Quais os números da sorte chineses? Come find out while robbed on a tea ceremony in Shanghai!!! =) (pt)

17 horas de comboio. Hard sleeper (cabine 6 camas). Top and middle berth. But it gets better…o John ia conosco.

A questão é: quem raio é o John? Voltemos ao início então.

Já demasiado mal habituados ao luxo do Chung King Mansion em Tsim Sha Tsui e de visto chinês de grupo em punho, apanhámos o comboio das 15h para Xangai. De notar que para quem quiser fazer esta viagem, os comboios de Hong Kong para Beijing, em meses designados do ano, saem apenas em dias ímpares e o contrário em dias pares (para mais infos vejam pf o site seat61.com). O comboio era bem asseado e, como seria de esperar, estava à pinha de chineses, de entre os quais o nosso companheiro de cama do meio, beliche 22cm ao lado, John. Rapidamente iniciou uma conversa connosco, com passagem por tudo aquilo que era de seu direito saber…”quem somos”, “de onde vimos”, “o que raio estamos a fazer no país dele” e, o supra sumo do conhecimento, “como é que dois portugueses conseguem viajar durante um ano”. Ambos alimentámos a conversa durante algum tempo, mas com o passar das horas só o Diogo conseguiu calmamente responder à avalanche de perguntas que se seguiram…vale a pena partilhar algumas.

“You don’t even know where your hostel is?” “Portugal is from PIGS, right?” “She not going to wash her face?”

Ahhhh John, we kinda miss that soft skills man!! =)

Chegados a Shanghai, depois do John nos ter dito, com tom especialmente imperativo, para pegarmos nas mochilas para sairmos, ainda nós estávamos a uns bons 10 minutos da nossa paragem (algo que todos eles fazem, diga-se de passagem! Ainda falam dos tugas quando o voo da Ryanair está quase a aterrar…pelo menos nós temos motivos!! ), e nós termos, simpaticamente, negligenciado o pedido, seguimos a nossa vidinha, desta feita sem John. Esta descrição foi um pouco maldosa, é verdade, mas apesar dos pesares o rapaz não parecia ser má pessoa. =)

Dedicámos o resto do dia ao descanso (na verdade pouco dormimos no comboio…!!) e a dar umas voltas pelas ruas perto do hostel e pela People’s Square, também mesmo ao lado. Esta praça é um dos “to do” recomendados em Xangai, essencialmente pelos vários edifícios modernos, centros comerciais e restaurantes que adornam a rua, evidenciando o intenso crescimento que a cidade vive e contrastando com as várias ruas transversais, bem mais pobres e sujas.

O dia seguinte, o dia da “praxe” (= turistar pela cidade) foi particularmente interessante…Passeámo-nos por Puxi, a parte velha de Xangai onde se concentram 90% dos habitantes da cidade e onde nascem cada vez mais centros comerciais, KFCs, Zaras e H&Ms. Com um excelente dia para caminhar à nossa frente, seguimos até à marginal à beira-rio, conhecida como Bund, uma das zonas mais turísticas da China onde estão dezenas de prédios (bancos, jornais, empresas, consulados e hóteis essencialmente), cujo estilo arquitectónico parecia um pouco mais “europeu”. Seguindo pela marginal do rio Huangpu podemos tirar umas boas fotos do distrito financeiro Lujiazui em Pudong, o maior centro comercial e financeiro da China continental nos dias que correm.

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Pratada de noodles para energizar o dia.
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Watch out USA…they’re closing in…
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Como o dia estava mais que bom para caminhadas, seguimos em direcção à cidade velha, com passagem pelo Jardim Yuyuan, onde teve lugar o encontro que acabou por marcar a nossa visita a esta jovem cidade (dada a escala milenar do país).

Ora bem, foi no dito jardim que encontrámos um casal chinês que depois de nos pedirem para lhes tirarmos uma foto (e retribuírem o favor) sugeriram que seguíssemos juntos para a cidade velha. Como nos pareceram simpáticos e dispostos a darem uma ou outra dica do que visitar naquela parte da cidade, aceitámos de bom grado a sugestão.
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Converseta para aqui e acolá e…ui, onde raio estamos nós? A subir as escadas para participar numa cerimónia de chá que, nas palavras dos moços, se tratava de must em Xangai. Something semelled fishy, alright!

Mal dito, mal feito. Fechados numa salita com uma menina chinesa, vestida a rigor, e de expressão muito simpática, fomos apresentados ao ritual do chá na China. Começaram por nos explicar quais os números da sorte chineses – 6, 8, 9 e 10 – seguido da mostra da “ementa” dos chás disponíveis para a prova. Para terem uma ideia cada chá custava cerca de 5€ a taça e supostamente teríamos de provar, no mínimo 6!! Isto cuidadosamente explicado pelos meninos que ali nos haviam encaminhado, porque a menina da cerimónia não sabia falar inglês!

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O Diogo já a controlar a espuma, entre dentes, comenta com a Sara “ok…isto é esquema, certo?!”, ao que ela, ainda incrédula por ter sido enganada por aquelas carinhas de anjo chinas, acena em jeito de confirmação. Delicadamente explicámos que sendo pobres backpackers a viajar durante um ano, poderíamos apenas provar um, algo que aqueles meninos, que já contavam com uma bela comissão, tragaram com muita dificuldade.

Verdade seja dita (que estes posts às vezes parecem mais muros de lamentações que outra coisa), a cerimónia em si foi bem interessante e os chás eram  deliciosos (acabámos por provar dois, porque o rapaz também quis escolher um), o único problema era mesmo custar-nos duas noites de alojamento!!!

No final da cerimónia a menina ainda nos perguntou se queríamos comprar uma caixinha de chá para oferecermos aos nossos entes queridos ao preço simbólico de 40€, algo que nós e o moço recusámos, mas a miuda decidiu comprar para presentear os papás e nesse momento o amigo dela chegou-se à frente e disse que pagaria ele pela tal prenda..(sendo isto esquema pareceu-nos no mínimo estranho).

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Finalmente vem a continha para a mesa. Supostamente nós teríamos de pagar apenas dois chás (cerca de 20€), mas na verdade já imaginávamos que eles aindam iam tentar um último “golpe”…  E acertámos na mouche! O chico esperto que nos convidou para esta bela festa, arrisca tudo e pergunta/sugere ao Diogo: “we’re both men here. Shall we split the bill?”

HAHAHAHA seria tão bom ter fotografado a nossa reacção! ;P Delicadamente recusámos e esclarecemos que pagaríamos apenas pelo que havíamos consumido.

De notar que a senhora lá do sítio não processou o pagamento com cartão do nosso amigo à nossa frente. É quase certo que eles não pagaram absolutamente nada, mas também pelo que consumimos… não receberam grande comissão!

Lemos mais tarde histórias sobre este esquema em que vários turistas chegavam a gastar centenas de dólares…e alguns nem no final se apercebiam  pensando que tinham tido uma meaningful experience :-) Ai Bida!

Mal saímos da casa de cerimónias de chá, bem picados por termos sido levados num esquema por dois miúdos, convidámo-los para darem o prometido passeio pela cidade velha connosco (numa clara tentativa de os deixar ainda mais desconfortáveis…também somos bem mauzinhos, verdade seja dita). É claro que a resposta foi um imediato e temeroso “não”! Ainda não eram sete da tarde, mas já era noite e eles tinham muita pressa em voltar para casa…yeah right! Fica aqui uma foto para que possam dar cara aos protagonistas da nossa passagem por Xangai. =)

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Chegados finalmente à cidade velha ficámos rendidos às ruas completamente iluminadas e adornadas por uma construção tradicional bem restaurada, pelo frenezim de lojas, restaurantes e street food e, sobretudo, pelo famoso templo da Cidade de Deus, que àquela hora, naquele dia e com aquela iluminação nos pareceu absolutamente stunning.

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Castro, sempre nos nossos pensamentos:
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A nossa comidinha preferida…a de rua!
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Xiao Long Bao: o famoso dumpling com sopa e porco no interior…yummy (para o Diogo)!
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DORAEMON!
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O rei dos acepipes teria gostado deste “camarote”…
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Dadas as merecidas voltas pela cidade velha, seguimos para o hostel com direito a um último passeio novamente ao longo da marginal do rio Huangpu. De um lado do rio tínhamos os edifícios históricos da área do Bund completamente iluminados e do outro o skyline de prédios futuristas adornados a néon. Regalámo-nos com as fotografias! =)

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E foi assim que espreitámos Xangai, a segunda maior cidade da Républica Popular da China com uns consideráveis milhões de habitantes (área metropolitana de 20M segundo o wiki). Uma cidade cosmopolita e vibrante onde o antigo e o moderno se misturam e encantam. Apesar de ter sido uma passagem curta, valeu muito a pena.

Amanhã o comboio leva-nos para destinos mais familiares…Stay tuned! :)

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