Eles sonham, a obra nasce

Como passamos de querer conhecer as Patagónias deste mundo a decidir conhecê-las?


Este post conta, resumidamente, como uma conversa de domingo à tarde resultou nesta aventura que têm sido estes dias, estes últimos meses e, esperançosamente, este próximo ano.

É libertador planear algo que, apesar de se basear em orçamentos (apertados), em compromissos, em diálogos permanentes e silêncios confortáveis, fustiga única e exclusivamente a descoberta, a aventura e a realização. Clichés à parte, pelo que temos conversado e do pouco que nos conheço, o que nos interessa é mesmo partir…

Quando surgiu a ideia de pegar em duas mochilas de 40L, máximo, e conhecer 21 países, ao longo de um ano?

Nada melhor do que passar um Domingo, tendencialmente deprimente, a comer pãozinho fresco com manteiga e a falar “de graça”. Não só sabe fartamente bem como pode dar lugar a ideias desafiadoramente brilhantes. E se bem me lembro foi exactamente assim que chegamos ao tema da viagem. O brainstorming começou com “é bem provável que queira passar umas temporadas lá fora, no próximo ano”, mas o “lá fora” não era comum, nem em coordenadas, nem em tempo, por isso, sem nos rendermos ao “quadradismo” a que o grito de autonomia e independência de cada um possa ecoar, passamos gradualmente para uma perspectiva mais flexível e, definitivamente, mais aventureira do género“e porque não tirar um ano e conhecer uns quantos países?”. Já agora, se bem me lembro também, esta mítica conversa teve lugar em Novembro de 2011.

 Da conversa  de Domingo, pós overdose de hidratos à digestão da ideia…

O momento “google it” fez parte do brainstorming. “Gap Year” no motor de busca e bamm, no mínimo 10 tabs abertas com “roundtheworldtrip”, “worlds nomads”, “legal nomads”, “fruitpicking” e mais umas quantas que nos alimentassem a mega expectativa de ser exequível conhecer o mundo, durante um ano, sabendo de antemão que condicionantes como poupanças ligeiras, o facto de sermos quase “recém-conhecidos”, a não existência de acordos de Portugal com outros países para working holidays visa, entre outras, não eram as mais favoráveis.


E durante semanas fizemos isto, tabs e mais tabs, hidratos atrás de hidratos (algo especialmente irritante sabendo que estava em pleno Inverno e fazia muito menos, para não dizer nenhum, exercício), na tentativa de começar a construir um business plan para A viagem. Nas primeiras semanas parecia uma ideia inabalável, mas a verdade é que a pesquisa foi-se tornando, muitas vezes, mal sucedida e desmotivante, o que nos fez abrandar o ritmo. No entanto, o objectivo de partir em meados de 2012 manteve-se, assumindo portanto que, no espaço de meses, teríamos de nos despedir, avisar famílias, poupar cada euro que pudessemos e não pudessemos, etc, etc. Não conseguimos. Talvez porque o compromisso com a causa não estivesse completamente afinado, ou simplesmente porque o timing não era assim tão perfeito. Não conseguimos avançar com a ideia e, durante a Primavera e Verão acordamos deixar o planeamento da aventura em “standby”.

Eis que praticamente um ano depois da tal conversa de Domingo, pós overdose de hidratos, num almoço no Bosque, em plena Maia, voltamos a falar da ideia de sermos nómadas por um ano. Porquê? Porque tudo (trabalho, família, amigos,…) corria bem. Rotina porreira. Tudo alinhado para continuar a fazer o que já fazíamos e, talvez, para dar um daqueles passos grandes, dali a uns tempos.  A noção de que estavamos naquele ponto em que nos podiamos render a uma espécie de rotina que, na maior parte das vezes, nos agradava e esquecer de vez a ideia do ano nómada fez-nos colocar tudo em perspectiva, novamente.

Foram algumas semanas de exposição, de não formalizadas listas de prós e contras, de análises custo-benefício. A conclusão de que estava tudo bem cá era inquestionável, mas ninguém estava verdadeiramente realizado e o bichinho de deixar Pegadas em Pangeia continuava cheio de vida, por isso…we sealed the deal e finalmente…digerimos a ideia.

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