De Ho Chi Minh ao Império Khmer

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Transfer para o Cambodja de Ho Chi Minh, num autocarro nada mau, semi-cama, bem espaçoso, deixando-nos a sensação que ainda vamos sentir saudades deste tipo de transporte…
Mas para já Cambodja. A passagem da fronteira foi simples, o VISA é obtido na fronteira, no próprio autocarro paramos junto à fronteira do lado do Vietnam onde um funcionário da empresa de transporte recolhe passaportes e fees e trata do grupo todo, sendo depois apenas necessário ir recolher o passaporte ao interior para confirmação de caras por parte dos guardas no lado do Vietnam e seguir para as lentas filas no lado do Cambodja, com uma amálgama humana de turistas a tentarem obter carimbo.
Demorado, mas simples.
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Pouco depois de entrarmos no Cambodja a paisagem era essencialmente rural, com inúmeras casas ao longo da estrada com pequenos terrenos de agricultura de subsistência. As casas com mais posses, pelo menos metro e meio a 2 metros acima do nível do solo, para escapar às cheias anuais.
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Parámos para um almoço ligeiro e caro para o local, embora barato ainda assim para ocidental, almoço esse que muito se assemelhava a comida tailandesa. Comprámos alguns snacks para aguentar o resto de uma tranquila viagem.
Ainda metemos conversa com um estudante taiwanês nos EUA curioso sobre a nossa viagem e que ainda partilhou as suas experiências da América do Sul. À chegada a Phnom Penn, já noite, acompanhou-nos na busca de um hostel. Alugámos um riquexó para nos conduzir ao centro e especificamente um hostel que nos foi recomendado por um local no autocarro, mas a pesquisa foi desesperante. O preço que nos foi dado não correspondia ao que nos tinham dito, pelo que o condutor foi-nos conduzindo de hostel em hostel. Um dos quais foi provavelmente o pior sítio que já vimos nesta viagem até hoje. Provavelmente uma prisão na América do Sul teria melhores condições.
Despegámo-nos do taiwanês e finalmente o nosso condutor nos levou a um hostel não excelente, mas suficiente e de preço certo. Acabou por ser um tiro na mouche, pois passámos uma agradável noite em Phnom Penn, à conversa com dois jovens (canadiano e holandês) que nos deram algumas dicas sobre o país. E ainda tivemos a magnífica companhia de vendedores de menos de 1 metro de altura que estavam mais interessados em brincar do que vender.
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No hostel comprámos o autocarro de manhã para Siem Reap. Optámos por um transporte mais pequeno, que demorava supostamente menos 1 hora (5 horas em vez de 6 horas). Demorámos 6 horas e meia, no entanto, os autocarros demoraram 8 horas pelo que gostámos da opção. A estrada era péssima, mas uma bela paisagem, semelhante à que vimos a caminho da capital.
Mal chegámos ao autocarro, a Sara dizimou a população de mosquitos presente no veículo em menos de 4 minutos…
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Chegados a Siem Reap começámos a ver de novo alguma civilização, no caso uma cidade que nos pareceu bem turística, por vezes demasiado turística. No escritório da nossa transportadora ainda cravámos um riquexó ao nosso hotel (muita lata), mas compensámos o condutor pelo seu esforço, que nos tentou logo vender o seu tour a Angkor Wat.
Ficámos no magnífico King Boutique Hotel, uns deliciosos 4 dias, um hotel bem confortável, razoável pequeno-almoço, com piscina para refrescar ao fim das quentes tardes e ao preço da chuva, como mandam as regras. As nossas regras pelo menos!

Em Siem Reap reencontrámos ainda o nosso Carlos e os nossos dois amigos de Barcelona da viagem do autocarro com chuva! Tivemos a oportunidade de jantar todos juntos com um belo repasto khmer servido em folhas de banana, com sabores que nos recordaram a Tailândia também.

Os nossos amigos de Barcelona terminavam ali a viagem, pelo que depois de nos darem dicas para Angkor Wat despedimo-nos, trocando contactos para o futuro!  Acompanhámos o Carlos ao seu hotel e combinámos partilhar transporte para o dia seguinte na nossa visita a Angkor. Conseguimos marralhar um pouco mais o preço e dividido por 3 ficou ainda mais em conta. Directos para o hotel pois tínhamos que despertar de madrugada para um momento único.

A cidade às 4h da manhã já tinha bastante vida. O ruído dos riquexós a encher o ar da ainda noite transportando centenas de turistas para o momento do despertar da antiga capital do império Khmer com o nascer do Sol por detrás da entrada para o complexo.
Depois de uma surpreendentemente rápida passagem pelas bilheteiras (nem 2 minutos de espera com várias filas a venderem/imprimirem bilhetes personalizados com a nossa fotografia) o condutor deixou-nos na entrada e caminhámos quase sem ver onde punhamos os pés para o lago em frente às ruínas, o melhor sítio…e onde já nos aguardavam umas centenas de turistas com primeira fila garantida.
Um silêncio geral e parecíamos imersos numa floresta tropical rodeados de densa vegetação e o som da fauna que desta feita despertava um pouco mais tarde que o Homem.
Apesar das muitas cabeças e objectivas à frente nada nos demoveu na busca da foto perfeita. Assim que o sol começou a nascer estávamos a pegar ou no Carlos ou na Sara ou no Diogo para uma vista e fotografias ‘limpas’. Sente-se a imponência do local e é um momento que vale bem a pena o esforço de deixar os braços de Morfeu.

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Depois do nascer do sol é que veio a primeira encrenca do dia. Encontrar o condutor. Sim, porque àquela hora não havia turista algum que já tivesse tomado o pequeno-almoço e a maior parte voltava à entrada para o motorista para ir tomar o pequeno-almoço a que tinha direito no hotel. Ora encontrar um cambodjano que tínhamos visto às 5h durante nem 15 minutos com um olho aberto e meio fechado…no meio dumas centenas de outros iguais (sem desrespeito) foi tarefa hercúlea. Ao fim de alguns minutos lá tivemos a sorte de ser ele a avistar-nos pois nós íamos olhando para vários grupos à espera que alguém lá no meio nos reconhecesse, dada a nossa incapacidade de fazer o mesmo.
E eis que veio a segunda encrenca. Não nos quis levar ao hotel…era muito longe, muita gasolina. Fugindo ao combinado lá nos encaminhou para outra parte da antiga cidade. Tudo isto porque no local onde tínhamos visto o nascer do sol o preço mínimo para pequeno-almoço eram 5 dólares…por cabeça…a comer uma mísera panquecaSem querer menosprezar o pequeno-almoço cambodjano…mas…por 5 dólares comíamos 1 torrada, uma nata, meia de leite e café e ainda tínhamos troco nas nossas queridas terras lusas. Chegados à outra parte ainda tivemos que marralhar não escapando a largar 3 dólares por cabeça ainda assim. Infelizmente todos os dólares têm que contar! :)

Partimos depois para a exploração dos vários locais, templos e vestígios da cidade que ainda continua a ser ‘redescoberta’ pelos arqueólogos dada a imensidão da área que ocupa havendo muito por explorar ainda. Foi uma visita magnífica, com a excelente companhia do Carlos e com algum humor com o nosso condutor depois de fazermos as ‘pazes’.

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Pausamos para almoçar em Siem Reap e depois descansar no hotel até à hora do também magnífico pôr do sol em Angkor Wat.

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A visita ao recinto do antigo império é sem dúvida o ponto alto de Siem Reap. A cidade em si não tem muito que ver e fazer para além dos night markets, massagens e spas e vida nocturna de restaurantes e bares. Apesar de ser bastante turística valeu a pena ficar lá mais uns dias para pausar a viagem e deliciarmo-nos com a culinária!

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Tivemos que nos separar do Carlos que seguia para Ho Chi Minh para apanhar o voo de regresso para Espanha, mas ficou a promessa do reencontro rápido assim que voltarmos a pisar terras lusas.

Nós despedimo-nos do Cambodja apanhando o autocarro para a fronteira com a Tailândia. Havia mais locais para visitarmos mas temos que ter motivos para regressar ao Sudeste Asiático no futuro, não é verdade? Partimos pois para a sempre agradável Bangkok, seguida de uma visita às praias tailandesas (que não tivemos tempo de ver na primeira visita!) em Koh Samui.

Por isso não percam o próximo episódio porque nós também não!



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