos que aguentaram connosco até aqui) pois não levámos máquina fotográfica para o interior. Era a pagantes!!!
Depois do palácio seguiu-se um tour pelos highlights da cidade.
Next stop: dois dos lagos adjacentes (os 3 lagos da cidade estão todos ligados para ajudar a escoar águas em excesso aquando das monções). Em tempos, a água nestes lagos foi límpida…hoje em dia, estes são frequentados por outro tipo de utentes.
Dois utentes a banharem-se.
Dois utentes a banharem-se. Diz o de trás pó da frente “Can you muuuuuve?”
Princess Garden visto de esquina com utente
Princess Garden visto de esquina com utente “normal” desta vez!

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No pride, just prejudice?
No pride, just prejudice?
Fuuuuuusão!
Fuuuuuusão!
Os locais não perdiam uma oportunidade de pedir para tirar fotos com a Sara. Diogo com auto-estima em baixo. =)
Os locais não perdiam uma oportunidade de pedir para tirar fotos com a Sara. Diogo com auto-estima em baixo. =)
The biggest fountain in Rajasthan. Impressive. o_O
The biggest fountain in Rajasthan. Impressive. o_O

squirrel

Modo mais barato, entenda-se o mais comum, de viajar na Índia. Full body AC included!... and hairstyle! É curioso notar que alguns dos
Modo mais barato, entenda-se o mais comum, de viajar na Índia. Full body AC included!… and hairstyle! É curioso notar que alguns dos “atrelados” estavam devidamente prevenidos com guarda-chuvas. Afinal de contas estamos em época de monções.
Pausa para almoço leve. Mutter Mushroom.
Pausa para almoço leve. Mutter Mushroom.
Tributo de Udaipur ao legado de Kurt Cobain.
Tributo de Udaipur ao legado de Kurt Cobain.
Após almoço seguimos para o Monsoon Palace, a pouco menos de 2000m de altitude. Trata-se de um antigo palácio de férias do rei, do qual registamos aquilo que achámos mais bonito que foi a vista.
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A seguir ao Monsoon Palace, descemos em direcção ao centro da cidade de novo, não sem antes o nosso condutor de rickshaw/guia (aka Prince!) nos encaminhar para uma chamada “escola de arte”, onde poderíamos observar mais pinturas miniatura e aprender mais sobre esta arte com um “professor”.
Achámos estranha tanta cortesia, mas já estávamos a suspeitar o que aí vinha. Depois de 2 tentativas de icebreakers falhadas por parte do dito professor, fomos encaminhados para aquilo a que já chamamos de “sala de oferta de chá”. A pachorra já é tão pouca que o Diogo pulled a “Harry”. Basicamente fez uso da Fake-A-Call (app Iphone), para ajudar o imaginário Harry, um amigo supostamente detido  numa esquadra de polícia.
Se calhar tinha sido mais fácil dizer ao homem que não estávamos interessados. Pá, mas esta malta insiste demasiado, ia demorar mais tempo…Não sabemos se colou ou não, facto é que nos pusemos dali para fora em 30 segundos (incluindo o tempo para calçar de novo os sapatos), deixando o “professor” lá dentro ainda um pouco incrédulo. Até o Prince ficou meio abananado…pudera…lá se foi a comissão do dia.
Terminámos o tour no grande Bazar da cidade:
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Terminado o tour, lá fomos nós para a tão aguardada aula de cozinha indiana, com a simpática Mary. A aula decorreu em casa da Mary e do Robin, o seu marido, que também nos auxiliou.
Cozinhámos desde as 18h30 até cerca das 20h30 e fizemos 5 tradicionais pratos indianos. Not bad! =)
Mais tarde iremos criar um sítio específico no blog para postar as receitas que formos aprendendo, por agora enumeramos apenas os pratos:
Kadhi Pakora – dumplings de grão de bico num molho de iogurte e especiarias
Saffron Chicken – percebe-se! =)
Vegetable Samosas – também se percebe bem =)
Paratha – pão indiano, tipo naan, mas cozinhado em frigideira (naan é tradicionalmente cozinhado em forno tandoori)

Gulab Jamun – doce indiano de leite em xarope de açafrão

Kadhi Pakora
Kadhi Pakora
Saffron Chicken
Saffron Chicken
Vegetable Samosas
Vegetable Samosas
Paratha
Paratha
Já na mesa, pronto a ser degustado =)
Já na mesa, pronto a ser degustado =)
Last but definitely not least...delicious dessert: Gulab Jamun!
Last but definitely not least…delicious dessert: Gulab Jamun!

No final da deliciosa refeição, tivemos uma agradável conversa com o maravilhoso casal e ficámos a saber que o Robin tinha sido, em tempos, Lead Man (produtor responsável pelas decorações e sets) em alguns filmes de Hollywood e Bollywood tendo, entre outros, produzido o The Darjeeling Limited e o Ice Storm, este último com muitos ilustres, dos quais mostramos dois:

Kevin Kline, Robin, Tobey Maguire
Kevin Kline, Robin, Tobey Maguire

E fica aqui a recordação da magnífica noite com o simpático e acolhedor casal:

us and mary_robin

Next stop: Jodhpur! Com paragem no Forte de Khumbalgarh e no templo Jain em Ranakphur. Viagem de aproximadamente 7 horas de táxi. Com grande negociação da nossa parte, acabou por ficar mais barato. Mas não foi desprovida da sua dose de aventura. Por isso não percam o próximo episódio, porque nós também não!

Finalmente trintona!! =)

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Este post não relata nenhuma experiência indiana de travessia de linhas de comboio guardadas por comunidades de ratos, nem tão pouco pernoitas no deserto, na companhia de escaravelhos-bosta-rolantes e aranhas peludas e de tamanho considerável. Este post deixará de fora as baratas que brotam de rolos de papel higiénico por encetar e, supostamente selados, e ainda as razões que justificam o nascimento do yôga na Índia. Estes dois últimos assuntos serão o sumo de laranja natural, logo pela manhã ou o pastel de nata, a acompanhar o café no final da refeição (your pick) dos próximos posts! =)

Este post, por sua vez, é o nosso lugar na mesa de aniversário da Alves que hoje vira trintona!! =)

Raina, Raina on the wall who’s the fairest of them all?
You are my precious, you are! =)

Passados 30 anos cá estás tu Comadre Marcela, magnífica como uma verdadeira Alves e pronta a experienciar os melhores anos da tua maravilhosa existência! =)
A Inês é a baby mais doce do mundo mundial e é a tua baby! Não é delicioso, Isabel? =)

A acrescentar, temos a dizer que apesar de termos decidido vagabundar durante um ano, exigimos updates frequentes sobre todos os baby steps da Alves mais caçula, ok? Prometes que envias fotos, vídeos e relatos semanais? Prometes? Vá pelo menos quinzenais!! =)
Para além disso, andamos a salivar por aquelas deliciosas panquecas. Fazes e shipas para este lado do mundo? =)

Bem, já que não estou por aí para te dar aquela palmada de parabéns, achei bonito reunir mais alguns dos momentos captados e preservados na memória deste telemóvel. Pena não ter mais! =(

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O Clã Alves

Dá notícias, Beviana!! =)
Beijo dos dois para todos, em especial para as minhas meninas.

Sara e Diogo

Jaisalmer – a Golden City

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01/08/2013

Que noite bem dormida na cabine AC2!! It felt like a 5-star hotel!!! =)

Chegámos a Jaisalmer perto das 12h45m (atraso de cerca de 1h30m de comboio, mas pelo que ouvimos dizer é algo recorrente). A 40km da fronteira com o Paquistão sente-se o calor e a vigília cerrada. Saímos do comboio para apanhar um rickshaw para o hotel e qual não é o nosso espanto quando em vez de uma confusão de indianos a impingirem-nos os seus serviços, nos deparamos com uma fila ordenada de simpáticos condutores com folhas nas mãos a identificar as pessoas que vinham buscar. Olhámos bem e … lá estava um simpático rapaz com uma folha A4 a dizer “Tokyo Palace Hotel – Diogo Sousa”! =) We’ve got style! =) E desta vez vamos de jipe!! =)


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Foto no comboio a caminho de Jaisalmer. Já dá para perceber a mudança de paisagem. Achamos que parece um quadro. Aceitam-se ofertas. =)

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Feito o check-in, o dono do hotel colocou-nos moderada pressão indiana para lhe comprarmos o Camel Safari do hotel. Para terem uma ideia disse-nos que podíamos pensar até às 15h, o que nos dava cerca de 7 minutos para dar uma resposta. Um gentleman, portanto. Aproveitámos os escassos minutos para pousar as mochilas no quarto, que diga-se de passagem, nos encantou. Com 4 minutos para o deadline, lá fizemos as delícias de mais um indiano, aceitando o camel safari sem regatear (BIG MISTAKE). Recém-espremidos de 3300 rupias (cerca de 40 euros) e famintos, dirigimo-nos ao restaurante do hotel, no Rajastão, tipicamente situado no terraço. Que TOSTA!!! Mais de 40 graus! Amigos, chegámos ao deserto!!! Pelo menos, tivemos o primeiro vislumbre do sol na Índia! =)

Sugestão da casa: e que tal continuarem o resto do artigo ao som do Desert Rose by Sting? =)

Desde logo deparámo-nos com a magnífica vista do forte de Jaisalmer, único no Rajastão por ainda ser habitado por milhares de pessoas, entre as quais comerciantes (como não podia deixar de ser) e locais.
Como queríamos desenjoar um pouco da comida indiana, decidimos pedir um Chow Mein de galinha. Este super complexo prato levou aos dois cozinheiros de um restaurante sem mais nenhum cliente cerca de 50 breves minutos a confeccionar e ser servido. Resultado: acabámos por comer chapatis essencialmente. Que saudades dos nossos “Fu Sheng”, “Estrela Asiática” e afins do nosso Porto.

Isto é giro, Jaisalmer destoa da realidade que temos visto até aqui. Uma cidade bem mais pequena (mas com um número proporcional das sagradas vacas) e sem o buzinar constante e frenético das grandes cidades. A paisagem é toda ela em tons de dourados, da cor da areia, as construções todas em arenito.

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Forte de Jaisalmer é um dos maiores fortes do mundo. Foi construído no século XII pelo Marajá Rao Jaisal.

Subimos ao forte já perto da hora do jantar (10 extenuantes minutos a pé), com direito a paragem pelo meio para jogar cricket com um grupo de miúdos na rua. Uns dedos de conversa com os locais que, para não destoar, continuam a assumir que somos espanhóis, e acabámos por jantar num restaurante tibetano (terraço de novo) com uma magnífica vista do topo do forte sobre a cidade. Desta vez refeição deliciosa, com dumplings de galinha e vegetais e curry chicken com os tradicionais roti. O pequeno terraço estava ocupado apenas por turistas, 2 franceses, 2 italianos e 2 portugueses. Quando percebemos que os italianos eram de Pádua e o rapaz tinha uns Many calçados (como muitos outros turistas pelos quais passámos de tarde), criaram-se as condições para amigável conversa, na qual o Berlusconi foi “beliscado” não poucas vezes pelo italiano. Italiano esse que defendia que os tempos da Máfia eram melhores que os de hoje…por palavras dele, os italianos não têm más políticas…pura e simplesmente não têm políticas de todo!
Acabámos por trocar dicas de viagem com as experiências de cada um, com o francês a garantir-nos que a Nova Zelândia é um dos sítios do mundo a não perder. We plan not to!

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02/08/2013

8 horas para entrarmos no deserto.
Subimos de novo ao forte para comprar roupa mais apropriada para o deserto, pois foi-nos aconselhado levar calças estilo Ali Babá. Quando fizemos a mala, optámos por trazer mais Xanax e menos calças para camelo. =)
Entrámos na loja de um moço, aka António Banderas (auto-intitulado), que nos pareceu um comerciante com modos mais ocidentais.
O simpático Chagal Mali (o tal Antonio Banderas) pertence à casta Mali. É uma casta “média” (no ranking do sistema de castas) bastante respeitada por se dedicar à agricultura (frutas, flores e legumes, essencialmente).

Seguiu-se a feira mostra de paletes de calças, de diferentes tecidos, diferentes cores, mas definitivamente todas overrated! Na verdade passámos uma excelente horinha com o AB, muito “académica” e tivemos mais uma oportunidade de treinar as nossas técnicas de negociação. Ainda não estão no ponto mas estão a melhorar significativamente.
Uma boa negociação na Índia tem que deixar o vendedor mais ou menos chateado (se ele ficasse mesmo muito chateado não venderia e esse é o segredo da boa negociação). Para já, como temos vindo a falar e conhecê-los um pouco melhor fica mais difícil depois ir baixando o preço. No entanto é fundamental lembrarmo-nos constantemente de que na verdade o que estamos a fazer é reduzir-lhes a margem de valores obscenos para valores absurdos.
Anyways, o nosso Banderas lá nos ofereceu o tradicional Masala Chai e fomos perguntando tudo o que nos vinha`à cabeça.

Notas do dia:
– Forte Jaisalmer mandado construir pelo Marajá Jaisal Singh, daí a cidade chamar-se Jaisalmer;
– Dentro do forte e à volta de Jaisalmer os Jain construíram uma série de templos; os Jain eram a casta mais alta e foram acolhidos pelo Marajá dentro do forte, em troca de financiamento para construir o forte; Foi do símbolo desta corrente religiosa que os Nazis adoptaram a cruz suástica;
– Aquando do tempo do Marajá, as castas mais baixas que não podiam fazer negócio às claras, construíram passagens subterrâneas que chegavam aos 10km para que, do outro lado do túnel, pudessem fazer negócio nas barbas do Marajá!

O Banderas pelo meio ainda nos explicou a origem dos diferentes tecidos e as diferenças entre cachemira, pashmina e shahtoosh, sendo esta última uma prática algo atroz, com a qual nem todos indianos concordam…e nós idem! A sua produção tem de ser autorizada pelo Governo, porque se faz com o sangue e entranhas de uma ovelha que acaba de nascer. O produto tem um cheiro muito forte e o preço mínimo anda à volta dos 650€. É um produto de nicho, procurado por pessoas muito excêntricas.

No final saímos com 2 belíssimos pares de calças que atempadamente verão neste post. Ainda pedimos uma recomendação para almoço ao Banderas que nos levou ao restaurante recém-aberto do seu amigo Kahn, onde nos deliciámos com um chowmein vegetariano para dois, ao preço da chuva…1,20€! Muito simpático e ainda tirámos umas fotos com ele e do seu espaço, tendo prometido que iríamos ajudá-lo a colocar o seu restaurante “The Little Prince” no Tripadvisor!

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De regresso ao hotel para descansar. 2 horas para a partida.

Só para terem uma noção, pagámos 3300 rupias e o programa era o seguinte: saíamos às 16h e demoravamos cerca de 2 horas a chegar ao deserto. Acampavamos por lá e regressavamos às 11h30.
Cerca de 1h de jipe para chegarmos a um templo Jain e passarmos por uma pequena aldeia de locais e outra hora para irmos de camelo até ao local de pernoita.

A volta começou com uma paragem num suposto templo Jain, que na verdade era um pequeno muro quadrado a guardar um pequeno altar no centro. Logo na primeira paragem portanto já estavam a tentar cobrar-nos 100 rupias para entrar, mas gentilmente recusámos. Nós e o japonês que viajava connosco sozinho, proveniente de Hokkaido, de poucas palavras pois não sabia muito inglês e que uma boa parte do tempo ficava a contemplar o deserto a fumar cigarros de mentol. Ainda parámos numa pequena aldeia, muito pequena mesmo com 10 pessoas que basicamente era uma única família, mãe, pai, 4 filhos e 4 filhas. A única parte interessante é mais perceber como é que estas pessoas vivem nestas condições especialmente quando olhamos para o poço de água da aldeia onde a água tem tudo menos bom aspecto.

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Passada esta curta visita a aldeia lá nos encaminhámos para o deserto. Depois de percorrermos 20 a 30 km lá chegámos ao ponto de encontro com os nossos 3 camelos – número 1, número 2 aka Paulo e número 3. Lá conhecemos o nosso guia Piru que nos conduziu nos camelos para o local de pernoita no deserto.
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Durante a viagem de camelo, o Piru foi-nos contando um pouco da vida dele e das condições de vida das pessoas que vivem e trabalham no deserto! Rough life! Basicamente ele ganha um salário de 2000 rupias ( cerca de 25€) e faz cerca de 3 safaris por semana. Como quase todos implicam 1 ou 2 noites no deserto, quase não dorme em casa =( Pelo menos boa disposição não lhe faltava e, carinhosamente, apelidou-nos de “Sara desert” e “Boss” ( subentendem-se nesta última os traços culturais indianos, claro está)!!
A viagem foi muito tranquila, debaixo de cerca de 40 graus!! Lol Tempo algo fresco para o Piru que só começava a queixar-se a partir dos 65 graus!!!!!
À medida que nos aproximavamos do local da pernoita, o tempo começou a piorar. Parecia que ia chover no deserto, algo que segundo o nosso guia não acontecia há 3 anos!!!!! O Piru só nos agradecia e dizia que a Sara desert veio dar sorte, porque ia chover, mas nós só pensavamos como raio é que a tendinha ia aguentar uma chuvada das fortes!!
Chegados ao local da pernoita, começámos a montar a tenda (bem, não literalmente, porque essa na verdade nunca foi montada)! e, dado o tempo escuro, passados uns 5 minutos junta-se a nós um grupo de 3 ingleses Joe, Alice e Liz que começaram a partilhar algumas das experiências que já tinham tido em 2 semanas e meia na Índia. Desde os autocarros sem AC horríveis em viagens de 12 horas a outras peripécias, pelo meio ainda conseguimos sacar bons conselhos para o resto da viagem. Pouco depois, começámos a cozinhar: chai, caril de vegetais e chapati. A meio do processo começou a levantar-se uma tempestade de areia forte que obrigou os cozinheiros a mudarem de poiso várias vezes, para que o saco de açafrão não virasse saco de areia…O ambiente era de falsa descontracção, porque estava tudo a tentar adaptar-se à escaravelhada toda que andava em quantidades massivas à volta dos excrementos dos camelos deitados ao nosso lado e também tudo preocupado com a molha que se avizinhava.
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Bem, depois de um bom repasto começámos a preparar para dormir montando as camas no exterior, assumindo que não choveria.
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Foi mais ou menos aqui que começou a enchurrada de água que nos levou a refugiar numa pequena cabana de apoio.
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Ainda tentámos montar as duas tendas que o grupo trazia mas sem sucesso, entrava demasiada água com o vento e a tenda estava ensopada por dentro ao fim de 2-3min. Resultado: 13 ou 14 pessoa a dormir num espaço de 20m2 repleto de escaravelhos, aranhas e afins!!! Lá fora a chuva continuou a cair e sentimo-nos a dormir no supra sumo dos pardieiros, repleto de insectos, com indianos a ressonar e os que estavam acordados que não paravam um segundo de falar. Paraíso, portanto.
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Pelo meio tínhamos ainda um amigo indiano que ninguém percebeu donde vinha que de tronco nu ia passeando de um lado para o outro bebericando uma garrafa de whisky. Só visto!
Lá parou de chover por volta da 1h, e como ninguém estava a conseguir dormir naquele resort ( tirando 2 chinesinhas geração iTudo que já ressonavam) veio tudo cá para fora, dormir nos suportes de plástico=cama, cobertos com as mantas que usamos nos camelos, completamente molhadas, e finalmente apreciar a prometida noite estrelada do deserto! =)
Acordámos pouco antes das 6h, com os camelinhos ao nosso lado, os escaravelhos refestelados na… isso mesmo e uma mosquitada irritante à nossa volta. Pouco depois fizemos o pequeno-almoço ( pão de forma tostado em carvão, compota de pacote em saco de plástico com abertura à dentada do Piru – ficou uma espécie de saco pasteleiro – e chai), arrumámos as coisas, montámos camelo e siga para bingo.
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Ingleses desertaram um pouco antes, nós chegamos ao local onde o Jipe do hotel deveria estar e nada…esperamos 40 min e finalmente lá vem o artista com a música nas alturas.
“My friend everything ok? You don’t have a happy face.”, arrisca o moço para o Diogo. Ui. Bad choice my friend. Desancadela monumental.
Basicamente não dormimos na tenda como previsto, descobrimos que pagámos bem mais que os ingleses pelo mesmo safari e ainda esperámos 40 mim a levar com sol do meio-dia no cachaço, tudo ou quase tudo graças ao excelente serviço do Tokyo Palace Hotel…pronto, o moço apareceu em má hora e levou resposta.
De regresso ao hotel e de banho tomado, reporting ao dono. O homem ficou tãããooo à rasca com o que ouviu que devolveu-nos 1000 rupias, embebedou-nos com chai e suplicou-nos que escrevessemos boas críticas no tripadvisor e booking.
Post longo e cadeia de fotos pesada, mas esta foi, até este post, a aventura mais aventureira. Achámos que valia a pena detalhar, esperemos que vós também. Valha-nos a vossa paciência!
18h autocarro para Udaipur. 12 horas de viagem numa caminha com bom aspecto e com AC. Acho que vamos gostar, mas…”eu sei lá menina, num sei se são chineses ou o c*****”.
Por isso, não percam o próximo episódio porque nós também não. =)

Jaisalmer – the Golden City

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01/08/2013

What a well slept night in our AC2 berths!! It felt like a 5-star hotel!!! =)

We arrived at Jaisalmer close to 12.45 pm (late about 1h30m, but from what we heard it’s normal when coming to this city). Only 40 km away from the border with Pakistan, you can feel the desert heat and some tension in the air with all the troops and military bases nearby. We got off the train to get a rickshaw to get to our hotel, but to our surprise, upon setting foot outside the station, instead of a horde of indians, chaotically trying to fetch a tourist, we face a well organized line of nice looking drivers all holding posters with the name of the hotel they represented and with a sheet of paper with the names of the people they were picking up. We looked closely and…there was this nice boy with an A4 sheet of paper saying “Tokyo Palace Hotel – Diogo Sousa”! =) We’ve got style! =) And we got a jeep this time!! =)


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Foto no comboio a caminho de Jaisalmer. Já dá para perceber a mudança de paisagem. Achamos que parece um quadro. Aceitam-se ofertas. =) / photo on the train, already you can see a different landscape

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With check-in complete, the hotel owner applied moderate indian style pressure for us to sign up for the hotel’s Camel Safari. So our readers understand he told us we had until 3pm to think about it, which gave us exactly 7 minutes to provide an answer. A true gentleman. We took the scarce minutes to put our backpacks in the room, which by the way, delighted us. With 4 minutes to the deadline, we pleased yet another indian, by accepting the safari without haggling (BIG MISTAKE). Just squeezed out of 3300 rupees (around 40 euros) and starving we headed for the hotel’s restaurant (in the whole of Rajhastan they are typically located on the roof). Blazing hot! Over 40 degrees! Dear friends and readers, we have reached the desert! At least we were getting our first glimpse of the sun in India! =)

Site suggestion: how about reading the remainder of this post to the sound of Sting’s Desert Rose? =)

We were immediately presented with the sight of Jaisalmer’s magnificent fort, unique in Rajhastan since it is the only one still inhabited and this one with thousands of people inside, many of them salespeople of course.
Since we wanted to take a break from indian food, we decided to order a chicken Chow Mein. This complex dish took the two chefs at an empty restaurant a good and short 50 minutes to cook and serve…As a result, we mostly ate chapatis. How we miss our Porto’s “Fu Sheng”, “Asian Star” and alikes.

This is a cute place, Jaisalmer is unlike anything we have seen so far. It’s more like a small town (but with the same cow-to-human ratio) and without the constant honking and chaos of the bigger cities. The landscape is entirely made of golden tones, sand colour and sandstone buildings.

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Forte de Jaisalmer é um dos maiores fortes do mundo. Foi construído no século XII pelo Marajá Rao Jaisal. / Jaisalmer fort, one of the largest in the world. Built in the XII century by Maharaja Rao Jaisal.

We climbed to the fort close to dinner time (10 strenuous minutes walking), with a small cricket match in between to which we were invited to by some street kids. Some small talk with the locals, who still keep presuming we are spanish and we ended up having dinner at this tibetan restaurant (rooftop also) with a magnificent view from the fort to the city. This time we had a delicious meal, chicken and veg dumplings and chicken curry with the regular rotis. The small rooftop had 3 tables with tourists only, 2 french, 2 italians and 2 portuguese. As soon as we realized the italians were from Padova and the guy had a pair of “Many” shoes on (as lots of other tourists we saw when climbing to the fort) the conditions were set for a pleasant conversation, in which the word Berlusconi was heard a few times (and not in his favour). The italian guy was saying the mafia times were better than present time, in his own words “Italians don’t have bad policies…we simply have no policies at all!”.
We ended up exchanging trip tips with each person talking about his/her experience, and with one of the french guaranteeing us that New Zealand was one of the places not to miss in this world! We plan not to!

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02/08/2013

8 hours before we enter the desert.

We climbed the fort to buy some appropriate desert clothing, since we were advised to take some Ali Baba style pants. When we packed we chose to stock up more on the Xanax and less on camel-riding wear! =)
We entered the store of this young man, aka António Banderas (self-entitled) who stroke us as a more western-style salesman.
The rather nice Chagal Mali (the so-called Antonio Banderas) is part of the Mali caste. This is an “average” caste in the caste ranking system, known for its devotion to agriculture (fruits, flowers and vegetables mostly).

We were shown hundreds of pants in different textiles, different colours, all overrated! We ended up spending a pleasant hour with AB, rather academic, and we had another chance to train our negotiation skills. They are not quite there yet, but definitely improving.
A good negotiation in India has to make the salesman more or less mad at you (if he/she was really pissed, there would be no sale, so you know you’d had a good negotiation). For the moment, since we are talking and learning so much from them, we feel bad lowering and lowering the price afterwards. However, it is crucial we keep reminding ourselves that what we are actually doing is reducing their profit margin from obscene amounts to very high amounts.
Regardless, our Banders offered us the traditional Masala Chai and we kept asking him loads of questions that were popping up.

Notes of the day::
– Jaisalmer Fort was built by Maharaja Jaisal Singh, hence the name Jaisalmer;
– Inside the fort and around Jaisalmer the Jain have built a series of temples; Jains were one of the higher castes and were received by the Maharaja inside the fort, in exchange for money to help build it; interesting to know that the symbol representing this caste is the same symbol used by the Nazis – the swastika;
– During the Maharaja’s time, lower castes could not trade, so they build underground tunnels to transport goods and trade without being seen!

Banderas also explained the origin of the different tissues cashmere, pashmina and shahtoosh, this last one a result of a rather horrendous ritual, with which not all indians agree with…we feel the same! It’s production has to be approved by the Government, since it requires the blood and insides of a baby from type of goat that lives in the mountains. The product bears a strong smell and prices start from 650 euros. It’s a niche product, searched by well, different people usually.

At the end we bought two pairs of pants which you will soon see in this post. We asked for a lunch recommendation from Banderas and we took us to the recently openend restaurant of a friend of his, Kahn, where we had our first delicious vegetarian chow mein for two for the price of 1,20€! Kahn was very nice and we took some pictures with him and the restaurant, while promising to help him promote “The Little Prince” on Tripadvisor!

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Back to the hotel to get some rest, 2 hours before our departure to the desert.

Just to give you an idea, we paid 3300 rupees and the program was as follows: departure at 16h and we would take about 2 hours to reach the desert. We would camp there for the night and come back around 11.30 am.
About 1 hour jeep ride to get to a Jain temple and stop by a local desert people village and another hour to get to our resting place riding a camel..

The tour started with a first stop at an allegedly Jain temple, which was in fact a small square wall guarding an even smaller altar at the center…at our first stop they were trying to get us to pay 100 rupees each to get in, which we delicately declined. Same for the japanese travelling with us, from Hokkaido, who didn’t speak a lot of English and most of the time smoked his mentol cigarettes contemplating the desert. We stopped in a small village, really small, with 10 people only, a single family of mother, father, 4 sons and 4 daughters. The interesting part was trying to understand how these people lived here specially when looking inside the water well that didn’t look very good…

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After this short visit we headed to the desert, finally! After about 30km we got to our 3 camels – number 1, number 2 aka Paulo and number 3. There we met our guide Piru who led our camels with us on them, to our sleeping location in the desert.
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During the camel ride, Piru told us a bit about his life and the people that work and live in the desert. Rough life! Basically he makes a salary of around 2000 rupees ( about 25 euros) and does 3 safaris a week. Since most safaris include 1 or 2 nights at the desert, he pratically doesn’t sleep at home  =( At least he was always in a good mood and he soon gave us names “Sara desert” and “Boss” (this last name says a lot about Indian culture and the way indians behave with westerners)!!
The ride was nice, even though under 40 degrees! This was a rather cool temperature for Piru who only complains when thermometers go over 65 degrees Celsius!!!!!
As we approached our resting spot, the weather was looking worse. It looked like it was going to rain, something that had not happened for 3 years in that desert, according to them! Piru kept thanking us saying that “Sara desert” brought good fortune, since it was going to rain, but all we were thinking was how the hell was our small tent gonna withstand a heavy rain!!
When we got to the spot we started to set up tent. Well not really, since this was never really set up at all. Given the dark incoming weather a group of 3 british, Joe ,Alice and Liz arrive after 5 minutes and started to share their experiences in 2 and a half weeks of travelling in India. Since horrible buses with no AC for 12 hour rides to other adventures, we were able to get some good advice for the rest of our journey in this country. Minutes later, we started cooking: chai, veg curry and chapati. While we were cooking a strong wind started and soon enough we had a little sandstorm that forced our chefs to change places several times to make sure the saffron bag had saffron only and not sand… People seemed to be relaxed but they were not since everyone was trying to adjust to the massive amount of beetles around us that kept chasing the camel excrements, but also there was some worry about the menacing rain approaching.
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Well then, after a filling meal we started getting ready to sleep, setting up the beds on the outside, assuming it would not rain.
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It was at this time more or less that a monsoon of rain started pouring on our heads forcing us to take refuge at the supporting hut nearby.
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We attempted to set up the two tents we had with us in our party, but with no success, too much water and wind and the tents were soaking wet inside with wet sand after 2-3min. Result: 13 ou 14 people sleeping inside a 20sqm space filled with beetles, spiders and alikes!!! Outside the rain kept pouring and we felt that we were sleeping in the greatest s%# holes of all time, with bugs all around, snoring-indians and the ones awake were loud as well and didn’t shut up for a second. In one word: heaven.
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We also had another indian “friend” that no one seemed to know where he was from that kept walking around half-naked with a bottle of whisky…
It stopped raining at 1am and since no one was being able to get any sleep inside our lovely resort (apart from 2 chinese girls generation iEverything who were snoring already too) everyone came outside to sleep in the plastic beds, covering them with the cloths used to ride the camels…, a bit wet, to finally contemplate the so promised desert starry night! =)
We woke up a little before 6am, with the camels next to us and the beetles delighted in camel s%#….that and also some annoying mosquitoes. Soon after we cooked breakfast (charcoal toasted bread, with jam inside plastic bag, bit by Piru to make it like a pastry sac and some chai), we packed our things, rode the camels and got the hell outta there!
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The Brits deserted us a bit before, we arrived at the location our jeep was supposed to be expecting us…with no Jeep! We waited for 40 min and finally the dude shows up, with loud indian music inside.
My friend everything ok? You don’t have a happy face.”, says the dude to Diogo. Ouch. Bad choice my friend. He took a word bashing.
Basically we didn’t get to sleep in our tents as foreseen, we discovered we had paid a lot more than the Brits for the same safari and we got to wait 40minutes under 12pm blazing sun, all thanks to Tokyo Palace’s Hotel excellent service…ok the dude showed up in a bad time and we got the appropriate reply.
Going back to the hotel and after a nice bath we reported the happening to the owner. He was really nice and gave us back 1000 rupees. He said and he was right, that the hut was for our party only not for the the other 9 people that showed up, so the service level was different, explaining the price difference too, but since the weather was so bad, they took the other people in. No complain with that, of course we would not say no to harbouring the other people, we just felt we deserved the compensation and so did he, so we got a good price in the end. The owner of Tokyo Palace Hotel was very nice to us and we left loving the hotel. He gave us copius amounts of chai while we waited for our bus and asked us to write good reviews. =)
A long post and lots of photos, but this was an adventure worth the detail we think. We hope you too. Thank you for your patience.
18h bus to Udaipur. 12 hours trip in a nice looking AC bed. I think we will like this trip, but this in India, who can tell?! =)
So keep tune for our next episode! =)

Jaipur, a Pink City

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30/07/2013

O nosso objectivo inicial era ir de Deli para Jaisalmer (uma zona de deserto que faz fronteira com Paquistão), mas não conseguimos um bilhete de comboio directo, daí termos feito “escala” em Jaipur.

Comprámos os bilhetes na New Delhi Station, no International Tourism Bureau que se localizava no primeiro andar da estação. É importante manter-se focado quando se passa na estação, porque é muito fácil e frequente ser-se abordado pelos inúmeros indianos que lá vivem e que querem ganhar a sua comissão em cada bilhete vendido, impingir uma viagem de tuc-tuc pela cidade, vender fotos com as suas crianças ou outros “serviços criativos”.


Eles são, na maior parte das vezes, muito simpáticos e divertidos e entendemos que para sobreviverem no caos e pobreza de Deli e de outras cidades indianas, têm de insistir e insistir…e é certo que o turista “não focado” será sempre o “alvo” predileto!! :)


No comboio para Jaipur realçamos a qualidade das cabines AC2, com beliches para 4 pessoas por cabine, que não sendo estilo europeu, não são um grande contraste para o turista ocidental, por isso paga-se um pouco mais, mas recomendamos vivamente a viagem de comboio nestas cabines em viagens prolongadas pois permite descansar um pouco e o tempo parece que voa. As AC3 também não nos parecem mal, são um pouco mais apertadas que as AC2 (beliches para 6 pessoas no mesmo espaço de uma Ac2) mas por outro lado um pouco mais baratas. No nosso caso até aqui temos optado sempre por AC2. Podem consultar o livro do Gonçalo Cadilhe “O Mundo é Fácil” onde ele detalha as melhores opções para turistas a viajarem na Índia.

Durante a nossa viagem tivemos o prazer de compartilhar a cabine com 3 indianos (na verdade era um homem e 2 mulheres, ficámos na dúvida se estaríamos na presença de poligamia ou não) todos super simpáticos e ficaram muito interessados na nossa viagem e muito, muito surpreendidos com o tamanho da nossa bagagem face à duração da mesma. Isto porque cada uma delas para saírem um fim de semana levam 3 malas cheias saaris, chapatis e açafrão. =)

Aquando da chegada a Jaipur (hora de jantar), as senhoras sacaram de uma deliciosa homemade meal que tiveram a gentileza de nos dar a provar. Yum!! Muito bom mesmo!

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Chegamos a Jaipur às 20h30 do dia  30. Mal pusemos o pé fora da carruagem, já tínhamos um simpático jovem a oferecer os seus serviços de transporte. A princípio não lhe demos bola, o que levou o rapaz a tentar sacar-nos qualquer tipo de resposta fazendo perguntas atrás de perguntas. Conseguimos manter-nos indiferentes até ao momento em que ele arriscou tudo e atingiu o limite da nossa paciência ao perguntar se éramos espanhóis!!!! Como?

Respondemos com as palavras do sábio Castro ” por supuesto que si!!” e perguntámos  “quanto es el tombo de aqui a Surya Villa Hotel?” =)

Pediu-nos 100 rupias ( menos de 2€) mas depois de percebermos que não sabia o caminho para o hotel (foi posto à prova pela Inquisição Diogo Sousa e falhou redondamente), então dirigimo-nos ao posto oficial dos tuc-tucs ( à saída da estação) e conhecemos aquele que seria o nosso main guide em Jaipur – Mr. Raul Rahis! Pagamos-lhe 85 rupias.
Chegados ao Surya Villa, depois de uma animada conversa com o Raul durante a viagem, não tivemos forças para voltar a sair.

Jantámos no hotel por 440 rupias (menos de 6€ ). Arroz branco, duas chamuças de legumes, curry de lentilhas e o sempre presente roti fizeram-nos as delícias!! Todos os funcionários do hotel foram extremamente simpáticos e o hotel em si era muito acolhedor ( se não relevarmos a mosquitada toda que andava por lá).

Ficámos até às 4h da manhã a (re)analisar o trajecto a fazer na Índia. Isto porque já está na hora de nos comprometermos com os próximos 3 voos ( Calcutá – Jakarta; Bali – Singapura e Kuala Lumpur – Tokyo) e para isso precisamos de saber quais as cidades a visitar até lá e quantos dias vamos passar em cada uma delas.

31-07-2013
Quarta-feira, 09h45.
Degustar pequeno-almoço em estado zombie.
Pequeno-almoço idealmente continental, mas sem nada do que habitualmente existe num pequeno-almoço continental. Ou seja, tostas com ovos e uma banana para cada um.
Para beber, algo que se assemelhava a café.
10h02-12:04: recuperar sono perdido. Vida dura! :)
O nosso crazy indian driver, Raul, chegou às 13h30 e partimos à descoberta de Jaipur, sendo a primeira prioridade: ALMOÇO!
Dado que estamos em período de monções, fica aqui uma ideia do panorama aka (e o termo que mais temos vindo a usar para descrever muitas ruas na Índia) Pardieiro:
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A vista do nosso Tuc-Tuc:
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Até agora dos sítios onde passámos, nos quais se incluem a capital da Índia, ainda não encontrámos um sítio sem ruas Pardieiro, aliás, difícil é encontrar ruas que não tenham pelo menos algumas vacas e porcos a explorar os amontoados de lixo:

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Mas como já tão bem retratada em livros, documentários e testemunhos de visitantes e locais, a Índia é um país que marca pela beleza dos seus contrastes e nós também estamos a comprovar isso:

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Palace of The Winds, construído em arenito vermelho e rosa (rosa que é a cor que dá o nome a Jaipur que é conhecida na Índia por Pink City), com a forma da coroa de um dos deuses hindus, Krishna. Uma particularidade interessante do palácio são as 953 janelas construídas para permitirem às várias mulheres do Marajá observarem as ruas e vida do dia-a-dia, sem serem vistas, pois eram obrigadas a tapar a cara no exterior.

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A cidade de Jaipur vive essencialmente de turismo e de manufactura de tecidos, joalharia, carpetaria. O nosso guia levou-nos, de forma comissionada mas não levámos a mal, às fábricas/lojas na Mughal Town,  onde se fazem e vendem estes artigos manufacturados.

Tivemos oportunidade de visitar e ver como se fabricam os tapetes únicos de pêlo de camelo, de seda e de lã de ovelha. Os senhores da fábrica fizeram-nos uma visita guiada a todo o processo na expectativa de nos venderem um dos, diga-se, líndíssimos rectângulos peludos (com preços a partir de 500 euros…portes não incluídos), mas sem sucesso…”tight daily budget my friend”, alegámos nós, enquanto bebericávamos um delicioso chai. =)

Ficam aqui amostras e aceitam-se encomendas para quem quiser. Pedimos que façam o mesmo que fizemos com o Raul, ou seja, conscientes de que temos comissão na venda, não levem a mal….”tight daily budget, my friends”. Just kidding! =)

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Tapete de Pêlo de Camelo
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Tapete de Lã de Ovelha

Como só passámos um dia em Jaipur e ainda por cima debaixo de monção, não tivemos oportunidade de visitar os fortes mais distantes, mas ainda assim a experiência que ficou das 24 horas que tivemos para visitar foi positiva e com mais tempo, quem sabe, poderemos vir a regressar à Pink City.

Tivemos um jantar delicioso com o nosso guia, que nos deu muita conversa e nos começou a deixar algo impacientes quanto à hora de partida para apanharmos o comboio…”it’s really close my friend. Station only 3 minutes away”. Finalmente chegámos à estação onde tivemos um simpático misunderstanding quanto à remuneração do Raul pelos seus serviços, mas lá nos ficámos pelo que tinhamos acordado inicialmente. Duas fotos da praxe e bye bye Raul, see you next time.

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A cerca de 20 minutos de terminar o dia,  tivemos a última aventura. O “very close” passou a very far quando, na entrada da estação, o quadro das partidas mostrava todos os comboios…menos o nosso que era às 23h45, ou seja tinhamos aproximadamente 8 minutos para o apanhar e não sabíamos onde. Imaginem-se na estação de campanhã nesta situação. Chato, mas ok, faz-se, no limite dormem lá sem grandes medos.

Agora imaginem-se numa estação de comboio indiana, caótica, cheia de gente (ou seja, uma estação de comboio  indiana), com controlo de bagagem incluído logo à entrada, sem ideia da plataforma para onde nos dirigirmos. No espaço de 2 minutos encontrámos um senhor que lá nos indicou a plataforma 4. Começámos a correr de mochilas às costas (escusado será dizer que estas condições implicaram suadeira em bica; sempre bom quando vamos para uma viagem de comboio de 10 horas), subimos as escadas para atravessar a ponte pedonal que ligava à tal plataforma, apenas para descobrir que a descida para a plataforma 4 estava bloqueada para obras. Ora portanto, recapitulando: já só com 5 minutos conseguíamos ver o comboio, só não sabíamos lá chegar. Tentámos descer para a plaforma 5-6 e ver se teria acesso, mas nada. 4 minutos. Subimos de novo a ponte pedonal e descemos pela entrada para a plataforma 3.  Diogo salta para linha de comboio e Sara nada. 3 minutos. Diogo, delicadamente, berra: “SARA SALTA PARA A LINHA”! Sara a medo, começa a descer. Saltámos a divisória que separava a linha 3 da 4 e, contrariamente aos ratos que lá se encontravam, subimos da linha 4 para a zona de embarque da linha 4. Ufff…agora só temos quase 1 kilómetro de comboio para correr (sim, porque eles aqui são pequenos…) em 2 minutos. Doable! Lado a lado fomos perfurando a multidão, empurrando e derrubando passageiros e vendedores sem distinção. Já tínhamos percorrido uns 300 metros quando se ouve um estrondo seguido de gritos de alguns dos locais presentes. A mochila com máquina fotográfica, PC, passaportes, carteiras, telefones e afins (sim porque inteligentemente levávamos tudo na mesma) abre-se e máquina fotográfica e cabos de pc no chão. A 1 minuto do comboio arrancar estávamos separados com a Sara à porta de uma carruagem que não era a nossa mas ia ter que servir e o Diogo a correr em direcção à mesma carruagem depois de recolher os itens perdidos e a correr com a única mão livre nas costas da mochila  que nem tinha tido tempo para fechar. Entrámos, conseguimos. Carruagem errada e sem passagem pelo interior para a nossa. Acabámos por travar conversa com alguns dos passageiros e staff do comboio e depois de uma hora de espera, na primeira paragem do comboio lá corremos para o sítio certo.

1h da manhã e finalmente deitados na cama do AC2. Boa noite e até amanhã se Deus quiser.

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