Udaipur – Lake City cornadas e cozinha indiana

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    04/08/2013

    Sleeper AC bus. Ouch!

    Foram 12 horas de condução absolutamente assustadoras por caminhos não acessíveis a autocarros…em Portugal. Nem a Space Mountain bate aqueles solavancos. Mas o melhor era mesmo a “buzina”. De 4 em 4 minutos lá estava o homem a soltar o apito como se a sua vida dependesse disso. Bem…na verdade dependia. A dele…e a nossa!
    (Ora e aqui segue um pequeno excerto que não podemos deixar de partilhar. Da buzina apenas. As partes assustadoras não conseguimos gravar de todo) =)



    Apenas 3 ou 4 horas de sono e lá chegamos a Udaipur, sem grandes hematomas. Chegámos mais cedo do que o previsto, por volta das 5h20. O check-in no hotel era só a partir das 10h, mas dada a falta de alternativa lá negociámos mais um rickshaw e tentámos a nossa sorte. Conseguimos, o moço que estava a dormir no chão da recepção do hotel, ligou ao “boss” (como ele o apelidava) e ele deixou que antecipássemos a nossa entrada. Quarto not bad (não publicámos o quarto de Jaisalmer, mas tamos com sorte nos quartos até agora…especialmente depois de ter visto como são alguns hotéis e guest houses aqui!)!
    roomudaipur
    11h. Colados ao pc, terminámos e publicámos o post de Jaipur. =) Agradecemos desde já os awesome comentários!!
    13h. Fomos almoçar ao Savage Garden, restaurante recomendado pelo Lonely Planet. Primeira refeição mediterrânica na Índia. Frango grelhado com batatas aos cubos fritas, acompanhadas com um molho delicioso parecido com molho de aves. Nhamy!!
    savage_chicken
    savage garden
    Tarde de passeio por Udaipur.
    Primeiras impressões: a cidade é mais arranjadinha e não vimos tanta pobreza.  Mas é importante relevar que o número de habitantes (cerca de 700.000) é muito inferior ao de Deli e Jaipur (14 e 5 milhões, respectivamente).
    Visitámos o mercado com a típica street food, lojinhas de lenços e sarees, de jóias, de telemóveis e afins e de pinturas-miniatura ( algo muito típico de Udaipur) e vendedores de flores, vegetais, entre outros.
    Senhora que rogou pragas ao Diogo a 30 deuses hindus...esperemos que os restantes 2970 a tenham ignorado...
    Senhora que rogou pragas ao Diogo a 30 deuses hindus por lhe termos tirado a foto…esperemos que os restantes 2970 a tenham ignorado…
    ladysellingveggies

    ladypink

    É giro ver o quão deliciados eles ficam quando se vêem na foto. É um dos encantos da Índia. A genuinidade e alegria presente com coisas para nós tão banais.
    É giro ver o quão deliciados eles ficam quando se vêem na foto. É um dos encantos da Índia. A genuinidade e alegria presente com coisas para nós tão banais.
    Fotografia tirada aquando do momento descrito abaixo....muuuuu
    Fotografia tirada aquando do momento descrito abaixo….muuuuu
    Entre fotos e conversas com locais, lá vem uma vaca sagrada contra a Sara. Ainda doeu, mas teve mais piada do que outra coisa. =) (claro que a partir daí sempre que uma se aproximava, a Sara fugia a sete pés e o Diogo tentava encontrar caminhos alternativos. Pudera!).
    A cidade, ao anoitecer, é extraordinária!
    A vista para o Lake Palace e para o Palácio Jag Mandir, “pequenas ilhas” do lago Pichola arquitectam um romantismo sublime à cidade. Jantámos num terraço com vista para o lago e para os edifícios que o rodeiam e ficámos rendidos à cidade!
    Exceptuando Jaisalmer, que é tão diferente que nem faz sentido comparar, esta é, definitivamente, a cidade mais bonita que visitámos na Índia.
    udaipur by nightniwas palaceus_udaipur_night
    Dia seguinte devidamente agendado – sightseeing das 9h30 às 17h e cooking class das 18h às 21h – expectativas em alta.
    Wanna buy? =)
    05/08/2013
    09h. Pequeno almoço continental. Café e torradas abundantemente barradas com ghee! Delicioso!
    breakfast
    Visita ao City Palace com guia.  Quando nos perguntou de onde éramos,  lançou um icebreaker na forma de um ditado sobre os portugueses: “Portuguese: the first to come and the last to go”. Na verdade o período de permanência dos portugueses durou de 1492 até 1961, ou seja, já depois da independência da Índia em 1947, motivado pelo facto de Goa não ser parte da Índia naquela altura.

    A julgar pela quantidade de vezes que nos perguntam se somos de Espanha, ou têm má memória…ou não deixámos uma boa impressão…

    AVISO IMPORTANTE: segue enchurrada de informações/curiosidades. Para os que sofrem de aborrecimento precoce procurem as palavras: “Era a pagantes!!!” para saltar à frente. =)

    No City Palace concentram-se o museu real e a residência oficial dos antigos reis de Udaipur. O palácio foi mandado construir pelo marajá Udai Singh, o qual deu o nome à cidade Udaipur.

    O palácio demorou 450 anos a ser construído, com 22 reis durante esse período, motivo pelo qual não tem nome. Está dividido em 2 alas, uma parte para o rei e outra para as suas mulheres. Isto acontecia pois o marajá era obrigado a dar um apartamento a cada mulher de prenda de casamento.
    No Hinduísmo não existe a figura do divórcio. Quando se casa, casa-se para 7 vidas. Se há um problema entre marido e mulher, toda a família se reúne para discutir e resolver o problema. Ainda estivemos para partilhar o nosso provérbio: “Entre marido e mulher ninguém mete a colher”, mas dados os cerca de 73 divórcios em cada 100 casamentos em Portugal…se calhar o melhor é mesmo enfiar o pessoal todo lá em casa. Just saying… =)
    Em Udaipur o rei não era chamado Marajá, mas sim Maharana, o rei dos reis. Isto porque os reis em Udaipur nunca se renderam a inimigos (cidade sempre invicta) e nunca cruzaram a sua linhagem com famílias não pertencentes à sua cidade.
    Na visita ao palácio destacamos as obras de arte pelas quais Udaipur é famosa: pinturas em miniatura. As miniaturas não são pequenas, são detalhadas. Quase todas as obras retratam casamentos, caçadas ou outros eventos reais e um traço muito distintivo é o uso do ouro, o uso de materiais para fazer as cores provenientes de minérios locais (que fazem com que os quadros não percam as cores com o passar do tempo) e o uso de um pincel da grossura de um cabelo.
    E sabem aqueles quadros religiosos com figuras que são retratadas com auréolas douradas? Segundo o nosso guia, a proveniência deste símbolo vem também da cultura indiana, pois nestes quadros o rei aparece sempre com uma auréola dourada.
    O guia elucidou-nos quanto às 4 castas principais na Índia originalmente: clero (brahmins), guerreiros (shatri; às quais pertenciam os reis), burguesia (veshya), povo (shudra). Muito semelhante ao sistema europeu.
    Percebemos também que o calendário Hindu, Samvat, está 57 anos à frente do nosso e começa em Março. Ou seja, feitas as contas estes meninos andam em 2070…não parece.
    Para quem quiser esmiuçar um pouco mais a complexa cultura indiana, o hinduísmo tem 3 deuses principais: Vishnu (Deus Protector), Bhrama (Criador) e Shiva (Destruidor mas Criador ao mesmo tempo, este último considerado o mais complexo). Para terem uma ideia, o exemplo que nos deram para o explicar foi a passagem da infância para  adolescência – para darmos lugar ao adolescente, a criança teve que ser “destruída”. Todos os outros deuses existentes são reencarnações destes, excepto Shiva. Shiva nunca reencarnou e nas suas representações nunca usa joalharia ou roupas, pois Shiva escondia o “mundo cósmico”. No “mundo cósmico”, o ser humano nunca produz verdadeiramente nada, no sentido em que quando morre, nunca nada é dele, deixa tudo para trás.
    Outro aspecto curioso é que, segundo o hinduísmo, o universo começou numa imensa bola de fogo, sem forma. Rings a bell?
    Por fim acrescentamos que cada hindu é livre de escolher os deuses ou deusas que quer adorar. Noiiice!
    Infelizmente, por um dia, perdemos o Festival da Cor, muito típico da Índia, no qual as pessoas atiram tinta e flores umas às outras. Parece que tudo o que seja motivo para sujar mais é bem-vindo!!! =) A verdade é que faz jus à imagem que temos da Índia, porque quando pensamos no país, pensamos em especiarias, saaris coloridos, as ricas ornamentações, entre outras…e em todas estas coisas o que ressalta é a cor.
    Tudo isto é a face da sociedade indiana, uma sociedade que vibra de (e com) cores em cada recanto e retrato.
    citypalaceentrancecitypalace
    As fotos acima são do exterior do City Palace. Tivemos que fazer uma descrição detalhada (agradecemos aos que aguentaram connosco até aqui) pois não levámos máquina fotográfica para o interior. Era a pagantes!!!
    Depois do palácio seguiu-se um tour pelos highlights da cidade.
    Next stop: dois dos lagos adjacentes (os 3 lagos da cidade estão todos ligados para ajudar a escoar águas em excesso aquando das monções). Em tempos, a água nestes lagos foi límpida…hoje em dia, estes são frequentados por outro tipo de utentes.
    Dois utentes a banharem-se.
    Dois utentes a banharem-se. Diz o de trás pó da frente “Can you muuuuuve?”
    Princess Garden visto de esquina com utente
    Princess Garden visto de esquina com utente “normal” desta vez!

    sarakid

    No pride, just prejudice?
    No pride, just prejudice?
    Fuuuuuusão!
    Fuuuuuusão!
    Os locais não perdiam uma oportunidade de pedir para tirar fotos com a Sara. Diogo com auto-estima em baixo. =)
    Os locais não perdiam uma oportunidade de pedir para tirar fotos com a Sara. Diogo com auto-estima em baixo. =)
    The biggest fountain in Rajasthan. Impressive. o_O
    The biggest fountain in Rajasthan. Impressive. o_O

    squirrel

    Modo mais barato, entenda-se o mais comum, de viajar na Índia. Full body AC included!... and hairstyle! É curioso notar que alguns dos
    Modo mais barato, entenda-se o mais comum, de viajar na Índia. Full body AC included!… and hairstyle! É curioso notar que alguns dos “atrelados” estavam devidamente prevenidos com guarda-chuvas. Afinal de contas estamos em época de monções.
    Pausa para almoço leve. Mutter Mushroom.
    Pausa para almoço leve. Mutter Mushroom.
    Tributo de Udaipur ao legado de Kurt Cobain.
    Tributo de Udaipur ao legado de Kurt Cobain.
    Após almoço seguimos para o Monsoon Palace, a pouco menos de 2000m de altitude. Trata-se de um antigo palácio de férias do rei, do qual registamos aquilo que achámos mais bonito que foi a vista.
    udaipurviewmonsoonclose udaipurviewmonsoon
    saramemonsoon
    A seguir ao Monsoon Palace, descemos em direcção ao centro da cidade de novo, não sem antes o nosso condutor de rickshaw/guia (aka Prince!) nos encaminhar para uma chamada “escola de arte”, onde poderíamos observar mais pinturas miniatura e aprender mais sobre esta arte com um “professor”.
    Achámos estranha tanta cortesia, mas já estávamos a suspeitar o que aí vinha. Depois de 2 tentativas de icebreakers falhadas por parte do dito professor, fomos encaminhados para aquilo a que já chamamos de “sala de oferta de chá”. A pachorra já é tão pouca que o Diogo pulled a “Harry”. Basicamente fez uso da Fake-A-Call (app Iphone), para ajudar o imaginário Harry, um amigo supostamente detido  numa esquadra de polícia.
    Se calhar tinha sido mais fácil dizer ao homem que não estávamos interessados. Pá, mas esta malta insiste demasiado, ia demorar mais tempo…Não sabemos se colou ou não, facto é que nos pusemos dali para fora em 30 segundos (incluindo o tempo para calçar de novo os sapatos), deixando o “professor” lá dentro ainda um pouco incrédulo. Até o Prince ficou meio abananado…pudera…lá se foi a comissão do dia.
    Terminámos o tour no grande Bazar da cidade:
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    Terminado o tour, lá fomos nós para a tão aguardada aula de cozinha indiana, com a simpática Mary. A aula decorreu em casa da Mary e do Robin, o seu marido, que também nos auxiliou.
    Cozinhámos desde as 18h30 até cerca das 20h30 e fizemos 5 tradicionais pratos indianos. Not bad! =)
    Mais tarde iremos criar um sítio específico no blog para postar as receitas que formos aprendendo, por agora enumeramos apenas os pratos:
    Kadhi Pakora – dumplings de grão de bico num molho de iogurte e especiarias
    Saffron Chicken – percebe-se! =)
    Vegetable Samosas – também se percebe bem =)
    Paratha – pão indiano, tipo naan, mas cozinhado em frigideira (naan é tradicionalmente cozinhado em forno tandoori)

    Gulab Jamun – doce indiano de leite em xarope de açafrão

    Kadhi Pakora
    Kadhi Pakora
    Saffron Chicken
    Saffron Chicken
    Vegetable Samosas
    Vegetable Samosas
    Paratha
    Paratha
    Já na mesa, pronto a ser degustado =)
    Já na mesa, pronto a ser degustado =)
    Last but definitely not least...delicious dessert: Gulab Jamun!
    Last but definitely not least…delicious dessert: Gulab Jamun!

    No final da deliciosa refeição, tivemos uma agradável conversa com o maravilhoso casal e ficámos a saber que o Robin tinha sido, em tempos, Lead Man (produtor responsável pelas decorações e sets) em alguns filmes de Hollywood e Bollywood tendo, entre outros, produzido o The Darjeeling Limited e o Ice Storm, este último com muitos ilustres, dos quais mostramos dois:

    Kevin Kline, Robin, Tobey Maguire
    Kevin Kline, Robin, Tobey Maguire

    E fica aqui a recordação da magnífica noite com o simpático e acolhedor casal:

    us and mary_robin

    Next stop: Jodhpur! Com paragem no Forte de Khumbalgarh e no templo Jain em Ranakphur. Viagem de aproximadamente 7 horas de táxi. Com grande negociação da nossa parte, acabou por ficar mais barato. Mas não foi desprovida da sua dose de aventura. Por isso não percam o próximo episódio, porque nós também não!

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